COBERTURA ESPECIAL - US - Geopolítica

18 de Março, 2017 - 11:20 ( Brasília )

EUA consideram ação militar contra Coreia do Norte, diz Tillerson

Em visita à Coreia do Sul, secretário de Estado diz que "política estratégica da paciência" terminou e que ação militar contra o regime em Pyongyang é uma opção a ser considerada.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou nesta sexta-feira (17/03) que uma ação militar contra a Coreia do Norte é uma opção a ser considerada caso o regime de Pyongyang persista com as suas ameaças nucleares.

"Se eles elevarem a ameaça do seu programa de armas para um nível em que acreditarmos que uma ação será necessária, essa opção está em cima da mesa", afirmou Tillerson na Coreia do Sul, logo após visitar a zona desmilitarizada que divide a península coreana.

"Deixe-me ser bem claro. A política de paciência estratégica terminou. Estamos explorando um novo leque de medidas diplomáticas e de segurança", acrescentou, ao ressaltar que ameaças à Coreia do Sul requerem uma resposta apropriada.

Tillerson iniciou nesta quarta-feira sua primeira visita oficial à Ásia com o objetivo de encontrar uma nova estratégia para lidar com a Coreia do Norte, depois de duas décadas de esforços frustrados para frear as investidas nucleares do regime. A viagem começou no Japão e se encerra neste sábado na China.

Desde o início de 2016, o regime do ditador Kim Jong-un fez dois testes nucleares e lançou dezenas de mísseis balísticos. Apenas na última semana, foram quatro lançamentos. Especialistas acreditam que, em alguns anos, a Coreia do Norte desenvolverá mísseis nucleares com capacidade de alcançar os Estados Unidos.

Envolvimento da China

O secretário americano tem instado a China a aplicar sanções à Coreia do Norte. Tillerson também quer que o governo chinês retire a punição aplicada à Coreia do Sul por ter posicionado um sistema antimíssil americano.

A China alega que o sistema de radar representa uma ameaça à sua segurança, apesar de a Coreia do Sul ter garantido que o sistema tem o único de objetivo de proteger o país contra ataques da Coreia do Norte.

Além de apelar para que a Coreia do Norte pare com testes nucleares e balísticos, a China quer que os EUA e a Coreia do Sul encerrem os exercícios militares conjuntos e procurem o diálogo com o regime em Pyongyang.

EUA alerta Coreia do Norte para possível resposta militar¹

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, emitiu nesta sexta-feira o alerta mais contundente do governo Trump até o momento à Coreia do Norte, dizendo que uma resposta militar estará "na mesa" se Pyongyang agir de forma ameaçadora contra forças sul-coreanas e norte-americanas.

Falando em Seul depois de visitar a Zona Desmilitarizada que divide a península coreana e alguns dos 28.500 soldados dos EUA baseados na Coreia do Sul, Tillerson disse que a política de "paciência estratégica" do ex-presidente Barack Obama com os programas nuclear e de mísseis de Pyongyang acabou.

"Estamos explorando uma nova gama de medidas de segurança e diplomáticas. Todas as opções estão na mesa", afirmou ele em uma coletiva de imprensa.

Tillerson disse que qualquer ação norte-coreana que ameace as forças de seu país e de Seul receberão "uma resposta apropriada", aumentando a intensidade da linguagem dura que vem marcando a abordagem do presidente Donald Trump para a Coreia do Norte.

"Certamente não queremos que as coisas cheguem a um conflito militar", respondeu quando indagado sobre uma possível ação militar, mas acrescentou: "Se eles elevarem a ameaça de seu programa armamentício a um nível que acreditamos que exige ação, essa opção está na mesa".

Apesar do alerta do secretário, autoridades dos EUA enfatizaram que, embora uma revisão em curso da política para a Coreia do Norte inclua opções militares, tais planos de contingência vem sendo conduzidos há décadas e que o caminho preferido é exortar Pyongyang a abandonar seus programas de armas por meio de sanções crescentes e outras pressões diplomáticas, particularmente sobre a China.

Tillerson, ex-executivo de uma petroleira sem experiência diplomática anterior, viaja no sábado à China, e irá pressionar Pequim, única aliada do regime norte-coreano, a fazer mais para refrear seu vizinho.

O principal foco da viagem de Tillerson, sua primeira visita à Ásia como chanceler, é desenvolver uma "nova abordagem" para a Coreia do Norte depois do que ele classificou como duas décadas de esforços fracassados para persuadir a nação isolada a se desnuclearizar. Tillerson também visitou o Japão durante o giro.

Trump disse nesta sexta-feira que a Coreia do Norte está "se comportando muito mal" e acusou os chineses de fazerem pouco para resolver a crise dos programas de armas do Norte.

"Eles estão 'jogando' com os Estados Unidos há anos", tuitou Trump. "A China fez pouca coisa para ajudar!"

Por ora, as autoridades dos EUA consideram uma ação militar preventiva contra a Coreia do Norte arriscada demais, dado o perigo de iniciar uma guerra regional e provocar grandes baixas no Japão e na Coreia do Sul e entre dezenas de milhares de soldados norte-americanos sediados nos dois países aliados.

Tais ideias poderiam ganhar corpo, porém, se Pyongyang levar adiante a ameaça de testar um míssil balístico intercontinental capaz de atingir os EUA. Em janeiro, Trump tuitou "isso não vai acontecer" quando o líder norte-coreano, Kim Jong Un, disse que seu país estava perto de fazê-lo.


¹com Reuters


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