COBERTURA ESPECIAL - Brasil - EUA - Defesa

24 de Janeiro, 2020 - 12:02 ( Brasília )

BR-US: Brasil País fica próximo de fundo dos EUA para defesa

Empresas brasileiras de defesa poderão ter acesso a verba para o desenvolvimento de produtos na vanguarda tecnológica do setor



Daniel Rittner
Valor  — De Davos

 
Após a designação do Brasil como aliado preferencial extra-Otan pelos EUA, os dois países tentam fechar acordo de cooperação militar que pode dar às empresas brasileiras de defesa acesso a um fundo americano de quase US$ 100 bilhões anuais para o desenvolvimento de produtos na vanguarda tecnológica do setor.

O acordo, que está em reta final de negociação, é encarado por autoridades dos dois lados como um avanço inédito no relacionamento bilateral.

Poucos países fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) têm um acordo RDT&E - sigla em inglês para pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliação - firmado com os Estados Unidos. É o caso de aliados importantes dos americanos em regiões com potencial conflito, como Israel e Coreia do Sul. Nem todos os europeus chegaram a esse tipo de parceria.

O fundo RDT&E teve US$ 96 bilhões no ano fiscal de 2019 e é o principal instrumento do Departamento de Defesa (DoD) dos Estados Unidos para manter a supremacia tecnológica na área militar. O governo Donald Trump tem buscado fortalecer esse fundo nos últimos anos como forma de fazer frente aos crescentes investimentos da Rússia e da China em equipamentos bélicos de ponta.

Centenas de projetos estão sendo desenvolvidos - cada um possui uma rubrica específica no orçamento do DoD - com esses recursos. Caças de quinta geração, novos armamentos hipersônicos, sistemas de defesa aérea, tecnologias de defesa submarina, mísseis balísticos e de cruzeiro fazem parte da lista.
 
Se o acordo bilateral for realmente fechado, empresas brasileiras poderão estabelecer parcerias com americanas para trabalhar no desenvolvimento compartilhado de um novo produto e tecnologia, bem como ter acesso ao fundo.
 
Algumas áreas, como defesa cibernética, já são apontadas pelo governo brasileiro como candidatas a uma parceria mais aprofundada.
 
Nos EUA, há interesse do Escritório de Pesquisas Navais (ONR) e do Comando de Desenvolvimento de Capacidade de Combate (Rdecom) em iniciativas conjuntas.


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