COBERTURA ESPECIAL - Russia Docs - Inteligência

25 de Janeiro, 2019 - 23:19 ( Brasília )

GRU II (Glavnoje Razvedyvatel'noje Upravlenije – Serviço Militar de Inteligência do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia)

2ª Parte - O “GRU” (Glavnoje Razvedyvatel'noje Upravlenije – Serviço Militar de Inteligência do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia)


O “GRU” (Glavnoje Razvedyvatel'noje Upravlenije – Serviço Militar de Inteligência do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia)

Pesquisa publicada em duas partes.

1ª Parte Link

2ª Parte Link

Frederico Aranha
Pesquisador independente

Advertência: tradução livre

                         
Não foram poucos os agentes duplos operando no GRU. Dmitry Polyakov trabalhou com a inteligência americana de 1961 até 1986, tempo em que supriu os EEUU com 25 caixas de documentos secretos, denunciou 19 agentes secretos russos e mais de 150 outros espionando para Moscou. Praticamente, ele paralisou a inteligência secreta da União Soviética nos EEUU. Polyakov serviu primeiro como membro da missão soviética na ONU, onde administrava todo o trabalho de informações supervisionando agentes secretos.

Mais tarde, nos anos 1970, ele gerenciou o departamento de inteligência do “Conservatório” em Moscou. Em 1986, Polyakov foi preso. O Presidente Ronald Reagan intercedeu por ele junto a Mikhail Gorbachev infrutiferamente: Polyakov foi fuzilado. A agente Sandra Grimes da CIA, integrante da equipe que descobriu o espião duplo da casa Aldrich Ames, chamava Polyakov “nossa jóia da coroa” e a “melhor fonte que qualquer serviço de inteligência jamais tivera” (49).

O Coronel do GRU Oleg Penkovsky começou a trabalhar com a inteligência britânica nos anos 1960 e em poucos anos supriu o MI5 com mais de 5.000 documentos reservados copiados com uma minúscula câmera Minox. Penkovsky depositava os documentos em locais diferentes na grande Moscou, por exemplo, no Boulevard Tsvetnoy ou em Arbat no centro histórico da cidade. Certa vez, deixou um pacote no Cemitério Vagankovo escondido no túmulo do poeta Sergey Yesenin. Preso, foi fuzilado em 1962 (todavia, muitos acreditam que foi torturado e incinerado no forno do prédio do GRU). 

No início dos anos 1990, o Coronel Stanislav Lunev do GRU trabalhava na estação de Washington D.C. sob a cobertura de funcionário do birô da agência de notícias estatal ITAR-TASS. Depois de contatado pela CIA, Lunev decidiu ficar nos EEUU e mais tarde escreveu uma autobiografia com o título “Through the Eyes of the Enemy” (51), no qual alertava que agentes do GRU tinham instruções de lançar armas químicas e biológicas depositadas em lugares previamente demarcados no rio Potomac, visando envenenar a população de Washington D.C. no caso de guerra. Lunev disse estar convencido que especialistas do GRU teriam ocultado “suprimentos de veneno perto dos tributários dos maiores reservatórios de água dos EEUU”.

Alexander Kouzminov, desertor do Serviço de Inteligência do Ministério das Relações Exteriores da Rússia (SVR) confirmou esta informação, garantindo que ele mesmo havia transportado diferentes patógenos para a América no final dos anos 1980. O Coronel Sergey Skripal do GRU trabalhava na Espanha como adido militar. Em 1995, ele começou a cooperar com a inteligência britânica. Skripal supervisionava o departamento de pessoal do GRU na região e relacionava-se muito bem com a maioria dos oficiais de inteligência da agência. Ele fornecia ao MI5 informações sobre instalações militares russas secretas e abasteceu os britânicos com os primeiros dados sobre o Cosmódromo Plesetsk; originalmente destinado ao lançamento de ICBMs, tornou-se o local de lançamento de satélites.

