10 de Abril, 2017 - 21:00 ( Brasília )

35 ª OPERANTAR - Navios da Marinha do Brasil retornam do continente Antártico

Os navios iniciaram a 35ª. Operação Antártica – OPERANTAR, no início do mês de outubro de 2016.



Carlos César Reis de Oliveira
Licenciado em História pela Pontifícia Universidade Católica do RS – PUCRS (1991). Fez o Curso de Estudos de Política e Estratégia - CEPE, realizado pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerras – ADESG/RS em parceria com a PUCRS (1998). Foi agraciado com a medalha de “Amigo da Marinha” (1996).


O Navio da Apoio Oceanográfico (NApOc) “Ary Rongel” H-44 e o Navio Polar (NPo) “Almirante Maximiano” H-41 chegaram ao porto da cidade de Rio Grande na manhã de quarta-feira (05/ABR/2017). Esta é a penúltima fase da atual viagem ao continente antártico. Que terá o seu término com a chegada de ambos os navios na sua base, prevista para 11ABR2017, no Rio de Janeiro.

Os navios iniciaram a 35ª. Operação Antártica – OPERANTAR, no início do mês de outubro de 2016. Quando partiram da Arsenal da Marinha, que fica localizado na ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Sendo que nesta fase inicial fizeram uma escala técnica obrigatória na cidade de Rio Grande.




O Navio da Apoio Oceanográfico (NApOc) “Ary Rongel” H-44, entra no porto de Rio Grande. Foto - Carlos Cesar / DefesaNet


O NApOc “Ary Rongel”, que em sua 23ª. viagem ao continente branco é comandado pelo Capitão de Mar e Guerra Nilo Gonçalves de Souza, atracou em Rio Grande no dia 13/OUT e partiu em 18/OUT. Após ter sido abastecido e carregado com 4 toneladas de equipamentos. A bordo ele transportava além da tripulação, mais 15 militares do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro - AMRJ, que tem como missão atuar no trabalho de reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz – EACF.

Já NPo “Almirante Maximiano”, realizando sua 8ª. viagem e comandando pelo Capitão de Mar e Guerra Carlos André Coronha Macedo, atracou no porto de Rio Grande na noite de 17/OUT. Vindo a partir no meio da tarde de 19/OUT. Após ter sido carregado com 29 toneladas de equipamentos. E levando a bordo, além da tripulação mais 32 pesquisadores brasileiros.

É importante ressaltarmos que a cidade de Rio Grande é estratégica para o Programa Antártico Brasileiro. Não só por que nela fica o último porto marítimo de nossa costa. Como também por que lá esta localizada a Estação de Apoio Antártico – ESANTAR. Administrada pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG, e que desde 1983 é responsável por garantir o apoio logístico a todas as missões oficiais brasileiras destinadas a pesquisa no continente antártico. Por ela passam todas as roupas e os materiais necessários a manutenção da EACF, dos abrigos e refúgios utilizados pelos pesquisadores a cada ano. Sendo que após o término de cada expedição de verão. Parte do material retorna a ESANTAR para ser revisado e preparado para a próxima missão.

Neste ano a 35ª. Operação Antártica Brasileira tinha como missão não só dar o apoio aos pesquisadores, como também auxiliar na nova fase de reconstrução da EACF e realizar os trabalhos de desmonte e remoção da aeronave de transporte Lockheed C-130H, da Força Aérea Brasileira. Matrícula 2470, de origem italiana e que fora modernizada após ter sido comprada pelo Brasil.

Que se encontrava acidentada na Base Aérea Chilena “Presidente Eduardo Frei”, desde 27/NOV/2014. Quando ao aterrizar tocou com a ponta da asa no solo e danificou um de seus motores. Como a base chilena fica na ilha do Rei George, em área sob jurisdição do Tratado Antártico. Sua remoção era necessária como meio de evitar a poluição do local. Seguindo as normas de procedimentos definidas pelo Tratado de Madri.





Navio Polar (NPo) “Almirante Maximiano” H-41 entra no porto da cidade de Rio Grande, na manhã de quarta-feira, 05/ABR/2017. Foto Carlos Cesar / DefesaNet

Neste ano os navios brasileiros fizeram escalas nas cidades de Punta Arenas, no Chile e Montevidéu, no Uruguai. A primeira parada ocorreu na cidade de Punta Arenas, no período entre Natal e Ano Novo. Posteriormente foi constatada outra visita, de ambos os navios, ocorrida em 14/MAR/2017. Sendo que finalmente a escala em Montevidéu realizou-se entre os dias 29/MAR e 03/ABR. Já na viagem de retorno ao Brasil.

O primeiro navio a entra na barra do Rio Grande foi o NApOc “Ary Rongel” H44, por volta das 07:30. Na manhã cinzenta e sem vento, o que chamou a atenção, do navio, foi o ronco de seu motor. Que nesta missão de quase seis meses, foi exigido ao máximo. Tendo pouquíssimos períodos em que pode ser desligado. Em virtude dos risco e perigos constantes que o ambiente polar apresenta a segurança de todo e qualquer navio. Tendo de estar sempre alerta e pronto para responder a qualquer ameaça que se apresente. Isto explica, também, o fato de durante toda a viagem de retorno, o NApOC “Ary Robgel” er navegado sempre atrás do NPo “Almirante Maximiano”. Embora possua, segundo os manuais técnicos, sua velocidade seja maior do que a do NPo “Almirante Maximiano”.

A entrada do NPo “Almirante Maximiano”, na barra do Rio Grande, ocorreu em seguida, às 07:42. Navegando um pouco mais devagar, com o objetivo de dar tempo para a atracação do NApOc “Ary Rongel”, no cais público do Porto Novo. Este navio, mais novo e maior, possui uma estrutura mais adequada para acomodar os pesquisadores e seus trabalhos de pesquisa. Já que possui cinco laboratórios. Ao invés de dois do NApOc “Ary Robgel”. Outra  vantagem muito importante, agora para a Marinha do Brasil. Diz respeito ao hangar fechado instalado no navio. O que possibilita recolher as aeronaves Esquilo bimotor empregadas nas Operações Antárticas. Com isto além da aeronave ficar mais bem protegida da intempérie. Fica possível realizar sua manutenção a qualquer hora, com maior conforto e segurança.

Agora, após concluir a descarga do material em Rio Grande. A próxima fase da viagem de ambos os navios será o retorno para sua base, no Rio de Janeiro. Propiciando não só o descanso de homens e das máquinas. Como o início dos preparativos da próxima Operação Antártica. E a revisão total dos navios. Peça importante do Programa Antártico Brasileiro. Sem o qual sua escala e grandeza seriam em muito limitadas.