COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Segurança

15 de Maio, 2017 - 16:00 ( Brasília )

Operação Potiguar II

Análise da ação MOUT, das Forças Armadas, no Espírito Santo no início de 2017.


Ten Cel Marcello Venicius Mota Linhares
Publicado E-Blog

 

Após uma série de ataques a meios de transporte e instalações públicas nas cidades de Natal, Parnamirim, Macau, Caicó e Parelhas, que geraram sensação de insegurança por parte da população, o Governador do Estado do Rio Grande do Norte solicitou ao Presidente da República o emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem, na Região Metropolitana do Município de Natal.

No dia 14 de janeiro de 2017, integrantes da organização criminosa "Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte" atacaram membros do "Primeiro Comando da Capital" no interior do Presídio Estadual de Alcaçuz (PEA), com a morte de 26 detentos. Tal fato gerou a transferência de presos do PEA para presídios de segurança máxima localizados em outros Estados, revoltando os detentos e culminando em ações criminosas.

O Presidente da República autorizou o emprego das tropas federais por meio de Decreto Presidencial, de 9 de janeiro de 2017. Como consequência, houve o acionamento da Força-Tarefa (FT) Guararapes, por parte do Comando Militar do Nordeste (CMNE).

Coube à 7ª Brigada de Infantaria Motorizada (7ª Bda Inf Mtz), "Brigada Felipe Camarão", comandada pelo General de Brigada JAYME OCTÁVIO DE ALEXANDRE QUEIROZ, a responsabilidade de assumir o comando da FT Guararapes e de desencadear a Operação Potiguar II. Para isso, contou com tropas de cinco Estados: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, totalizando 1.850 militares, sendo cerca de 1.650 do Exército Brasileiro, 140 da Marinha do Brasil e 60 da Força Aérea Brasileira.

A operação ocorreu, inicialmente, no período de 20 a 30 de janeiro e foi prorrogada, também por meio de Decreto Presidencial, até o dia 4 de fevereiro de 2017. Após os ataques ao Presídio de Alcaçuz, a 7ª Bda Inf Mtz iniciou seus estudos, fruto da possibilidade de emprego. Foram intensificadas as atividades de inteligência, estreitados os contatos com os Órgãos de Segurança Pública (OSP) Estaduais e realizados os estudos logísticos necessários.

Com a assinatura do Decreto Presidencial, os estudos converteram-se em ações. Iniciou-se a concentração logística, atividade complexa e de grande envergadura. As tropas foram deslocadas para Natal, levando viaturas, armamento, munição, combustível, alimentação e todos os meios necessários para bem cumprir a missão imposta pelo Ministro da Defesa: "preservar a ordem pública e assegurar a integridade das pessoas e do patrimônio na Região Metropolitana da Cidade de Natal".

Em um prazo aproximado de 48 horas, todos os militares já estavam reunidos nos quartéis da capital potiguar, em condições de serem empregados em prol da segurança dos cidadãos norte - rio - grandenses.

Ao atuarem nos Estados Federativos do Brasil, em atividades de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), por determinação do Presidente da República, as Forças Armadas, amparadas em lei, exercem o Controle Operacional da Área de Operações. Esse controle permite que o Comandante da Área de Operações determine tarefas específicas de segurança aos OSP federais, estaduais e municipais, permitindo que todos trabalhem de forma coordenada, segura e com o máximo de sinergia.

Foram 16 dias de atividades intensas, oportunidade em que os militares conseguiram restabelecer o clima de paz e tranquilidade na região. Ao todo, aconteceram mais de 3.300 operações, entre patrulhamento fluvial, a pé e motorizado, revista de pessoas e de veículos, patrulha fluvial, operações aeromóveis, escoltas, controle de pontos estáticos e apoio nas ações dos órgãos estaduais de segurança pública.

Durante os dias da "Operação Potiguar II", seguindo regime de trabalho de 24 horas diárias, foram guardadas 296 áreas de interesse, instalados 710 pontos estáticos, 139 pontos de segurança, 20 pontos de bloqueio de estradas e 44 pontos de controle de vias urbanas. Foram realizadas 635 patrulhas a pé, 1.964 motorizadas, 12 fluviais e seis aéreas, além de 28 escoltas e 54 ações de reconhecimento.

Todas as ações da Operação Potiguar II tiveram como condição fundamental a proteção da vida humana. Isso ficou bem caracterizado pelo fato de não ter havido nenhuma morte em consequência das missões cumpridas pela tropa.

Um ponto que chamou a atenção dos militares, ao transitarem pelas ruas da Grande Natal durante os 16 dias, foi o sentimento de gratidão e, principalmente, de confiança da população pelo trabalho das Forças Armadas. Em todos os momentos, o povo agradecia aos soldados por meio de palavras, frases de incentivo e sorrisos.

Para os militares, essas demonstrações de carinho, apreço e confiança serviram de motivação para continuarem trabalhando, com entusiasmo, durante todo o período da operação. Essa percepção de confiança e de gratidão foi confirmada nas redes sociais, por meio de comentários no Twitter, Facebook e Instagram.

Podemos considerar que a Operação Potiguar II foi um sucesso e um exemplo de Operação Conjunta e Interagências. Grande parte das ações de segurança foi realizada de forma integrada entre as Forças Armadas e os Órgãos de Segurança Pública, em particular a Polícia Militar do Rio Grande do Norte, o que proporcionou resultados significativos em tão curto espaço de tempo.

O sucesso das ações de segurança desempenhadas pelas Forças Armadas tem íntima relação com a preparação, o adestramento e a expertise adquiridos nos grandes eventos de que participaram, desde os Jogos Pan-Americanos de 2007, sediados no Rio de Janeiro. Eventos como:

- Jogos Mundiais Militares (2011);
- Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20, em 2012);
- Jornada Mundial da Juventude (2013);
- Copa das Confederações (2013);
- Copa do Mundo (2014), e os,
- Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.


Todos eles ocorridos no Brasil, contaram com a participação efetiva das Forças Armadas, em particular do Exército, que pôde provar sua dedicação, seu profissionalismo e seu compromisso com o País.

No Rio Grande do Norte, diante de um cenário de instabilidade, as Forças Armadas demonstraram, mais uma vez, sua capacidade de pronta resposta, ao atuarem em operações de Garantia da Lei e da Ordem, ressaltando a disponibilidade permanente de todos os integrantes e o ideal maior de bem servir à Pátria.



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