COBERTURA ESPECIAL - Especial Terror - Geopolítica

29 de Julho, 2016 - 10:40 ( Brasília )

Hollande anuncia criação de Guarda Nacional

Após a França ser alvo de mais ataques terroristas, presidente decide constituir corporação para proteger seus cidadãos. Um conselho de defesa deve ser realizado no mês que vem para definir a estrutura.

O presidente da França, François Hollande, confirmou nesta quinta-feira (28/07) os planos de constituir uma Guarda Nacional para ajudar as forças de segurança no combate ao terrorismo e proteger os cidadãos franceses.

A decisão foi anunciada após Hollande se reunir no Palácio do Eliseu com parlamentares que analisaram as possibilidades de criar esse corpo. A presidência disse esperar que ele seja estabelecido "o mais rápido possível". Um conselho de defesa deve ser realizado no mês que vem para definir a estrutura da corporação.

O anúncio de Hollande ocorreu na sequência de dois ataques na França em menos de duas semanas – em Nice, onde um tunisiano avançou com um caminhão contra uma multidão, e em Saint-Etienne-du-Rouvray, na Normandia, onde um padre foi degolado. Antes disso, o país tinha sido atingido pelo atentado à sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, e por uma série de ataques em Paris no último dia 13 de novembro, que deixou 130 mortos.

Hollande espera que a guarda – formada por voluntários da polícia, policiais paramilitares e militares – esteja pronta para operar ainda neste segundo semestre.

No início do mês, o presidente afirmou que o Ministério da Defesa iria convocar 28 mil reservistas nas semanas seguintes, enquanto a polícia militar vai fornecer um adicional de 10 mil homens e mulheres que se aposentaram há menos de dois anos. Em janeiro, o presidente havia pedido que o número de reservistas do Exército passasse dos atuais 28 mil para 40 mil até 2019.

A França não tem uma Guarda Nacional desde 1872, quando foi extinta a que havia sido criada em 1789, durante a Revolução Francesa, com o objetivo de manter a ordem pública após a expulsão do Exército Real.

Política francesa dividida perante ameaça terrorista¹

As homenagens ao padre Jacques Hamel são o destaque da imprensa francesa nesta manhã de quinta-feira, 28 de julho de 2016. O padre, de 86 anos, foi assassinado na terça-feira, 26, por dois terroristas do Grupo Estado Islâmico. O crime aconteceu dentro de uma igreja, na pequena cidade de Saint-Etienne du Rouvray, perto de Rouen, na região da Normandia. O jornal Aujourd'hui destaca a cerimônia realizada na Catedral de Notre-Dame, o maior símbolo da igreja católica francesa.

A cerimônia contou com a presença do presidente François Hollande, do primeiro-ministro Manuel Valls, dos presidentes do Senado e da Assembleia da República, assim como dos ex-presidentes Valéry Giscard d'Estaing e Nicolas Sarkozy. Em editorial, o jornal Aujourd'hui exige uma reação do Estado contra o processo de radicalização de jovens muçulmanos, como os que assassinaram o padre Jacques Hamel.

O jornal lembra que um dos assassinos era monitorado pelos serviços de inteligência e portava um bracelete eletrônico, depois de ter tentado duas vezes partir para a Síria, onde se juntaria ao Grupo Estado Islâmico.

À direita, Le Figaro

O jornal conservador Le Figaro questiona, por sua vez, a impotência da justiça face ao terrorismo. O jornal lembra que os políticos de direita propõem projetos de lei que dariam ao Estado poderes excepcionais contra a onda de terrorismo. Mas o governo socialista de François Hollande reage dizendo que a questão está sendo superestimada, e que o estado de direito precisa ser respeitado.

Segundo o Figaro, juízes do alto escalão têm apontado brechas na legislação, enquanto o governo se recusa a avançar propostas mais rígidas como a detenção preventiva daqueles que retornam da Síria ou a criminalização da busca por sites jihadistas na Internet.

O Figaro destaca ainda a reação do Papa Francisco, que está participando da Jornada Mundial da Juventude, na Polônia. O Papa declarou que o “mundo está em guerra”. Mas completou dizendo que “não se trata de uma guerra religiosa, pois todas as religiões querem a paz”.

Usinas nucleares

O jornal de economia Les Echos se distancia da polêmica sobre a onda de terrorismo, abrindo a primeira página com os altos riscos assumidos pela empresa de energia EDF. Maior fornecedora de energia elétrica do mundo, a estatal francesa EDF planeja construir duas usinas nucleares no sul da Inglaterra. A obra terá um custo de 22 bilhões de Euros, e só deverá ficar pronta em 2025. A questão, segundo jornal, é o momento de incerteza pelo qual o mundo atravessa. Com o acidente nuclear de Fukushima e o desenvolvimento das fontes alternativas de energia, o jornal aponta em editorial que a EDF pode estar fazendo um péssimo negócio, seguramente deixado de lado por todas as outras empresas privadas.

Eleições americanas

A revista semanal Nouvel Observateur traz na capa a candidata às eleições deste ano nos Estados Unidos, a democrata Hillary Clinton. A revista lembra que há 25 anos Hillary espera pela oportunidade de se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da América do Norte. De advogada brilhante, segundo a revista, Hillary fez um percurso que passou por primeira-dama, esposa traída, senadora, candidata derrotada à presidência e secretária de Estado.

¹com RFI