Em 2006, Skripal foi preso e condenado a 13 anos de prisão.  Em 2010, ele e Alexander Zaporozhsky foram trocados por diversos agentes secretos russos detidos nos EEUU. Zaporozhsky se demitira do GRU em 1970 e imigrara com a família para os EEUU, onde se estabeleceu como consultor de corporações.  Logo após chegar à América passou a cooperar com a comunidade de inteligência americana, provendo informações acerca das atividades das agências de espionagem russas e de agentes de inteligência. Em 2001, seus antigos colegas convenceram-no a voltar para a Rússia, sendo preso logo que desceu no aeroporto de Moscou (52). Um pouco antes da sua prisão, comprou uma casa em Maryland, perto de Baltimore, por US$400,000. Sentenciado a 18 anos de reclusão, foi enviado de volta ao ocidente juntamente com Sergey Skripal em 2010.  Em Fevereiro de 2002, um policial viu o Coronel Alexander Sypachev do GRU entrar na embaixada americana em Moscou, reportando o fato aos seus superiores.

Sypachev foi imediatamente posto sob observação pelo FSB e não demorou muito para fazer contato com um agente americano em Khimki, nas cercanias de Moscou, que lhe pediu informações sobre espiões russos no exterior. Depois de obter os dados, Sypachev deixou o material num local perto da estação Studencheskaya do metrô de Moscou, onde agentes do FSB prontamente o prenderam. Na corte, disse que fez o que fez por dinheiro. Um ano antes do contato com o agente da inteligência americana Sypachev sofrera uma ação de divórcio vencida pela ex-mulher, que ficou com todos os bens incluindo seu apartamento. A corte sentenciou-o a oito anos de prisão (53).   
                         
Antigos e atuais graduados e operadores da área de inteligência da Rússia morreram e morrem sob circunstâncias misteriosas.  Serge Tretyakov, chefe da estação do SRV em Nova York até 2000, foi o oficial de inteligência russo mais graduado que espionou para os EEUU. Em meados dos anos 1990, ele começou a repassar documentos a agentes americanos em troca de pagamentos elevados. Não demorou muito para sua esposa desfilar com um carro esporte importado. Em 2000, Tretyakov recebeu asilo político na América. Oito anos depois, na promoção de um livro acerca da sua experiência como espião russo, Tretakov disse, “Eu sou o mais alto oficial de inteligência que trocou de lado. Se algo acontecer comigo, a Rússia será excluída da comunidade civilizada”. Um ano após, em 2010, ele morreu “engasgado” com um pedaço de carne num restaurante na Florida. Em 2009, o Vice Diretor do GRU Yuri Ivanov também morreu em circunstâncias misteriosas: ele estava na Síria em missão oficial quando seu corpo apareceu nu e lavado em uma vila turca. Entrementes, o oficial do SVR Evgeny Toporov, que residia no Canadá desde 2000, foi eletrocutado até a morte no box do banheiro em 2010.

Em 1992, o Vice Diretor do GRU morreu num acidente de trânsito suspeito. No ano seguinte, o chefe do Departamento de Inteligência da Frota do Pacífico morreu numa tragédia similar, colisão traseira por um veículo não identificado. Em 1996, outro comandante do GRU, Alexey Lomanov, foi colhido e morto por um carro desconhecido. Um ano depois, o Major General Victor Shilipov do GRU caiu, não se sabe como, do décimo quinto andar do seu prédio de apartamentos (54). Em 1999, o Major General Ivan Shalaev do GRU também morreu numa colisão traseira no seu carro, não esclarecida pela polícia de Moscou. Em 2000, a polícia encontrou o corpo de um Tenente Coronel do SVR com o pescoço quebrado.

Nos anos 2000, oficiais de inteligência russos passaram a ser assaltados e roubados quase constantemente (55). Em 2002, um agente do SVR foi assaltado e morto na rua DemyanBedny, Moscou. Um ano depois, homens mascarados e armados atacaram o oficial do SVR Coronel Alexander Poteyev em sua casa, agredindo-o e ao seu filho universitário violentamente antes de limparem a residência. (Este é o mesmo operador de inteligência que desertou depois para os EEUU e ajudou a desmascarar Anna Chapman – modelo e personalidade da mídia, espiã do SVR – e outros “ilegais”. Recentemente, BuzzFeed  (56) reportou que Poteyev ainda está vivo, apesar da TV estatal russa ter informado que ele havia morrido). 

