COBERTURA ESPECIAL - Panorama Haiti - Defesa

27 de Setembro, 2017 - 10:00 ( Brasília )

O regresso militares marca o fim da participação do Brasil na MINUSTAH

Militares da FAB que faziam parte do contingente brasileiro no Haiti retornam ao País

Tenente Beatriz Kramer / Tenente Gabrielli


Na madrugada desta terça-feira (26/09), os militares da Força Aérea Brasileira (FAB) integrantes da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) desembarcaram na Ala 13, em São Paulo (SP).

O retorno do 26° Batalhão Brasileiro de Força de Paz (BRABAT) foi dividido em três voos nos quais foram transportados os 816 militares do Exército, da Marinha e da FAB que compunham a missão. Esse voo, que foi o último, trouxe a bordo também 72 militares da Companhia de Engenharia Paraguaia.

Os peacekeepers foram homenageados com uma solenidade militar presidida pelo Comandante Militar do Sudeste, General João Camilo Campos, e receberam os cumprimentos de diversas autoridades militares e civis.

O regresso do contingente marca o fim da participação do Brasil na MINUSTAH. Após 4 meses de missão, o Tenente João Lourenço Espolaor Neto fala sobre a experiência vivida no Haiti. "Foi uma emoção muito grande ter participado deste contingente, ainda mais por ser o último.

Tudo o que vivenciei agregou muito ao meu crescimento pessoal e profissional. Tive a oportunidade de comandar um pelotão num território hostil e de conhecer um povo que passa por reais necessidades, vendo de perto o que é miséria e pobreza", avalia.

Um dos desafios encarados pelos militares do último batalhão foi a passagem do Furacão Irma, que, classificado inicialmente como de categoria 5, devastou áreas do caribe e dos Estados Unidos. O Tenente Espolaor conta que o fenômeno atrasou o regresso da tropa. "Estávamos preparados para atuar em prol da população haitiana, mas graças a Deus não fomos atingidos", complementa.



Para os peacekeepers que retornam ao País, a sensação comum é de dever cumprido. "Nunca mais vou esquecer do Haiti. A missão foi incrível, entre ajudas humanitárias, patrulhas e furacões, vivemos de tudo um pouco. Trabalhar com os companheiros de todas as Forças, unidos pelo mesmo ideal, não tem preço", diz o Soldado José Gabriel Meritello do Carmo.

O Comandante da Ala 13, Coronel Aviador Kennedy Fernandes Ferreira, enfatizou que o sucesso do emprego da tropa da FAB no Haiti foi fruto de dedicação e preparo profissional. "Os militares que ora retornam dessa nobre missão são homens de Força Aérea testados em terreno hostil, fato este que impulsiona a instrução de nossas tropas com a força de seu exemplo prático", conclui.

MINUSTAH:Militares brasileiros retornam do Haiti¹

Após 13 anos de atuação na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH), militares da Marinha, do Exército e da Força Aérea começam a retornar para o Brasil. O primeiro voo oriundo do país caribenho aterrissou na Base Aérea de Guarulhos (SP), na madrugada deste sábado (23), com 204 integrantes do 26º Contingente Brasileiro de Força de Paz no Haiti (CONTBRAS), responsável por encerrar a Missão de Paz.

Ao desembarcarem no Brasil, os militares foram recebidos pelos comandantes do Comando Militar do Sudeste, general João Campos; da 12° Brigada de Infantaria Leve de Caçapava (SP), general Mário Fernandes; e da Ala 13 da Forca Aérea Brasileira, coronel Kennedy Fernandes.

“Me sinto muito orgulhoso de ter participado do 26° Batalhão Brasileiro de Força de Paz e ter estado nesse momento de desmobilização. Feliz também em poder reencontrar minha família, meus amigos e poder compartilhar com eles a felicidade de ter integrado essa Missão de Paz no Haiti”, comentou o capitão Kleber Gomes, capacete azul que chegou hoje ao Brasil.

Os militares do Batalhão Brasileiro de Força de Paz (BRABAT), provenientes das cidades de Lorena, Caçapava, Pindamonhangaba, Barueri, no Estado de São Paulo, e de Valença, no Rio de Janeiro, bem como da Companhia de Engenharia-BRAENGCOY, provenientes das diversas regiões do Brasil, antes do retorno para casa, permanecerão por dois dias nas organizações militares para realização de exames médicos.

Cessar

O processo de desmobilização foi iniciado no dia 31 de agosto, em Porto Príncipe, quando uma cerimônia marcou a despedida do Contingente Brasileiro (CONTBRAS) da MINUSTAH. Além desse primeiro voo, o restante da tropa chegará ao Brasil até o fim do mês de setembro, em mais três aeronaves, com cerca de 90% dos militares desembarcando no território nacional. A etapa final de desmobilização será concluída em 15 de outubro, quando se encerrarão as medidas de repatriação de pessoal e material.

“Somos muito agradecidos ao povo do Haiti, com o qual nós ganhamos laços de amizade que serão absolutamente permanentes. Tenho certeza que tenderão a ser ampliados, para o benefício de nossos dois países”, disse o ministro Jungmann ao participar da solenidade em Porto Príncipe.

Missão cumprida

O trabalho desenvolvido pelos 37,5 mil capacetes azuis no Haiti foi eficiente e relevante. A participação dos militares brasileiros é reconhecida pelo povo haitiano e por autoridades internacionais pela desenvoltura com que combinam funções militares, como o patrulhamento, com atividades sociais e de cunho humanitário.

O principal objetivo foi contribuir com o Componente Militar da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) na manutenção do ambiente seguro e estável no Haiti, apoiar as atividades de assistência humanitária e de fortalecimento das instituições nacionais e realizar operações militares de manutenção da paz na sua área de responsabilidade.

“A missão foi muito bem cumprida pelas Forças Armadas brasileiras, demonstrando profissionalismo e comprometimento como a manutenção da paz. Além de haver contribuído sobremaneira para a estabilização do Haiti ratificou a imagem extremamente positiva e de grande credibilidade que o Brasil possui junto às Nações Unidas e à comunidade internacional, pelos mais de 70 anos como contribuinte para a paz no mundo”, afirmou o subchefe de Operações de Paz do Ministério da Defesa, almirante Rogério Lage.

Os maiores desafios enfrentados pela tropa brasileira na MINUSTAH foram a pacificação de Cité Soleil no início da Missão, a atuação durante o terremoto em 2010 e durante o Furacão Matthew em 2016.

Desde 2004, além de ser o maior país contribuinte com tropa, o Brasil sempre teve um oficial-general como chefe do componente militar da missão. O último a desempenhar esta função está sendo o General Ajax Porto Pinheiro, atual Force Commander.

O encerramento da Missão se deu pelo 26º CONTBRAS, composto por 970 homens e mulheres, sendo 120 da Companhia de Engenharia do Exército Brasileiro e 850 do Batalhão Brasileiro, composto por 181 da Marinha, 639 do Exército e 30 da Força Aérea. Os militares, treinados durante seis meses, embarcaram para o Haiti em maio deste ano e desenvolveram suas atividades operacionais normais até o cessar das operações.

Com o fim da Missão de Paz, será ativada a Missão das Nações Unidas para Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH).

¹com Assessoria de Comunicação MD
Fotos: Soldado Siqueira/ Ala 13

 


VEJA MAIS