12 de Abril, 2017 - 12:10 ( Brasília )

Tecnologia

Boeing usará peças de titânio impressas para baixar custos de aviões

Ao usar tecnologia, gigante do setor pode poupar US$ 3 milhões em cada Boeing 787. Além de reduzir custos com matérias-primas, processo economizaria no consumo de energia

A impressão 3D promete revolucionar a manufatura em diversas indústrias, incluindo o setor aeroespacial.

Entre as companhias que têm despontado na adoção da tecnologia está a norte-americana Boeing. Segundo informações da Reuters, a fabricante de jatos usará peças de titânio impressas na construção do seu icônico 787 Dreamliner.

A companhia já adotava a impressão 3D para a fabricação de algumas peças, mas agora tratam-se dos primeiros componentes estruturais a serem aprovados pela Federação Nacional de Aviação dos Estados Unidos.

A Reuters reporta que a Boeing anunciou na segunda-feira (10) um contrato com a norueguesa Norsk Titanium AS para imprimir as primeiras partes estruturais em titânio para seus aviões.

Tal mudança ajudaria a Boeing a poupar até US$ 3 milhões em cada jato construído. Construir aviões é uma tarefa custosa, claro. Pense em toda engenharia necessária para colocar esses gigantes no céu, sem falar nos custos com materiais sofisticados.

O titânio, por exemplo, tem sido empregado na construção de peças estruturais em Boeings tendo em vista suas propriedades físicas que ao mesmo tempo oferecem um material forte e leve, o que ajuda a tornar aviões mais eficientes.

Entretanto, o titânio custa muito mais que o alumínio, que é comumente usado em jatos comerciais. Para ser construído, cada 787 Dreamliner custa cerca de US$ 265 milhões, sendo que as peças de titânio representam US$ 17 milhões deste total.

Mas a impressão 3D poderia ajudar a companhia centenária a otimizar seu modelo de produção. A Norsk Titanium desenvolveu sua própria tecnologia para criar peças de titânio, usando uma técnica chamada Rapid Plasma Deposition (RPD).

Nela, cada fio de titânio é derretido em uma nuvem de gás argônio para criar cada peça. Este processo reduz os custos com matérias-primas e o consumo de energia em comparação com a usinagem tradicional, segundo a Norsk, tornando cada jato mais barato de construir.

A General Electric Co. já imprime bicos metálicos para motores de aviões. Entretanto, a Norsk e a Boeing afirmam que as peças de titânio são os primeiros componentes estruturais impressos projetados para suportar o estresse de uma fuselagem.

Inicialmente, a Norsk vai imprimir as peças encomendadas na Noruega, mas pretende ter nove impressoras funcionais até ao final do ano em uma instalação de 6.220 metros quadrados em Plattsburgh, Nova York.