Em 2003, pessoas não identificadas penetraram no escritório do SVR pelos dutos do ar condicionado e roubaram o laptop de um determinado agente. Um ano após, desconhecidos atacaram um agente do SVR na rua Uzumrudnaya, Moscou, roubando sua pasta com documentos. Em 2005, outro agente foi assaltado e roubado na rua e no mesmo ano o escritório do SVR foi novamente invadido, desta vez não pelos dutos do ar condicionado, mas por meio de um passe legítimo de um agente obtido sob suborno.

Em 2006, pessoas não identificadas furtaram um enorme cofre de uma casa camuflada do SVR. As agências de inteligência russas nutrem uma grande rivalidade, de modo que estes acontecimentos são altamente suspeitos, embora não surpreendam.  Conforme nota oficial, o Diretor do GRU Coronel General Igor Sergun morreu de um enfarte no dia 03 de Janeiro de 2016 na sua casa nos arredores de Moscou. Todavia, de acordo com a consultoria de inteligência e geopolítica  Stratfor,  Sergun morreu no dia 1º do Ano Novo no Líbano, talvez envenenado (57).    
                        
Na aposentadoria, a vida dos antigos operadores do GRU toma rumos distintos. Nos anos 1990 e começo dos anos 2000, ex-agentes do GRU tornaram-se integrantes do crime organizado. Em 1996, por exemplo, um antigo oficial plantou a bomba no Cemitério Kotlyakovskoya que matou quatorze pessoas de um grupo rival participando de um enterro (58). Aliciado pela gangue Orekhovskaya, outro antigo agente do GRU planejou matar o presidente da companhia “Russian Gold” (59), mas o comando de matadores chefiado por ele falhou. Alternativamente, raptou a filha do banqueiro, liberada após pagamento de alto resgate.

Em 2005, o Sargento Major Yuri Kolchin foi condenado por organizar e chefiar o assassinato da dissidente soviética e política russa Galina Starovoytova (60). Em 2015, agentes federais invadiram a casa de um antigo Coronel do GRU em Nizhny Novgorod (importante cidade à margem do rio Volga). Na garagem encontraram grande número de fuzis automáticos AK, fuzis de precisão Dragunov, duas metralhadoras leves, lançador de rojões RPG e uma pistola Makarov usada um ano antes para matar um importante homem de negócios de Moscou, conforme evidenciou a perícia.

A história do Coronel Vladimir Kvachkov é bastante conhecida. Preso por supostamente arquitetar o assassinato de Anatoly Chubais (importante político e homem de negócios, responsável pelo programa de privatizações durante o governo de Yeltsen) foi absolvido pelo júri. Preso novamente após ter sido liberado de uma prisão preventiva – desta vez por planejar uma revolta armada e atos de terrorismo – recebeu sentença de 13 anos de prisão. Após serem desmascarados ou decididos a deixar a comunidade de inteligência, muitos operativos empregam-se em corporações estatais. (O pessoal expulso dos EEUU em 2010, juntamente com Anna Chapmann, logo que chegaram à Rússia passaram a trabalhar como executivos na Transneft – monopólio estatal da distribuição de petróleo por oleodutos e na Rosneft – monopólio estatal de exploração de petróleo, gás e derivados) (61). Outros se tornaram burocratas do Estado. Mas, há casos bizarros.  
                        
No inicio dos anos 2000, Vladimir Frolov serviu como controller de Robert Hanssen, agindo como ligação entre operativos russos e o agente duplo americano que passou segredos para Moscou por mais de duas décadas (62). De acordo com um relatório do FBI em 2002 (63), as ações de Hanssen foram “possivelmente, o pior desastre da história da inteligência americana”. Ele vendeu milhares de documentos aos russos, instalou 22 câmeras discretas em locais estratégicos e repassou mais de 26 discos de computador com dados de programas secretos de Washington, de agentes duplos e sabe-se lá quanto mais (64). 

Frolov, um graduado do Instituto Militar do Ministério da Defesa (instituição que treina oficiais de inteligência russos), trabalhou como primeiro secretário da Embaixada russa em Washington, D.C. Em meados de março de 2001, Frolov deixou os EEUU inesperadamente, anunciando que trabalharia no Izvestia (o jornal imediatamente desmentiu) (65). 

