COBERTURA ESPECIAL - PM - Segurança

06 de Janeiro, 2020 - 16:30 ( Brasília )

Maioria dos PMs de SP é branca e não tem curso superior de graduação

Um artigo que compõe a criação de imagem depreciativa da PMESP


Luís Adorno
Do UOL, em São Paulo
31 Dezembro 2019



Resumo da notícia
 

PM de SP tem 82.869 policiais na ativa atualmente

Do total, 64% são brancos e 36% negros ou pardos

No ano passado, porém, a cada 10 mortos pela PM, 6 eram negros ou pardos

Especialistas em segurança pública citam racismo cultural e seletividade da PM

69% dos PMs de SP têm curso tecnólogo

Dos quase 83 mil policiais militares do estado de São Paulo, quase dois terços (64%, 52.755 PMs) têm a cor de pele branca, segundo dados da corporação obtidos pela reportagem por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação). Do total do efetivo, 69% (57.911 policiais) têm curso de tecnólogo.

A Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) aponta que 63,9% dos habitantes paulistas se declaram brancos; 29,1%, pardos; 5,5%, pretos; 1,4%, amarelos; e 0,1%, indígenas. No conjunto dos demais estados, a população brasileira é majoritariamente parda ou preta (55,2%).

Seguindo a métrica da Seade, pode-se dizer que a corporação segue a mesma composição da população paulista, com 64% brancos e 34,6% negros ou pardos (29.675 PMs se declaram assim). A PM ainda tem 431 amarelos (0,5%) e 8 indígenas (0,009%).

Os dados, no entanto, contrastam com o percentual de pessoas pretas e pardas mortas pela PM paulista no ano passado. De acordo com o portal da transparência da SSP (Secretaria da Segurança Pública), no ano passado, 64% das pessoas mortas por PMs em decorrência de intervenção policial tinham a cor de pele negra ou parda. Ou seja, seis a cada dez.

"Reflexo do racismo estrutural"

A socióloga Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), diz que o efetivo da PM reflete o perfil populacional do estado. "Infelizmente, os números de mortos em intervenções policiais não se assemelham ao perfil populacional, mas são reflexo do racismo estrutural e da seletividade na atuação das polícias."

"Qualquer que seja o ano em análise, a maioria das vítimas de intervenções policiais com resultado morte são meninos negros, muito jovens, do sexo masculino. Uma seletividade que só se acentua com o crescimento da letalidade policial", afirma Samira, que é doutora em administração pública.

A opinião da socióloga se assemelha à do ouvidor da polícia de São Paulo, o sociólogo Benedito Mariano. "A letalidade policial não é aleatória. Ela atinge majoritariamente os jovens pobres e negros das periferias das cidades. Muitas vezes, a chamada 'fundada suspeita' se relaciona à cor da pele e às condições sociais das vítimas", diz.

Dados da Corregedoria da PM, também obtidos pela reportagem por meio da LAI, apontam que 759 pessoas foram mortas por PMs no estado entre janeiro e novembro deste ano (645 por policiais em serviço e 114 por PMs em folga). No ano passado inteiro, a PM matou 821 pessoas.

69% dos PMs não têm curso superior de graduação

Dos 82.869 policiais militares que estão na ativa em São Paulo, 57.911 (69%) têm apenas cursos tecnólogos. Outros 20.585 (25%) concluíram curso superior de graduação. Já 3.315 (4%) têm algum tipo de especialização, como pós-graduação. Outros 651 (0,7%) fazem mestrado ou doutorado, 331 (0,4%) são mestres e 76 (0,09%) são doutores. Apesar de o Ministério da Educação considerar os tecnólogos como cursos superiores, a Polícia Militar subdividiu seu efetivo dessa forma.

Os mais graduados são oficiais da PM (coronel, tenente-coronel, major, capitão, tenente, aluno e aspirante a oficial). Os que têm graduação inferior são praças (soldado, cabo, sargento e subtenente).

Do total do quadro de funcionários da PM paulista, atualmente os cargos estão subdivididos da seguinte maneira, segundo dados da corporação obtidos via LAI:

-   Coronel - 70

Tenente-coronel - 236

Major - 514

Capitão - 1.665

1º tenente - 2.057

2º tenente - 360

Aspirante a oficial - 3

Aluno oficial - 625

- Subtenente - 1.192

- 1º sargento - 4.720

2º sargento - 3.016

3º sargento - 2.487

Cabo - 35.613

Soldado - 23.041

Soldado de segunda classe - 7.270

Procurada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) se manifestou por meio da seguinte nota:

"A SSP esclarece que a contratação de policiais acontece por meio de concurso e obedece um rigoroso critério de seleção - com prova escrita, física e psicológica, sem distinção. O efetivo policial militar segue o que mostra o Censo de 2010, publicado pela Fundação Seade, que indica que 63,9% dos habitantes paulistas se declararam brancos, 29,1% pardos, 5,5% pretos, 1,4% amarelos e 0,1% indígenas.

Com relação aos casos de morte em decorrência de intervenção policial (MDIPs), todos são acompanhados, monitorados e analisados para constatar se a ação policial foi realmente legítima. No entanto, é importante ressaltar que a opção pelo confronto é sempre do criminoso. De janeiro a novembro deste ano, 209.775 pessoas foram presas e deste total 0,3% morreram ao confrontar a polícia durante o serviço. A maior parte acontece nos casos em que policiais atuam para impedir roubos, onde os criminosos estão armados, subjugando e colocando a vida de pessoas em risco."


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