COBERTURA ESPECIAL - Venezuela - Geopolítica

11 de Dezembro, 2018 - 11:40 ( Brasília )

Exclusivo Análise - Tupolev TU-160 na Venezuela

Há algo novo além do frisson a cada cinco anos?


Iohannis Baptistae
(João Batista)
Analista Militar Especial para DefesaNet


A Rússia enviou dois bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-160, da Aviação de longo curso (VKS), para a Venezuela. Há pouco sentido prático neste vôo, mas aqui podemos falar apenas sobre uma missão - uma demonstração. Para  quem é a demonstração  também é óbvio - claro, para os Estados Unidos. Uma espécie de resposta ao próximo envio de navios de guerra norte-americanos para o Mar Negro (depois de ações agressivas contra os navios da Marinha Ucraniana pelos russos).

Os dois bombardeiros estratégicos Tupolev Tu-160S/M1s (RF-94100 e RF-94102, compõem a frota de 16 aeronaves da Força Aérea Russa. Eles voaram 10.000km desde a base aérea de Engels a Caracas. A maior parte do voo ocorreu no Atlântico Norte, onde foram acompanhados por caças F-16 da Noruega.

O gesto é certamente ameaçador e midiático, mas não assustador: e assim fica claro que o uso prático das capacidades de combate dessas aeronaves não é o esperado. A Rússia não é capaz de organizar patrulhas na Costa Leste dos EUA como uma ameaça sistêmica, voos solitários serão mais irritantes do que assustadores. Ao contrário dos Estados Unidos, que é capaz de organizar de forma sistêmica as patrulhas do Mar Negro, observando estritamente a Convenção de Montreux (passagem dos estreitos do mar Negro).

Uma curiosidade é que os voos dos Tu-160 Blackjack para a Venezuela e América Central, ocorrem em exatos períodos e cinco anos entre cada voo. Ocorreram em 2008, em 2013 e agora em 2018.

Enquanto o isso o Kremlin está tentando manter um padrão, respondendo a todas as iniciativas consideradas hostis. O problema, como sempre, é que o aumento mútuo no grau ao longo do tempo (e muito rapidamente) levantará a questão de mudar para um novo nível qualitativo. Onde as ações de demonstração de projeção de poder viáveis se tornarem insuficientes. Mas, para subir o tom, a Rússia atualmente não tem possibilidades práticas.

A única coisa que realmente pode assustar em tais eventos é o nível intelectual da liderança russa, que simplesmente não consegue descobrir onde está o limite, a linha de fronteira onde vale a pena parar.

No caso da Venezuela a simples presença do Tu-160S/M1s produz o impacto midiático e afaga os aliados Bolivarianos parece ser o suficiente. A chegada dos Tu-160S/M1s no mesmo dia em que um governo hostil ao Blivariano do Nicolas Maduro, era diplomado (o Brasileiro Jair Bolsonaro), dá um conteúdo regional. Porém o Kremlin não é dado a ações tão explícitas assim.

Coube ao Secretário de Estado americano Mark Pompeo passar o recibo e valorizar a ação russa. Um jogo de cena.


Mesmo em ruas escuras, não é costume retirar uma faca por qualquer motivo e balançá-la para a direita e para a esquerda. Você sempre pode encontrar um homem que calmamente sacará uma pistola - e então o valentão com uma faca terá que retroceder e esconder sua pequena faca, ou participar de um combate no qual ele simplesmente não terá chance.

O problema está apenas na adequação da liderança do Kremlin - muitas vezes, e sem razão, começa a manusear uma faca, e que pode acabar sem uso. Para eles é lamentável – mas isso não importa, não sinto muito.

 




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O repórter do Canal de TV Militar russo TV Zveda fala emocionado quando o Fupolev TU-160S/M1s toca a pista do aeroporto de Maiquetia, em Caracas, Venezuela.


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