No seu livro “The Deep State” (66), Mike Lofgren afirma que Frolov tentou recrutá-lo em 2000 quando trabalhava como analista no Comitê de Orçamento do Congresso americano.  De volta à Rússia, Frolov estabeleceu-se como respeitável especialista nas relações Rússia-EEUU, escrevendo artigos sobre espiões e troll factories. O New York Times acusou-o de ser um espião russo em 2001 (67), porém agora o trata como “proeminente especialista internacional”. Hoje em dia tem coluna regular no website Republic (68) nas quais advoga que agentes do SVR e do GRU vão normalizar as relações EEUU-Rússia (69) e prescreve medidas como expulsar diplomatas americanos da Rússia (70).

Frolov recusou-se a receber o correspondente do Meduza para contar sua história. Perguntado sobre seu alegado trabalho na área da inteligência tudo o que disse foi, “A primeira regra do Clube da Luta é não fale sobre o Clube da Luta”. Em artigo recente acerca dos agentes do GRU desmascarados pela Scotland Yard, acusados do envenenamento na Inglaterra do ex-agente do Serviço Coronel Skripal, Frolov, descaradamente, escreveu o seguinte: “Colegas jornalistas, vocês não podem expor a identidade de operadores ativos da inteligência russa trabalhando disfarçados. Esta informação é um segredo de Estado e sua exposição é uma ofensa criminosa” (71). Tudo leva a crer que nunca se desligou do GRU.                         
                        
Em 04 de Outubro de 2018, O Serviço Militar de Inteligência e Segurança da Holanda (MIVD) e o Ministério da Justiça do Reino Unido, num ato sem precedentes, revelaram as identidades de quatro cidadãos russos, acusando-os de oficiais da divisão de guerra eletrônica do GRU. Os quatro viajaram para a Holanda em Abril de 2018 com passaportes diplomáticos, dois dos quais com números consecutivos, onde tentaram invadir a rede da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) sediada em Haia, tentativa frustrada pela ação de técnicos e agentes holandeses e ingleses. Baseado nessas informações o site de investigações Bellingcat e seu associado russo The Insider iniciaram imediatamente uma averiguação para apurar se as identidades das pessoas envolvidas, fornecidas pelas autoridades holandesas, eram de fato autênticas (71). Pesquisando informações de diferentes bases de dados datadas de 2002 a 2014, o Bellingcat pode confirmar que as identidades eram reais, ao contrário dos codinomes empregados pelos envolvidos no caso do envenenamento de Skripal.


 
Foto de Aleksei Morenets, um dos quatro oficiais do GRU acusados, constante no passaporte diplomático divulgado pelas autoridades holandesas. Bellingcat
                                            
Os mesmos registros relativos a um dos quatro suspeitos indicavam que estava consignado como residente na Ulitsa Narodnogo Opolcheniya, 50, endereço de Moscou onde está situada a Academia Militar do Ministério de Defesa, popularmente conhecida como o “Conservatório” do GRU (cit.). No curso das pesquisas a respeito da autenticidade dos dados pessoais dos quatro indivíduos, Bellingcat localizou o nome de um dos quatro oficiais do GRU identificados pelo MIVD numa base de dados russa de proprietários de automóveis.

Em 2011, Aleksei Morenets constava como usuário/proprietário de um carro Lada (placas VAZ21093), identificado pelo número do seu passaporte. Coincidentemente, o veículo estava registrado na Komsomolsky Prospekt 20, endereço da Unidade Militar 26165 – que abriga o famigerado Instituto Central de pesquisas 85 (cit.), descrito pelo MIVD e pelo FBI como o departamento de guerra eletrônica do GRU. Pesquisando por outros automóveis registrados no mesmo endereço, Bellingcat conseguiu elaborar uma listagem de 305 pessoas que são usuários/proprietários de carros averbados no mesmo endereço. Os indivíduos têm idade entre 27 e 53 anos. A base de dados compreende seus nomes completos e números dos passaportes (todos têm passaporte), bem como, em muitos casos o número do telefone móvel. Além do endereço físico, a anotação especifica a Unidade Militar 26165.
                      
