COBERTURA ESPECIAL - Pacífico - Geopolítica

30 de Agosto, 2017 - 10:20 ( Brasília )

Coreia do Norte diz que lançamento de míssil foi primeiro passo de ação militar no Pacífico


A Coreia do Norte disse que lançou um míssil balístico de alcance intermediário nesta semana para se contrapor aos exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, e que o lançamento foi o primeiro passo de uma ação militar no Pacífico para “conter” o território norte-americano de Guam.

O líder norte-coreano, Kim Jong Un, ordenou que o lançamento fosse conduzido pela primeira vez da capital, Pyongyang, e disse que mais exercícios tendo o Pacífico como alvo são necessários, relatou a agência de notícias estatal KCNA nesta quarta-feira.

“O atual exercício de lançamento de míssil balístico como uma guerra real é o primeiro passo da operação do EPC (Exército Popular da Coreia) no Pacífico e um prelúdio significativo para conter Guam”, disse Kim, segundo a KCNA.

Neste mês Pyongyang ameaçou disparar quatro mísseis no mar próximo de Guam, que abriga uma grande presença militar norte-americana, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a Coreia do Norte enfrentaria “fúria e fogo” se ameaçasse seu país.

Em um comunicado, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) disse na terça-feira ser de “vital importância” que a Coreia do Norte adote ações imediatas e concretas para reduzir as tensões e pediu que todos os Estados implantem as sanções da ONU.

Mas o comunicado esboçado pelos EUA, que foi aceito por consenso, não ameaça a adoção de novas sanções contra o regime norte-coreano.

Diplomatas disseram que a China e a Rússia, que têm poder de veto no Conselho, normalmente só veem um teste de míssil de longo alcance ou de uma arma nuclear como gatilho para possíveis sanções adicionais.

Os embaixadores chinês e russo na ONU disseram se opor a quaisquer sanções unilaterais contra a Coreia do Norte e reiteraram pedidos para a suspensão da instalação de um sistema de defesa de mísseis dos EUA na Coreia do Sul.

“Eu certamente espero que sejamos capazes de ter uma resolução forte na sequência deste... comunicado”, disse o embaixador japonês na ONU, Koro Bessho, aos repórteres após a reunião.

Falando em Pequim, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, disse que sua nação está debatendo a situação com outros membros do Conselho e que dará uma “resposta necessária” baseada no consenso obtido. A China é a única grande aliada da Coreia do Norte.

Mensagem de míssil da Coreia do Norte sobre Japão foi recebida em “alto e bom som”, diz Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou nesta terça-feira que todas as opções estão na mesa para os EUA responderem ao lançamento de um míssil balístico da Coreia do Norte ao mar sobre a ilha japonesa de Hokkaido em uma nova exibição de força.

O teste de míssil aumentou ainda mais as tensões no leste da Ásia, à medida que forças norte-americanas e sul-coreanas realizavam exercícios militares na península coreana, irritando Pyongyang, que enxerga jogos de guerra como uma preparação para invasão.

A Coreia do Norte realizou dezenas de testes de mísseis balísticos sob comando de seu líder, Kim Jong Un, em desafio às sanções da Organização das Nações Unidas, mas disparo de projéteis sobre solo japonês é raro.

Trump, que prometeu não deixar a Coreia do Norte desenvolver mísseis nucleares capazes de atingir solo norte-americano, disse que o mundo recebeu em “alto e bom som” a mensagem mais recente da Coreia do Norte.

“Ações ameaçadoras e desestabilizadoras só aumentam o isolamento do regime norte-coreano na região e entre todas as nações do mundo. Todas as opções estão na mesa”, disse Trump em comunicado.

Trump e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, conversaram e concordaram que a Coreia do Norte “apresenta uma grave e crescente ameaça direta” aos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, informou a Casa Branca.

Investidores optaram por ativos seguros após o disparo do míssil.

O dólar caiu para seu mínimo em mais de 2 anos e meio contra uma série de grandes moedas, mas depois se recuperou, enquanto títulos de referência de 10 anos do Tesouro dos EUA caíram e o preço do ouro atingiu um ápice de mais de nove meses. Ações norte-americanas se recuperaram de uma abertura acentuadamente menor.

