11 de Junho, 2015 - 15:50 ( Brasília )

Terrestre

A Artilharia continua sendo, atualmente, o grande e nobre fator na decisão do combate


1° Ten Art Ramon Gaspar Zimbicki da Silva
 Instrutor C Art / AMAN


A Artilharia é uma das Armas Combatentes do Exército Brasileiro, cuja missão é apoiar as unidades que compõem a Função de Combate Movimento e Manobra, destruindo ou neutralizando alvos que ameacem o êxito de uma operação. Desta forma, a Arma de Artilharia é responsável por apoiar e proteger os escalões de manobra, por meio de fogos e de proteção.

A primeira atribuição é materializada na Artilharia de Campanha (tubo, foguetes e mísseis), cujo objetivo é realizar o emprego coletivo e coordenado de fogos cinéticos e não-cinéticos orgânicos da Força ou o emprego conjunto, integrado pelos processos de planejamento e coordenação de fogos.

A segunda é materializada pela Artilharia Antiaérea (tubo e mísseis), que visa preservar a Força, por meio de tarefas que permitam identificar, prevenir e mitigar possíveis ameaças aéreas no campo de batalha e, consequentemente, garantir a manutenção do poder de combate e a liberdade de ação em um teatro de operações.

Historicamente, a Artilharia sempre ocupou um lugar de destaque nas batalhas. Na Antiguidade, originou-se com o lançamento de projéteis por catapultas, onagros e balistas, para atingir tropas ou fortificações. No final da Idade Média, com o advento da pólvora, houve uma revolução nos armamentos, o que trouxe amplas inovações para a Arma dos fogos largos, densos e profundos.

O mundo conheceu a força, o poder e o rugido da alma do canhão. Posteriormente, foram surgindo novos armamentos, como bombardas, colubrinas, obuses, morteiros, foguetes e mísseis.

Com a evolução e a dinamização do combate, a Arma – que antes era fixa, lenta, tracionada por animais e com poder de fogo relativamente limitado – adquiriu mais mobilidade, flexibilidade, precisão e rapidez. Assim, tornou-se fundamental nas grandes batalhas campais do passado, quando passou a ser chamada de “Último Argumento dos Reis” – e permanece até hoje, com a busca de inovações e soluções tecnológicas.

Sua presença nos combates modernos tem influenciado sobremaneira o desenrolar de conflitos, como ficou patente em diversos eventos da atualidade (Ucrânia, Afeganistão, Mali e Congo).

Comemora-se o dia da Artilharia em 10 de junho, data de nascimento do insigne Marechal Emílio Luís Mallet, patrono da Arma. Nascido no ano de 1801, na cidade de Dunquerque (França), chegou ainda jovem ao Brasil e foi convidado por D. Pedro I a ingressar nas fileiras do Exército Nacional. Militar exemplar, dedicou-se de corpo e alma ao serviço da Pátria que lhe abraçara, tendo consagrado sua vida integralmente à nação.

Foi herói invicto em inúmeras campanhas, como a Guerra da Cisplatina; a Revolução Farroupilha (na luta pela integridade nacional); a Guerra contra Oribe, Rosas e contra Aguirre; e, por fim, a Guerra da Tríplice Aliança, em que, sob seu comando, a Artilharia brasileira fez tremer os mais audazes e ferrenhos inimigos, na glória e exaltação da Pátria amada.

Contra os comandandos de Solano López, à frente do 1º Regimento de Artilharia a Cavalo, teve participação fundamental na vitória de nossas tropas no Passo da Pátria, em Estero Bellaco e em Tuiuti, a maior batalha campal da América do Sul. Nesse episódio, suas bocas de fogo foram batizadas “artilharia revólver”, tal a precisão e a rapidez de seus fogos.

A previsão e a criatividade do chefe militar asseguraram importante vitória ao Exército Imperial. O profundo fosso que Mallet fez construir para proteção de suas peças constituiu-se em eficiente obstáculo que impediu o avanço da tropa inimiga.

Esse fato passou para a História com a célebre frase do comandante da Artilharia brasileira: “Eles que venham. Por aqui não passam”, além de render-lhe o comando da 1ª Brigada de Artilharia. Como Comandante da Grande Unidade, continuou apoiando as ações das Forças Aliadas nas batalhas de Humaitá, Piquiciri, Angustura, Lomas Valentinas, Ascurra e Campo Grande, tendo galgado, durante a Campanha da Cordilheira, o Comando-Geral de Artilharia do Exército.

Faleceu em 2 de janeiro de 1886, no Rio de Janeiro, aos 84 anos. Hoje, seus restos mortais repousam em um mausoléu, sob os cuidados do 3º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado (GAC AP) – o “Regimento Mallet” – situado na cidade de Santa Maria/RS.

Inserida no Processo de Transformação da Força Terrestre, a Artilharia engaja-se diretamente em dois projetos estratégicos: Defesa Antiaérea e ASTROS 2020. Participa, ainda, do Projeto Estratégico do Exército (PEEx) SISFRON, por meio da criação e estruturação do Subsistema Busca de Alvos, com a aquisição de radares e sistemas aéreos remotamente pilotados (SARP), os quais prestarão o apoio contínuo à segurança de nossas fronteiras e cumprirão missões específicas da Arma, confirmando sua vocação, também, para o emprego dual.

A Artilharia Brasileira será alçada à Era do Conhecimento com a aquisição do obuseiro M109 A5 + BR, que mobiliará o 3º GAC AP e o 5º GAC AP e que está sendo adquirido devido ao PEEx Recuperação da Capacidade Operacional.

A Artilharia continua sendo, atualmente, o grande e nobre fator na decisão do combate. Moderna, ágil, silenciadora e vibrante, por meio de suas bocas de fogo, entre clarões, carrega a sinistra melodia da batalha e o poder de definir a quem a glória pertencerá.

 
ARTILHARIA: É COM FOGO QUE SE GANHAM AS BATALHAS!