É a mesma unidade arrolada pelo Departamento de Justiça americano nas sanções anunciadas em 04 de Outubro de 2018 (cit.). Se estes 305 indivíduos – cujo nome real e dados pessoais estão disponíveis numa base de dados de registro de automóveis consultada pelo Bellingcat – são agentes ou, de qualquer forma afiliados à Unidade Militar 26165 do GRU e publicamente listados numa base de dados acessível, pode representar um dos maiores vazamentos de dados pessoais de oficiais de um serviço de inteligência na história recente.
                      
Em 22 de Novembro de 2018, nota oficial anunciava a morte do Coronel General Igor Korobov, após “prolongada doença”. No mesmo dia, o primeiro vice-diretor, o Vice Almirante Igor Kostukov, assumiu o Comando do GRU prestigiado pelas mais altas lideranças russas.  Especulações de todo o tipo logo surgiram no mundo inteiro a respeito da “súbita” morte de Korobov, mas, de modo geral, os principais meios de comunicação e serviços de informação concordaram com a notícia de que ele lutava há algum tempo contra um câncer. Em setembro de 2018, ele tivera uma longa audiência com o Presidente Putin, na qual, certamente, foram tratados temas no mínimo constrangedores, uma vez que o ano de 2018 foi desastroso para o Serviço transformado em centro de inúmeros escândalos.
             
            
Da esquerda para a direita:
General de Exército Valery Gerasimov – Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Federação Russa; Presidente Vladimir Putin; Sergey Shoigu – Ministro da Defesa;  e o Vice-Almirante Igor Kostiukov, o novo Diretor do GRU nos 100 anos do GRU (22/11/2018).
                         
Recapitulando: em Março, o antigo oficial do GRU Sergei Skripal e sua filha Yula foram envenenados na Inglaterra. A Primeira Ministra Theresa May afirmou que a Rússia era “altamente suspeita” de ter ordenado o atentado contra seu antigo agente (Moscou negou categoricamente seu envolvimento no incidente). De acordo com a versão oficial inglesa, Skripal foi envenenado por um agente mortífero que ataca o sistema nervoso denominado Novichok, desenvolvido na União Soviética entre 1971 e início dos anos 1990. No início de Setembro, os ingleses anunciaram os nomes dos alegados participantes no envenenamento – Alexander Petrov e Ruslan Boshirov. Londres informou serem eles agentes do GRU, atuando sob nomes falsos. 

Em Outubro, investigadores das edições online do The Insider, Bellingcat e do Conflict Intelligence Team (CIT) revelaram as identidades de Petrov e Boshirov. De acordo com os jornalistas investigativos, seus nomes verdadeiros são Anatoly Chepiga, Coronel do GRU e o Dr. Alexander Mishkin, Coronel médico militar da Marinha russa e agente do GRU, ambos condecorados com a medalha de Heróis Da Rússia, possivelmente por ações na Criméia e Ucrânia. Sabe-se que os dois deram proteção pessoal ao deposto ex-presidente da Ucrânia Victor Yanukovich, levando-o para a Rússia. O Kremlin não comentou esta informação, mas a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova, chamou essa investigação de “elucubração”.  
                          
Outra acusação contra o GRU foi feita em Julho. O Promotor Especial americano Robert Muller indiciou doze cidadãos russos considerados oficiais do GRU pelas autoridades americanas. Consoante o Departamento de Justiça dos EEUU, eles conspiraram para invadir os computadores de cidadãos e companhias envolvidas nas eleições presidenciais americanas. Em Março de 2016, eles raquearam as contas e registros do estafe de Hillary Clinton. Em outubro, as autoridades holandesas noticiaram a expulsão do país de vários russos suspeitos de tentar ataques cibernéticos aos servidores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW).

