07 de Novembro, 2019 - 09:50 ( Brasília )

Militares do Esquadrão HU-1 partem para a 38ª Operação Antártica


No dia 25 de outubro, o Destacamento Aéreo Embarcado e as duas aeronaves UH-13 Esquilo que farão a 38ª Operação Antártica se despediram da Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia, em cerimônia com a presença do Comandante da Força Aeronaval e de familiares e amigos dos militares envolvidos na missão.

Operando a partir do Navio de Apoio Oceanográfico “Ary Rongel”, os helicópteros prestarão apoio logístico ao Grupo Base da Estação Antártica Comandante Ferraz e às atividades científicas desenvolvidas naquela região, no âmbito do Programa Antártico Brasileiro.

Após 32 anos ininterruptos participando da OPERANTAR, esta será a última realizada pelas aeronaves UH-13 Esquilo. Os helicópteros de emprego geral serão substituídos pelo modelo H-135 T3, designados “UH-17” na Marinha do Brasil.

Navio Polar “Almirante Maximiano” realizada primeira visita ao Porto de Punta Arenas, Chile, durante a 38ª Operação Antártica



Entre os dias 25 e 28 de outubro, durante a 38ª Operação “Antártica”, o Navio Polar “Almirante Maximiano” atracou no porto de Punta Arenas, Chile, a fim de realizar reabastecimento e o embarque de pessoal com destino à Estação Antártica Comandante Ferraz.

Após a atracação, foram recebidos a bordo o Cônsul Honorário do Brasil em Punta Arenas, Mario Babaic; o Adido de Defesa e Naval no Chile, Capitão de Mar e Guerra Alexandre Taumaturgo Pavoni; e o Oficial às Ordens da Armada do Chile, Capitán de Fragata Juan Pablo Villanueva Alvarez de Toledo.

Ainda no dia 25 de outubro, o Comandante do Navio, Capitão de Mar e Guerra João Candido Marques Dias, acompanhado do Cônsul e do Adido de Defesa e Naval, realizou visita protocolar ao Comandante em Chefe da Terceira Zona Naval da Armada do Chile, Contra-Almirante Ronald Baasch Barberis.

A parada na cidade de Punta Arenas oferece aos “navios vermelhos” um importante ponto de apoio logístico, proporcionando, ainda, a espera da janela meteorológica para atravessar o Estreito de Drake, região conhecida por seus mares bravios.

No dia 28 de outubro, o navio suspendeu de Punta Arenas em direção ao continente antártico, tendo navegado pelos estreitos austrais, incluindo o famoso e importante Canal de Beagle.

Brasileiros pesquisam as riquezas da Antártica Antártica tem a maior quantidade de água doce do planeta¹



A Estação Brasileira Comandante Ferraz na Antártica coloca o país num seleto grupo de nações que tem o direito de explorar e decidir o futuro do continente gelado num trabalho de cooperação internacional. O destino da região foi decidido pelo Tratado Antártico assinado em 1961.

O acordo definiu que só quem desenvolvesse pesquisas no solo Antártico poderia definir as regras de ocupação de um dos locais mais desconhecidos do planeta. Desde 1975 o Brasil participa do Tratado Antártico e em 1984 inaugurou uma estação de pesquisa na região.

O continente de gelo com uma área de 14,5 milhões de quilômetros quadrados, quase o dobro do território brasileiro, é o mais afastado de todos e o menos conhecido. Mas informações apuradas por cientistas revelaram que a Antártica tem a maior quantidade de água doce do planeta, armazenando 70% das reservas mundiais.

Com icebergs imensos, a Antártica também reúne 90% do gelo da Terra. Em relação aos recursos minerais e energéticos não existe um cálculo exato, mas já foram localizados petróleo, gás natural e ouro debaixo das camadas de gelo.

A Antártica tem ainda uma importância fundamental para a regulação do clima no planeta. A região controla as circulações oceânicas e atmosféricas de todo o mundo.

Para entender melhor como funcionam estes efeitos, pesquisadores das Universidades Federais da Bahia e de Pernambuco estão a bordo do Navio Polar Brasileiro Almirante Maximiano.

Enquanto navegam eles coletam dados para descobrir o impacto das correntes marítimas da Antártica no clima brasileiro. Para o vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Moacyr Araújo, o trabalho vai ajudar a entender os efeitos das mudanças climáticas. “A ideia é descobrir quais são os efeitos das trocas de gases entre oceano e atmosfera para ter uma melhor previsão do que vai ocorrer no futuro”, explica.

Um trabalho, que de acordo com o pesquisador, seria impossível sem o apoio das Forças Armadas Federal. “Acho que é fundamental o apoio da Marinha e da Aeronáutica porque resolve todo o problema de logística numa região tão hostil como a Antártica”, ressalta.

Nos últimos dez anos, o governo federal investiu R$ 500 milhões no Programa Antártico Brasileiro (Proantar) que promove o desenvolvimento científico na região. O programa também é responsável pela avaliação dos impactos ambientais das atividades brasileiras na Antártica para garantir o cumprimento de normas internacionais.

O contra-almirante Sérgio Guida, gerente do programa brasileiro na Antártica, diz que o trabalho brasileiro na região é uma lição do Brasil para o mundo.



ÚLTIMAS

MAIS LIDAS