COBERTURA ESPECIAL - Nuclear - Tecnologia

05 de Agosto, 2019 - 10:00 ( Brasília )

Como a Suíça desmonta sua primeira usina atômica


A contagem regressiva já começou. Dentro de cerca de 150 dias, a Suíça irá, pela primeira vez, desligar permanentemente uma das suas centrais nucleares. Os trabalhos de desmantelamento terão então início, com uma duração prevista de 15 anos.

Esta é uma operação de rotina, mas... O desligamento definitivo da central de Mühleberg da rede energética não é realmente uma dor de cabeça para a Companhia Energética Bernesas (BKW, na sigla em alemão), a empresa de eletricidade que a opera. Afinal, todos os anos, as instalações são desligadas para trabalhos de inspeção.

Uma vez que não será produzida eletricidade, a desmontagem e desmantelamento dos equipamentos utilizados exclusivamente para este fim, tais como turbinas, geradores e condensadores, podem começar imediatamente após o fim das atividades. A casa das máquinas será então preparada para o desmantelamento, a descontaminação e o acondicionamento dos equipamentos desmontados.

O desafio começa em 2020

Quando o reator for desligado, a central nuclear estará nas mesmas condições que durante a revisão anual. No entanto, a tampa do recipiente do reator pressurizado permanecerá fechada por mais três meses. Durante este período, a radioatividade será reduzida mil vezes em relação ao nível de operação.

Em seguida, o núcleo do reator, seu elemento combustível, será extraído. Tal como acontece com uma revisão anual, as peças do reator serão transferidas para um tanque de refrigeração separado e armazenadas durante vários anos para que a radiação possa ser reduzida.

98% de radioatividade a menos

Até 2024, todos os elementos combustíveis serão transferidos para o local de armazenagem intermediária de resíduos altamente radioativos em Würenlingen, cantão de Aargau (Argóvia). Segundo o operador, 98% da radioatividade da usina de Mühleberg será dissipada.

Tudo o que restar no edifício do reator será controlado remotamente e depois desmantelado debaixo de água. Toda a parte nuclear da central será desmontada até 2030.

6.000 toneladas de detritos radioativos jogados nas profundezas da terra

Milhares de toneladas de material terão de ser submetidas a um teste de radioatividade, trituradas e selecionadas. O equipamento será dividido em três partes: resíduos radioativos, equipamento que deve ser descontaminado e limpo, e equipamento reciclável limpo.

No total, 6.000 toneladas de material (menos de 2% de todos os resíduos) serão preparadas como resíduos radioativos para eliminação em depósitos geológicos profundos. Os restantes 98% (200 000 toneladas) serão reciclados ou eliminados como resíduos de construção.

Até se provar que já não existe uma fonte radioativa perigosa no local, o desmantelamento será supervisionado pela Inspeção Federal de Segurança Nuclear.

Retorno à normalidade em 2034

De 2030 a 2034, os edifícios não necessários serão demolidos. A partir de 2034, a área poderá ser utilizada para outros fins e a situação voltará ao normal, como era em 1967, quando a usina foi construída.


swissinfo.ch/ets


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