COBERTURA ESPECIAL - UNODC - Inteligência

02 de Julho, 2018 - 09:50 ( Brasília )

UNODC - World Drug Report 2018

Relatório Mundial sobre Drogas cita apreensão de mais de 87 toneladas do tipo de substâncias em todo o mundo; produção global de cocaína chegou ao nível mais alto já registado



O uso não medicinal de remédios prescritos é uma grande ameaça à saúde pública e à aplicação da lei em todo o mundo, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas (World Drug Report 2018 - Apresentação abaixo).

Em 2016, os maiores danos foram provocados pelos opiáceos. Estas substâncias causaram 76% das mortes por transtornos associados ao uso de drogas, de acordo com  a publicação lançada esta terça-feira, em Viena, pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, UNODC.

América do Norte

O representante do escritório da UNODC no Brasil, Rafael Franzini, explicou porque é que esta tendência é preocupante.

“Temos de estar preocupados porque muitos desses remédios são baseados com opiáceos e isso tem uma relação de mortes por overdose. Os opiáceos são a droga que provoca mais mortes na população que consome.”

Na América do Norte, um dos maiores problemas continua a ser o uso do fentanyl, um derivado da morfina, e seus equivalentes. Já na África e na Ásia preocupa cada vez mais o uso do tramadol, um opiáceo que trata a dor moderada e grave.

Na América do Norte, um dos maiores problemas continua a ser o uso do fentanyl, um derivado da morfina, e seus equivalentes. Já na África e na Ásia preocupa cada vez mais o uso do tramadol, um opiáceo que trata a dor moderada e grave.

O relatório destaca que em 2016 foram apreendidas 87 toneladas de opiáceos em todo o mundo, quase a mesma quantidade que a heroína confiscada nesse período.

Nas regiões da África Ocidental, Central e do Norte foram confiscados cerca de 87% do total mundial dessa categoria de drogas nesse período.

Nos países asiáticos, onde antes ocorria metade das apreensões ao nível global, foram confiscados 7% do total dessa classe de drogas em 2016.

Idade

Rafael Franzini diz que outra conclusão do relatório tem a ver com a idade dos usuários, que tem aumentado.

“Nós sempre temos uma preocupação muito grande com a juventude, porque obviamente queremos que os programas de prevenção retardem o começo do uso de drogas. Mas o que se pode observar no capitulo dedicado a drogas e idade, é que, nos últimos anos, a faixa etária dos 50 anos e mais tem um crescimento no uso de drogas maior do que o crescimento nos jovens. Tem muito para estudar, mas o mundo vai mudando, a população vai mudando também. E tem algumas questões que têm relação com o que acontecia há 20, 30 anos, quando o mundo assistia a maior consumo de cocaína”.

Colômbia

O relatório revela ainda que a produção global de cocaína atingiu o nível mais alto já registrado, com cerca de 1.410 toneladas. A origem da maior parte da droga é a Colômbia. Mas a África e a Ásia emergem como centros de tráfico e consumo de cocaína.

Entre 2016 e 2017, a produção global de ópio subiu 65% para 10.5 mil toneladas, o maior registro da Unodc desde que começou a monitorar a produção global do produto no século 21.

Cultivo de Papoulas

O Afeganistão foi responsável por mais de 85% da produção dessa droga ao atingir 9 mil toneladas. As principais razões são o aumento acentuado no cultivo de papoulas e a melhoria gradual da produtividade.

A canábis foi a mais consumida em 2016. Pelo menos 192 milhões de pessoas utilizaram pelo menos uma vez durante o ano anterior.

A agência revela que continua a subir o número global de utilizadores de canábis e que na década até 2016 estes teriam subido cerca de 16%. Um dos motivos seria um aumento similar na população mundial.

Drogas como a heroína e a cocaína, que estão disponíveis há muito tempo, coexistem cada vez mais com novas substâncias psicoativas e medicamentos receitados.

 





Apresentação em PDF dos principais pontos do World Drug Report 2018

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