COBERTURA ESPECIAL - Vant - Tecnologia

21 de Março, 2016 - 11:20 ( Brasília )

Maersk testa uso de drones para abastecer navios com suprimentos



Por Robert Wall



A Amazon.com Inc. está procurando descobrir como usar drones para entregar encomendas em terra. Outra gigante do ramo de entregas está tentando fazer a mesma coisa no mar.

A A.P. Moller Maersk A/S, a maior transportadora marítima de contêineres do mundo por capacidade, está estudando usar drones a bordo de suas embarcações gigantes e em suas operações portuárias em todo o mundo, numa tentativa de cortar os custos do abastecimento de navios no mar.

Embora os estudos sejam preliminares, a Maersk afirma que poderia economizar até US$ 9 mil por navio ao ano em custos operacionais ao embarcar coisas como correspondências, remédios e peças de reposição usando drones. A empresa também está cogitando colocar drones a bordo dos navios para outras tarefas, como inspeções de cascos.

Navios modernos — muitos deles grandes demais para ancorar em um píer — dependem de uma frota auxiliar de barcos e barcaças para abastecê-los com itens que vão desde combustível a alimentos, mesmo quando os navios estão no porto. Os drones podem ser uma forma mais fácil de mover cargas menores rapidamente e com mais flexibilidade da costa para o navio e vice-versa.

“Normalmente, tentamos consolidar nossas entregas em barcaças para cortar custos. Com os drones, entregas menores podem ser mais frequentes, dependendo da urgência”, diz Tommy Thomassen, diretor técnico da Maersk Tankers, uma das três unidades principais da Maersk Group.

Em janeiro, a empresa testou um drone que voou de um rebocador para um petroleiro próximo à costa da ilha dinamarquesa de Zealand. O drone transportou um pequeno pacote — uma caixa de biscoitos amanteigados dinamarqueses da marca Maersk, que pesava pouco mais de um quilo. Os biscoitos foram jogados no navio de uma altura de cerca de cinco metros e não quebraram. O drone, que deveria cobrir uma distância de cerca de 1,6 km, voou cerca de 250 metros devido a um nevoeiro.

Um sistema que poderia carregar pacotes de até 20 quilogramas “cria todos os tipos de possibilidades para entregas, inclusive de peças de reposição e outros suprimentos”, diz Thomassen.

A Maersk também crê que viagens de longo alcance podem, um dia, ser uma forma de entregar peças a um navio com problemas mecânicos, ou remédios para um membro da tripulação doente em alto-mar. Atualmente, helicópteros e lançamentos aéreos de aeronaves de longo alcance são, geralmente, a única opção para emergências no mar.

A Maersk também está analisando se faz sentido carregar drones a bordo dos navios — inclusive para realizar inspeções no casco, por exemplo. As embarcações poderiam levar drones simplesmente como um acessório, determinando no local a melhor maneira de usá-los.

A medida é mais uma tentativa das empresas para encontrar usos comerciais para drones cada vez mais sofisticados. A gigante das compras on-line Amazon.com começou gradualmente a entrar no setor de entregas.

Neste mês, a empresa se uniu à Air Transport Services Group Inc. para operar uma frota de 20 aviões fretados do modelo 767, da Boeing Co., para reduzir a dependência de empresas de entrega como a United Parcel Service Inc. e a FedEx Corp. O serviço Amazon Prime Air, que tem o objetivo de usar drones para entregar encomendas a curtas distâncias pelo ar, está contratando ativamente nos Estados Unidos, Reno Unido e Israel.

Com exceção da Maersk, a indústria marítima tem sido lenta em adotar os drones. A Agência Europeia de Segurança Marítima e a Agência Espacial Europeia esperam usar drones já a partir deste ano para fiscalizar novos padrões de poluição em algumas das águas mais navegadas da Europa.

Na Coreia do Sul, a Autoridade Portuária Busan já afirmou que usará drones para melhor policiar navios que ilegalmente ancoram em rotas marítimas próximas ao porto. E, no Japão, o governo tem planos para um sistema de monitoramento marítimo que usaria drones para ajudar a monitorar os navios em águas japonesas, fazer análises meteorológicas e atender a emergências no mar.

Os reguladores vêm penando para acompanhar o desenvolvimento de drones em terra. O uso de drones no mar não criaria necessariamente as mesmas preocupações com ruído, privacidade e segurança que em muitos outros lugares.

Ainda assim, leis internacionais que regulam as atividades no mar fora de águas territoriais teriam que acomodar os drones, se o uso deles se tornar generalizado.



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