04 de Junho, 2018 - 21:22 ( Brasília )

Pensamento

Comentário Gelio Fregapani - Petrobras e caminhoneiros



Assunto: Petrobras e caminhoneiros

 
O Governo atribui o lucro atual da Petrobras à sua política. Mentira. O lucro de R$ 6,9 bilhões obtido no primeiro trimestre de 2018 foi alcançado pela venda dos campos de Iara, Lapa e Carcará no valor de R$ 3,2 bilhões. Retirado este efeito não operacional, o lucro cai para R$ 3,7 bilhões, 16% inferior ao alcançado no primeiro trimestre de 2017 (R$ 4,4 bilhões).

O Diretor Pedro Parente retalhou a empresa para privatização. Seguiu a trilha aberta por Fernando Henrique ao lançar ações da Petrobrás na bolsa de Nova Iorque, submetendo a empresa à soberania norte-americana. Ações que valiam 100 bilhões de dólares foram vendidas por 5 bilhões e seu substituto provavelmente continuará na mesma linha.

Um governo brasileiro nacionalista recompraria as ações ou incentivaria a que fossem compradas por brasileiros para evitar um risco permanente de ter nossa empresa-base questionados na justiça de potências, as quais já assinalaram que intervirão militarmente quando for de seus interesses. Entretanto, nada podemos esperar deste Governo que tudo indica estar querendo a desnacionalização em benefício do estabelecimento financeiro internacional e do seu próprio.

Por que um brasileiro faria isto? Será por ideologia? –É difícil pensar nesta hipótese. Será por dinheiro? - É inacreditável, pois isto não duraria. Será que é por chantagem?- Quem sabe. Pode ser até que seja por terem alma de traidores, mas não podemos penetrar na mente dos que agem contra a própria Pátria.

Sabemos concisamente de algo: este governo não mudará a sua péssima conduta. Esperemos o próximo. 

Perdendo a oportunidade

O movimento dos caminhoneiros merece uma profunda reflexão: primeiramente examinemos o que eles pretendiam. Certamente queriam baixar o preço do diesel, sufocados que estavam pela administração dos preços que os prejudicava. Naturalmente queriam também, como quase todo o povo, acabar com as corrupções, que os corruptos fossem punidos e que o solo, as jazidas minerais e as empresas estratégicas continuassem nacionais, (ou voltassem a ser), o que não necessariamente significa ser estatal.

Apesar do movimento ser apartidário era evidente o apoio a uma intervenção militar; não que fosse desejada uma intervenção em si, mas sim como um meio de por ordem no caos político e interromper o desenfreado entreguismo da administração atual.

Claro, o pivô desse assunto só poderia ser a Petrobras, cuja maioria das ações já estava em mãos estrangeiras. FHC havia vendido grande quantidade da ações na bolsa de Nova Iorque com a promessa de manter o preço internacional do combustível no mercado interno do Brasil e como a Petrobras retira petróleo muito barato, com o preço do barril arranhando os 70 dólares e o dólar subindo o lucro estava simplesmente fabuloso.

Lamentavelmente esse lucro não seguia para completar as obras paralisadas e muito menos para pagar as dívidas da má administração anterior. Para essas despesas o “Parente” mentirosamente dizia ser necessário desinvestir, isto é vender ativos, de preferência os mais lucrativos. Os lucros estão reservados aos acionistas, na maioria do exterior.

O movimento foi razoavelmente civilizado e até respeitoso; houve menos incidentes do que qualquer outro movimento de vulto, mas jamais poderia conseguir o apoio popular, pois a mídia estava desinformando, se não estivesse em sintonia com as aspirações da população apesar do inequívoco prejuízo causado quer para a economia nacional quer  para a maior parte da população.

O fôlego do movimento era naturalmente limitado e o do Governo também, mas o caos que resultaria do prolongamento grevista tenderia a exigir uma temida intervenção militar e o Governo cedeu na reivindicação básica  para os caminhoneiros – diminuiu o preço do diesel mas Temer e seus auxiliares cuidaram de não tocar no lucro dos acionistas; para manter o lucro no patamar referido ao preço internacional darão um subsídio ao preço do diesel, mesmo que tenha que retirar as despesas de manutenção investimentos, em infraestrutura, educação, saúde e segurança. Naturalmente o setor da segurança nacional será o mais atingido.

Não é a toa que o eterno ministro Jungmann está levantando suspeitas de que haveria militares “infiltrados” organizando o movimento. Alegações típicas de comunista que é! Se qualquer militar de hierarquia tivesse aderido ao movimento a tropa inteira o seguiria do mesmo modo que aderiu à pequena tropa que baixara de Minas em 1964.

Em certo momento o movimento foi esvaziando. A mídia, regiamente paga, foi o elemento principal, dando ênfase a tudo que houvesse de ruim e o que era verdade, ao prejuízo para a economia nacional e para as dificuldades dos setores mais vulneráveis como os hospitais. Não satisfeita, especialmente a Globo, procurou revolver as antigas feridas do período do Governo Militar, ocultando os aspectos positivos da ordem, da segurança, do pleno emprego e do desenvolvimento como ocultou os aspectos positivos do movimento.

Vale assinalar que haveria um grande interesse do PT em fazer anarquia para haver intervenção de modo a impedir as eleições de outubro, onde ele mesmo espera uma retumbante derrota.

A mídia foi o principal instrumento, mas quem venceu?- Os caminhoneiros? – Não, certamente ganharam os entreguistas. Quem lucrou (?) – os acionistas estrangeiros e seu establishment  financeiro. Quem perdeu?- O Brasil.

Mas afinal era necessária uma intervenção militar ou ao menos seria conveniente agora? Indispensável não foi. Com todos os prejuízos que aconteceram e os que ainda acontecerão nos meses que restam ao governo entreguista o Brasil sobreviveu e sobreviverá.

Teria sido conveniente uma intervenção? – Até certo ponto e em certos assuntos sim. Sem interferir nos aspectos gerais do Governo, as Forças Armadas poderiam bem ter ”vetado” certos assuntos como a desnacionalização da Petrobras ou a liberação de bandidos já condenados.

A simples ameaça de intervenção maior conseguiria o que for urgente e desejado pela população quase sem dor. Perdeu-se uma oportunidade que não volta da mesma forma, pois a credibilidade das Forças Armadas não é mais a mesma.

Que Deus nos ajude a manter a esperança

Gelio Fregapani


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