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31 de Agosto, 2017 - 02:00 ( Brasília )

HAITI Adieu – Casa Azul: da vitória ao desastre

A Casa Azul marca glória e tragédia da presença militar brasileira no Haiti






HAITI Adieu – Casa Azul, da vitória ao desastre
A Casa Azul marca glória e tragédia da presença militar brasileira no Haiti
Matéria Publicada 14 JAN 2010

 

Kaiser Konrad

 
A tomada por parte das forças de paz da ONU da Casa Azul, em Cité Soleil, marcou o início do processo de pacificação da capital haitiana, em 2007. À época, o Force Commander da Minustah, General-de-Brigada Carlos Alberto dos Santos Cruz, responsável pela ação, disse ao Defesanet que houve uma operação de grande magnitude com intensa confrontação. O planejamento inicial teve o objetivo de tomar dos criminosos o local. Para isso, foi realizada no dia 24 de janeiro uma operação que ficou conhecida por “Blue House”.
 
Este era um ponto extremamente importante pois além de consolidar toda a ocupação militar já feita em Cité Militaire, dominava a rodovia Nacional 1, que é uma importante via de acesso à cidade e à Cite Soleil. Sempre que as tropas da ONU passavam pelo local eram recebidas por tiros. Vinte e três trincheiras haviam sido cavadas para impedir a entrada de blindados no local. Tomar a Casa azul era estratégico. Durante mais de 15 dias após a realização dessa operação, as tropas da ONU receberam fogo direto e muitas vezes pesado quando passavam pela região.
 

A Casa Azul (Blue House) ponto forte de gangues tomada pelas Forças Brasileiras em fevereiro de 2007

 
Em 9 de fevereiro chegou a vez da Jauru Sudamericano, quando foi decidido ocupar toda área ao redor da Casa Azul, objetivando extinguir os criminosos, que eram profissionais, estavam preparados e bem posicionados, tendo uma quantidade enorme de armamento e prontos para receber as tropas da ONU. “Usamos todo o nosso pessoal disponível.



Operação Jauru Sudamericano

A maioria dos militares era do Batalhão Brasileiro e tínhamos uma Cia. de blindados M113 da Jordânia, além de tropas peruanas, chilenas, nepalesas, bolivianas, paraguaias e uruguaias realizando atividades específicas. O hospital argentino foi posto em alerta e seus helicópteros sobrevoavam o local transmitindo imagens. Uma operação com enorme complexidade e que resultou num grande sucesso”, disse o General Santos Cruz.
 
Após a retomada do prédio, que foi alvejado por centenas de tiros, os militares brasileiros reforçaram sua estrutura e o transformaram no Ponto Forte 22. O local se tornou o símbolo da pacificação do Haiti e do sucesso do comando brasileiro do componente militar da missão das Nações Unidas.

Quase três anos se passaram quando a Casa Azul retornou às manchetes, se tornando agora o símbolo da tragédia para os militares. Com o forte tremor de terra o prédio não resistiu e desabou, causando a morte de pelo menos 10 militares do Brasil.