COBERTURA ESPECIAL - Venezuela - Geopolítica

14 de Fevereiro, 2018 - 11:00 ( Brasília )

Brasil dobra controle militar sobre refugiados na fronteira com a Venezuela

Segundo o plano do governo federal, haverá aumento de 100 para 200 homens nos pelotões de fronteira no Estado, com duplicação dos pontos de controle na fronteira, no interior e entre Pacaraima e Boa Vista

Tânia Monteiro


O Brasil criou uma força-tarefa para controlar o ingresso de venezuelanos em Roraima, medida anunciada em visita do presidente Michel Temer a Boa Vista. De acordo com o plano, haverá aumento de 100 para 200 homens nos pelotões de fronteira no Estado, com duplicação dos pontos de controle na fronteira, no interior e entre Pacaraima e Boa Vista. Um hospital de campanha em Pacaraima atenderá atender o fluxo inicial dos venezuelanos.

Depois do anúncio de assinatura de uma Medida Provisória decretando uma espécie de “estado de emergência social” em Roraima, e a criação de uma coordenação nacional, comandada por um general, para orientar a realização de programações que permitam melhorar as condições, os ministros da Defesa, Raul Jungmann, do Gabinete de Segurança Constitucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, e da Justiça, Torquato Jardim, detalharam algumas das medidas a serem desencadeadas.

Novos centros de triagem serão instalados para ajudar na recepção dos venezuelanos e serão deslocadas motocicletas com equipes volantes para reforçar. No âmbito do Ministério da Justiça, 32 homens da Força Nacional que estão em Manaus serão deslocados para Roraima, assim como oito caminhonetes serão levadas para ajudar no patrulhamento das cidades.

Haverá também repasse de recursos para auxílio ao Estado e aos municípios. O ministro da Justiça chegou a falar dos primeiros R$ 700 mil para a instalação de centros de referência e anunciou nova reunião conjunta em 14 de março, para tratar especificamente dos problemas com a população indígena na região, atribuindo os entraves existentes a questões meramente ideológicas. Ele reiterou ainda que será iniciado um censo entre os venezuelanos.

Críticas políticas

Em sua fala, o ministro do GSI fez críticas indiretas ao governo venezuelano e aos governos anteriores do Brasil que apoiaram a atuação dos governos Nicolás Maduro e Hugo Chávez. Ao citar os problemas na Venezuela, que acabaram por resultar neste fuga em massa para o Brasil, o ministro Etchegoyen citou que “este êxodo social foi provocado por decisões ideológicas, que levaram ao desastre venezuelano”, lembrando que “boa parte destas posturas foram festejadas até que chegássemos à tragédia que hoje vivemos”.

Jungmann ressaltou a necessidade de distribuição dos venezuelanos pelo País, salientando que, embora a migração de venezuelanos ocorra geograficamente em Roraima, na verdade "este é um problema nacional, que apenas se dá pelo norte do País, por uma questão de fronteiras". E emendou: “Cabe ao Brasil abraçar e assumir as mesmas responsabilidades”.

O general Etchegoyen, por sua vez, apelou para que outros países que queiram ajudar os venezuelanos, no Brasil ou na própria Venezuela, que o façam por meio do nosso país. “O Brasil oferece ajuda aos venezuelanos pela crise que eles enfrentam e abre-se para que outros países que queiram cooperar o façam por meio da gestão do Brasil”, declarou.

Ele citou que Canadá, Estados Unidos, União Europeia e países da região manifestaram desejo de cooperar de alguma maneira.

Governadora de Roraima pede a Temer atuação do Exército no policiamento¹

A governadora de Roraima, Suely Campos, discursou nesta segunda-feira, 12, pedindo que o governo federal tome várias medidas a favor do Estado e denunciando que o crime organizado está se aproveitando da vulnerabilidade dos venezuelanos para trazer drogas e armas.

"Existe a conexão com o crime organizado comandado por venezuelanos, entrando na esfera da segurança nacional", disse após se reunir com o presidente Michel Temer.

Suely entregou um documento com 11 medidas que pretendem minimizar o impacto causado pelo alto número de imigrantes venezuelanos que chegaram a Roraima nos últimos meses. Entre as propostas, estão o aumento de efetivo da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), além da atuação do Exército brasileiro no policiamento ostensivo em Pacaraima, cidade que faz fronteira com a Venezuela.

Além disso, foram pedidas ações mais rigorosas de controle de entrada de pessoas pela fronteira e a doação de veículos e equipamentos para aprimorar o trabalho das forças de segurança de Roraima. Mais cedo, Temer chegou à base aérea e seguiu com a comitiva direto para o Palácio Senador Hélio Campos, onde se reuniu com a governadora e autoridades do Estado.

A crise migratória foi um dos principais assuntos da reunião, que aconteceu cinco dias após a visita dos ministros da Justiça, Torquato Jardim, da Defesa, Raul Jungmann, e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Sérgio Westphalen.

Esta é a terceira vez que um presidente é recebido pela governadora Suely Campos. Nas duas primeiras vezes, Suely recebeu a então presidente Dilma Rousseff para a entrega de casas do Programa Minha casa, Minha Vida.

Temer: não faltarão recursos para resolver a situação dos venezuelanos no Brasil²

Em reunião com líderes políticos de Roraima, o presidente da República, Michel Temer, assegurou nesta segunda-feira (12) que não faltarão recursos para a situação dos venezuelanos no estado. “Todos os recursos necessários serão encaminhados para solucionar a questão dos venezuelanos, no aspecto humanitário, mas também a solução para o estado de Roraima”.

Em Boa Vista, o presidente também anunciou a edição de uma medida provisória, ainda esta semana, que vai contribuir com a liberação de recursos para o estado. Além disso, o governo vai criar uma coordenação conjunta de diferentes esferas do governo, um comitê nacional entre União, estado e municípios. “Significa uma ação federal em conjunto com o estado de Roraima para solucionar essa questão que aflige o estado de Roraima e hoje também o Brasil”.

De acordo com a prefeitura de Boa Vista, cerca de 40 mil venezuelanos vivem em abrigos na capital, fugindo de forte crise econômica do país vizinho. Entre as ações desenvolvidas pelo Governo do Brasil para ajudar no fluxo migratório, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, sinalizou a criação de uma coordenação humanitária comandada pelas Forças Armadas, a instalação de hospital de campanha e centros de triagem, além de reforço nas fronteiras.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, reforçou a criação de uma força-farefa para apoio logístico e comentou sobre a necessidade da liberação de recursos imediatos em caso de fluxo migratório.

A reunião contou com a presença dos ministros da Defesa, Raul Jungmann; da Justiça e Segurança Pública, Torquato Jardim; da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, do ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Sérgio Etchegoyen, além de líderes políticos de Roraima.


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