COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

22 de Setembro, 2017 - 10:40 ( Brasília )

Favela da Rocinha, no Rio, tem quinto dia de guerra entre traficantes

Após desencontro de afirmações, foi anunciada ajuda das Forças Armadas. Mas Pezão e Jungmann não explicaram como vai se dar a participação.

Esta quinta-feira (21) foi o quinto dia seguido de terror na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. E depois das declarações desencontradas da quarta-feira (20), nesta quinta o governador Luiz Fernando Pezão, e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disseram que as Forças Armadas vão ajudar na segurança do Rio. Só não explicaram como.

O governador do Rio e o ministro da Defesa lado a lado. A imagem e o pronunciamento em conjunto podem até dar a ideia de que a falta de comunicação entre o estado e o governo federal chegou ao fim. Mas em quatro minutos e 26 segundos de fala nenhum dos dois deu detalhes de como a polícia e as Forças Armadas vão trabalhar juntas.

“Quero agradecer muito ao ministro Raul Jungmann. Afinamos a nossa viola, como se diz aqui, ele falou em discutirmos as relações e acertamos aí os próximos passos”, disse Pezão.

Os próximos passos são mais um anúncio do que pode acontecer.

“Vamos ter outras operações a serem realizadas aqui no estado, junto com as forças de segurança, unidas”, completou o governador.

“As operações em conjunto seguirão normalmente, naturalmente, em breve vocês vão ter notícias de novas operações”, afirmou o ministro Raul Jungmann.

Na noite de quarta-feira, depois de o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, chegar a dizer que, por enquanto, a ajuda das tropas federais não era necessária, a secretaria de segurança anunciou que estava pedindo o reforço.

A mensagem numa rede social dizia que seria encaminhado um ofício solicitando a atuação das Forças Armadas em 103 pontos da região metropolitana.

O ministro da Defesa disse inicialmente que negaria o pedido porque o acordo de ajuda ao Rio não prevê que as tropas federais façam patrulhamento ostensivo. Depois, Raul Jungmann afirmou que ia aguardar o pedido para decidir.

No pronunciamento nesta quinta, ao lado do governador, o ministro disse que ainda não tinha recebido.

“No caso especifico da solicitação que o governador nos fez recentemente de pontos para serem patrulhados, ele está concluindo este trabalho e, assim que nós recebermos, vamos analisar com toda boa vontade. É isso que tinha a dizer, muito obrigado, até uma próxima”.

O Rio tem registrado casos graves de violência praticamente todos os dias. Desde domingo (17), duas facções de traficantes disputam o controle da venda de drogas na Rocinha. Os moradores enfrentam uma guerra na porta de casa.

Pelo quarto dia seguido a polícia fez operações na favela. Os policias apreenderam quatro fuzis, granadas e drogas.

O motorista de um caminhão que fazia uma entrega na Rocinha disse que foi obrigado a levar um bandido ferido para o hospital dentro da caçamba.

“Em frente ao endereço da entrega saiu dez bandidos fortemente armados com o comparsa deles todo cheio de tiro. A primeira coisa que eles falaram pra gente foi: pega nosso amigo e leva pro hospital agora”, contou o motorista.

O motorista conseguiu avisar um grupo de policiais e o bandido ferido foi preso.

“É triste, né, sensação de fraqueza ver aqueles caras armados sem poder fazer nada. Pensei que ia morrer na hora”.

Na tarde desta quinta, houve mais tiroteios na comunidade. Quase duas mil crianças não puderam ir à escola.



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