COBERTURA ESPECIAL - TOA - Naval

01 de Junho, 2015 - 11:40 ( Brasília )

Marinhas de Brasil, Colômbia e Peru unem forças para combater o narcotráfico


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Ximena Moretti


As Marinhas do Brasil, da Colômbia e do Peru unirão esforços na Bracolper Naval 2015, uma operação militar para combater crimes transnacionais que estão ocorrendo na região amazônica comum entre os três países.

“A operação naval busca desenvolver a interoperabilidade através de exercícios táticos conjuntos e aumentar as capacidades das Marinhas do Brasil, da Colômbia e do Peru na luta contra organizações criminosas na região amazônica”, diz o Contra-Almirante (r) da Marinha Peruana Juan Rodríguez Kelley.

Grupos de narcotráfico internacional operam na zona da Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, também conhecida como Trapézio Amazônico.

“O Trapézio Amazônico é uma área muito procurada por narcotraficantes que trabalham com grupos criminosos ou com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC)”, diz Rodríguez Kelley.

Nas últimas décadas, os narcotraficantes intensificaram suas atividades na área da Tríplice Fronteira, geralmente transportando drogas entre países vizinhos.

Grupos do crime organizado participam de outras atividades criminosas na região, como mineração ilegal, contrabando de flora e fauna e desmatamento ilegal.

“Essas dinâmicas violam o marco constitucional de cada país e são uma ameaça geral, considerando-se a estreita relação entre as populações locais e as consequências desses crimes”, diz Rodríguez Kelley.

Bracolper incentiva a cooperação militar internacional

A Bracolper busca lutar contra essas atividades ilegais incentivando as Marinhas a cooperar no combate ao crime organizado na área da Tríplice Fronteira. A operação fortalecerá “os laços de amizade entre as instituições responsáveis pela proteção e a salvaguarda da rede de cursos d’água do Trapézio Amazônico”, disse a Marinha Colombiana em comunicado após o encontro de planejamento da Operação Naval 2015.

Autoridades das três Marinhas se reuniram para planejar a operação no Comando da Guarda Costeira do Amazonas na cidade portuária de Leticia, na Colômbia. Os chefes operacionais da Força Naval Sul da Marinha da Colômbia, do Nono Distrito da Marinha do Brasil e do Comando Geral de Operações da Amazônia e Quinta Zona Naval da Marinha de Guerra do Peru participaram do evento.

Os exercícios Bracolper estão previstos para começar em 24 de julho em Leticia, após uma série de atos protocolares para ajudar as tripulações dos navios a conhecer mais sobre as culturas e os costumes de cada país participante.

“A Bracolper é uma operação única porque ocorre no ambiente amazônico; os maiores benefícios obtidos pelas três Marinhas são a cooperação e o alto grau de confiança mútua que alcançam”, diz Rodríguez Kelley.

“O incremento anual na complexidade dessas operações mostra claramente o alto nível de profissionalismo e o compromisso que cada Marinha tem na execução desse exercício naval.”

A iniciativa nasceu em 1974 como resultado de um senso de irmandade e fraternidade entre Brasil, Colômbia e Peru. O marco inicial foi a visita protocolar de embarcações fluviais brasileiras à cidade de Iquitos, no Peru, e depois a Leticia.

Bracolper terá três etapas

Após as atividades protocolares, a Bracolper será realizada em três fases, incluindo exercícios com a participação de canhoneiras fluviais, barcas, lanchas de interdição, helicópteros e batalhões de infantaria da marinha, diz Rodríguez Kelley.

A primeira fase será realizada de 24 a 27 de julho na Área da Tríplice Fronteira, subindo o Amazonas até Iquitos.

A segunda fase ocorrerá entre 31 de julho e 5 de agosto com a saída da cidade de Iquitos seguindo rio abaixo até chegar ao ponto da Tríplice Fronteira, onde os marinheiros participarão de um exercício de controle fluvial trinacional.

Já a terceira etapa se dividirá em dois estágios. No primeiro, de 26 de agosto a 5 de setembro, as forças navais se encontrarão na Tríplice Fronteira e percorrerão o Amazonas até atingir o rio Negro, culminando com a chegada à Estação Naval do Rio Negro na cidade de Manaus.

De 9 a 15 de setembro, a Operação Naval Bracolper deixará Manaus e viajará pelos rios Negro e Amazonas até chegar ao ponto da Tríplice Fronteira.

Durante as jornadas, os barcos realizarão exercícios práticos em comuncação, formação, semáfora (envio de sinais usando bandeiras em certas posições), transferência de cargas leves e reação rápida, entre outros exercícios que ajudarão a potencializar as capacidades operacionais das embarcações.

“A Bracolper é elaborada para ser uma operação naval importante a fim de fortalecer os laços de irmandade entre países vizinhos trabalhando em suas área de responsabilidade fluvial. O objetivo comum é não deixar espaço para o narcotráfico”, de acordo com um vídeo da Marinha Colombiana de julho de 2014.

Narcotráfico complica a situação fronteiriça

Organizações internacionais de tráfico de drogas operam no Trapézio Amazônico para tentar aproveitar dois grandes rios, o Putumayo e o Marañón, que correm dos vales de produção de coca na Colômbia em direção ao Oceano Atlântico. Organizações de narcotraficantes usam barcos de pesca e outras embarcações para transportar drogas nesses rios.

Lutar contra o narcotráfico e outras atividades ilegais ajuda a proteger o meio ambiente da área da Tríplice Fronteira Amazônica, que abrange a maior bacia hidrográfica do mundo, ocupa mais de um terço da superfície do hemisfério Sul e abriga os ecossistemas, as espécies e os recursos genéticos de maior diversidade da Terra. A região é também um repositório de importantes recursos hidrelétricos, minerais e de petróleo.

Nesse sentido, as operações Bracolper “adquirem significado, não apenas em termos de cooperação em segurança, mas também na troca e no compartilhamento de esquemas que contribuem para o desenvolvimento sustentável da região”, diz Rodríguez Kelley.

Fora do âmbito da Bracolper, operações bilaterais entre Peru e Brasil no Rio Yavarí, bem como operações bilaterais entre Peru e Colômbia no rio Putumayo, “contribuem de forma eficaz e permanente para a luta contra novas ameaças.” Essas operações incluem ajuda humanitária, brigadas médicas, trabalhos de manutenção e melhorias na infraestrutura pública.