O Ministério da Defesa holandês informou os nomes dos alegados oficiais do GRU envolvidos – Aleksei Morenets, Yevgeny Serebryakov, Oleg Sotnikov e Alexey Minin. Em Novembro, investigadores do The Insider  e Bellingcat advertiram que haviam identificado um dos organizadores do fracassado golpe em Montenegro, conhecido como Vladimir Popov. Trata-se do agente do GRU Vladimir Moiseyev. Reportaram também que ele esteve envolvido na campanha separatista na Moldovia, ligada às ações separatistas na Donbass, leste ucraniano, bem como atuou com objetivos suspeitos na Polônia, Bulgária e Ucrânia.                         
                       
O que esperar do GRU após a morte de Korobov e o que se sabe sobre o novo Diretor? Kostyukov comandou diretamente as operações do GRU na Síria, uma atividade tão importante para Vladimir Putin, que sugere seu permanente contato com o Presidente. Dessa forma, sua nomeação não surpreende. Em 2017, ele foi agraciado com a condecoração de Herói da Rússia. Pouco se sabe sobre ele. Nasceu em 1961 na região de Armuz, no extremo leste da Rússia. É graduado pelo “Conservatório” e serviu como ataché militar na Itália para em seguida ingressar no Serviço Militar de Inteligência. Em dezembro de 2016, Kostyukov foi incluído nas sanções do governo americano por causa de “ações para minar a democracia nos Estados Unidos”. Em setembro de 2018, foi incluído em novas sanções por “ter interferido” nas eleições americanas de 2016. É um crítico ácido dos EEUU.  
                       
Em Abril de 2018, falando na VIIª Conferência da Segurança Internacional em Moscou, declarou que a administração de Donald Trump “tem como política o uso da força para obter primazias nos campos político e econômico”.   Chamou os grupos de forças-tarefas de porta-aviões da US Navy (Carrier Strike Group) e a aviação estratégica americana de instrumentos principais da política externa de Washington. “Nos seus manuais doutrinários a liderança americana, arrogantemente, advoga que as tendências das atividades no campo internacional e na economia global que não são favoráveis aos EEUU podem ser ajustadas mediante incremento do poder militar”. Em sua opinião essa estratégia está bem clara nos novos documentos doutrinários publicados por Washington em 2018 – National Security Strategy, National Defense Strategy e Nuclear Policy Review, nos quais os EEUU, pela primeira vez, classificam abertamente a Rússia e a China como rivais.

O vice-almirante afirmou que os EEUU estão formalizando alianças político-militares com o Japão, Coréia do Sul e Austrália, com o objetivo de tolher a China e Rússia na região Ásia-Pacífico. ”No sentido de criar condições para a projeção de força por meio do rápido deslocamento de tropas em qualquer lugar da região Ásia-Pacífico, os EEUU formaram um contingente de mais de 400.000 homens. Atualmente, há mais de 50 grandes bases militares operacionais na região e há mais de 200 instalações americanas no total”, finalizou Kostyukov (72).                                  
                      
Ele não terá muito tempo para se ocupar com os EEUU, pois sua missão fundamental será reconstruir o prestígio do Serviço de forma a readquirir a confiança das lideranças políticas russas. Além do mais, vai enfrentar a rivalidade e investida das outras duas Agências de informação russas – SVR do Ministério das Relações Exteriores e FSB, sucessor da KGB, que sonha em monopolizar a inteligência russa como ocorria ao tempo da União Soviética. Uma luta surda já está sendo travada.                            