Alcance intermediário

Avaliações iniciais indicam que o míssil norte-coreano era um míssil balístico de alcance intermediário, informou o Pentágono em comunicado. Duas autoridades norte-americanas disseram aparentar ter sido um KN-17, ou Hwasong-12.

O líder norte-coreano Kim comandou o lançamento de seu míssil de alcance intermediário Hwasong-12 na segunda-feira, terça-feira no horário local, em um treino para conter os exercícios conjuntos de forças sul-coreanas e norte-americanas, relatou nesta terça-feira a agência de notícias oficial da Coreia do Norte, KCNA.

“O atual exercício de lançamento de foguete balístico como uma guerra real é o primeiro passo da operação militar do Exército Popular da Coreia no Pacífico e um prelúdio significativo para conter Guam”, disse Kim, segundo a KCNA.

O porta-voz do Pentágono, o coronel Robert Manning, disse que diplomacia ainda é a opção de preferência de Washington para Pyongyang.

A Coreia do Norte expressou desafio.

“Os EUA deveriam saber que não podem intimidar a RDPC com quaisquer sanções econômicas e ameaças militares e chantagens ou fazer a RDPC recuar do caminho escolhido por si mesma”, disse a autoridade da Coreia do Norte Rodong Sinmun, usando as iniciais do nome oficial do país, República Democrática Popular da Coreia.

A Coreia do Norte promete não abandonar seu programa de armas, dizendo ser necessário para conter hostilidade dos EUA e seus aliados.

Os EUA disseram antes que todas as opções, incluindo militares, estão na mesa, embora tenha preferência por uma solução diplomática.

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Coreia do Norte lança míssil intermediário para conter exercícios de EUA e Coreia do Sul


O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, liderou o lançamento do míssil balístico de médio alcance Hwasong-12 nesta terça-feira em um exercício para conter os exercícios militares conjuntos de Estados Unidos e Coreia do Sul, informou na quarta-feira (horário local) a agência norte-coreana oficial de notícias KCNA.

“O atual foguete balístico lançado em exercício como uma guerra real é o primeiro passo da operação militar da KPA (Forças Armadas norte-coreanas) no Pacífico e um prelúdio significativo para conter Guam”, disse Kim, segundo a KCNA.

A Coreia do Norte ameaçou disparar quatro mísseis Hwasong-12 para o mar perto do território dos EUA no Pacífico em Guam neste mês, depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que a Coreia do Norte enfrentaria “fogo e fúria” se ameaçasse os Estados Unidos.

Conselho de Segurança da ONU condena lançamento de míssil "ultrajante" da Coreia do Norte

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas condenou nesta terça-feira o lançamento de um míssil balístico pela Coreia do Norte como uma ameaça “ultrajante” e exigiu que Pyongyang não dispare mais mísseis e abandone todas as armas e programas nucleares.

Em um comunicado, o Conselho de Segurança de 15 membros disse que é de “importância vital” que a Coreia do Norte tome medidas concretas e imediatas para reduzir as tensões e pediu a todos os Estados que implementem as sanções das Nações Unidas contra Pyongyang.

O conselho também expressou “seu compromisso com uma solução pacífica, diplomática e política”.

No entanto, a declaração que foi esboçada por Estados Unidos, acordada por consenso, não ameaça novas sanções à Coreia do Norte.

Os diplomatas dizem que os membros do conselho China e Rússia, com poder de veto, normalmente veem só um teste de míssil de longo alcance ou uma arma nuclear como um gatilho para possíveis sanções da ONU.

O Conselho de Segurança impôs no início deste mês novas sanções à Coreia do Norte por unanimidade, que pode reduzir em um terço a receita anual de exportação de 3 bilhões de dólares do país asiático, depois do lançamento de dois mísseis de longo alcance em julho.

A Coreia do Norte está sob sanções da ONU desde 2006 por causa de seus mísseis balísticos e programa nuclear.


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