NOTAS

(49) V. https://nsarchive2.gwu.edu//coldwar/interviews/episode-21/grimes1.html
(50) V. https://news.rambler.ru/world/37321250-predatel-oleg-penkovskiy-kak-ego-kaznili-na-samom-dele/
(51)https://www.amazon.com/Through-Eyes-Enemy-Autobiography-Stanislav/dp/0895263904
(52) V. https://www.kommersant.ru/doc/370783
(53) V. https://www.kommersant.ru/doc/364020
(54) V. https://www.kommersant.ru/doc/177274
(55) V. http://www.rosbalt.ru/moscow/2010/11/17/790924.html
(56) V. https://www.buzzfeednews.com/article/alexcampbell/alexander-poteyev-cia-vladimir-putin-russian-spy-undercover
(57) V. https://worldview.stratfor.com/article/mysterious-death-raises-questions-russia
(58) V. https://www.kommersant.ru/doc/427461
(59) V. https://www.kommersant.ru/doc/428807
(60) V. https://iz.ru/news/303848
(61) V. https://www.kommersant.ru/doc/1565851
(62) V. https://www.nytimes.com/2001/03/19/world/as-a-russian-hurries-home-washington-is-suspicious.html
(63) V. https://fas.org/irp/agency/doj/fbi/websterreport.html
(64) V. https://www.fbi.gov/file-repository/hanssen-affidavit.pdf/view
(65) V. https://www.newsru.com/russia/19Mar2001/frolov1.html
(66) V.    https://books.google.com.br/books?id=jPoWCAAAQBAJ&pg=PA90&lpg=PA90&dq=Mike+Lofgren+"frolov"&source=bl&ots=j9MT2lrmSu&sig=I60NArO7DF7c-_wVKZ5c8laJoRg&hl=en&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=Mike Lofgren "frolov"&f=false
(67) https://www.nytimes.com/2001/03/19/world/as-a-russian-hurries-home-washington-is-suspicious.html
(68) V. https://republic.ru/authors/100021
(69) V. https://republic.ru/posts/89348
(70) V. https://republic.ru/posts/85470
(71) V. https://www.bellingcat.com/author/bellingcat/
(72) V. https://republic.ru/posts/92226
(72)V.https://www.rbc.ru/politics/22/1/2018/5bf663419a794749ecda09f5?from=center_18
(73) V. https://www.bellingcat.com/news/2018/10/04/305-car-registrations-may-point-massive-gru-security-breach/

FONTES DE CONSULTA

https://www.omicsonline.org/defense-management.php
https://www.bellingcat.com/
https://informnapalm.org/ua/
https://www.reuters.com/article/us-britain-russia-gru-factbox/what-is-russias-gru-military-intelligence-agency-idUSKCN1MF1VK
https://meduza.io/
https://theins.ru/category/news
http://www.css.ethz.ch/en/publications/rad.html
https://militaryschooldirectory.com/latvia-national-defence-academy/
https://www.naa.mil.lv/en
http://www.ndc.nato.int/
https://www.iir.cz/
https://www.omicsonline.org/open-access/gru-obscure-part-of-russian-intelligence-2167-0374.1000105.php?aid=5233
https://topwar.ru/
https://www.ecfr.eu/
http://www.dia.mil/
https://carnegie.ru/?lang=en
https://www.raamoprusland.nl/dossiers/militair-beleid/1028-footprints-of-the-russian-military-intelligence-agency-gru-are-everywhere
https://remonews.com/how-a-five-day-war-with-georgia-allowed-russia-to-reassert-its-military-might/
https://www.ridl.io/en/new-boss-old-rules/
http://www.specnaz.ru/

Para mais informações a respeito da Inteligência Militar Russa.

America's hunt for Russian hackers How FBI agents tracked down four of the world's biggest cyber-criminals and brought them to trial in the U.S.

Moscow's cyber-defense How the Russian government plans to protect the country from the coming  cyberwar

‘It’s our time to serve the Motherland’ How Russia’s war in Georgia sparked Moscow’s modern-day recruitment of criminal hackers


Story by Daniil Turovsky, translation by Kevin Rothrock

Sources: Nikolai Pushkarev, “GRU. Vymysly i realnost” (GRU: Inventions and Reality); collected works, “Spetsnaz GRU: Pyatdesyat let istorii, dvadtsat let voiny” (GRU Spetsnaz: 50 Years of History, 20 Years of War); Viktor Suvorov, “Akvarium” (Aquarium); Anatoly Taras, “Podgotovka razvedchika: sistema spetsnaza GRU” (Preparing a Spy: The GRU Spetsnaz System); Leonid Shebarshin, “Ruka Moskvy: zapiski nachalnika sovetskoi razvedki” (The Hand of Moscow: Notes From a Soviet Intelligence Chief); Vasily Mitrokhin and Christopher Andrew, “The Sword and the Shield: The Mitrokhin Archive and the Secret History of the KGB”; Pete Earley, “Comrade J.: The Untold Secrets of Russia's Master Spy in America after the End of the Cold War”; and interviews with multiple intelligence agency senior officials.


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