COBERTURA ESPECIAL - Especial MOUT - Defesa

30 de Junho, 2015 - 12:35 ( Brasília )

Ocupação das Forças Armadas no Complexo da Maré acaba hoje



Alexandre Gonzaga
Assessoria de Comunicação Social (Ascom)
Ministério da Defesa

 

A partir desta terça-feira (30), 2,5 mil militares das Forças Armadas (500 homens do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha e 2 mil do Exército Brasileiro) passarão o comando da Força de Pacificação (Operação São Francisco) do Complexo da Maré para a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, dando prosseguimento ao processo de resgatar a paz na região.

Após 14 meses de ocupação, as Forças Armadas, em atuação conjunta com o poder público, deixam um legado para desarticular facções criminosas e alavancar as condições de cidadania para uma população composta por 140 mil pessoas que habitam na Maré.

Segundo dados da Chefia de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (ECMFA) do Ministério da Defesa, até a última quarta-feira (24), as tropas federais realizaram a prisão de 553 adultos e a detenção de 254 menores de idade. Além disso, foram feitas 550 apreensões de drogas e 58 de armas e mais 3.884 munições recolhidas.

Houve, ainda, a apreensão de 60 veículos, 89 motos e outros 436 materiais diversos. Foram abertos 106 autos de prisões em flagrantes e realizadas 121 detenções por crime militar.

De acordo com o chefe do EMCFA, general José Carlos De Nardi, os militares desempenharam a missão com bravura, sempre respeitando os direitos da população local e criando condições para a retomada da área pelas organizações de segurança pública do Rio de Janeiro. "Apesar das dificuldades e óbices próprios da Operação São Francisco, no Complexo da Maré, o esforço das Forças Armadas contribuiu para melhorar a segurança pública no Rio de Janeiro."

Durante a Operação, foram mobilizados, em um só momento, até 3,3 mil militares. A Força de Pacificação fez uso intensivo de viaturas blindadas para o patrulhamento da área. A Aeronáutica realizou o transporte de pessoal, equipamentos e material de diversas regiões do país para atender às necessidades operacionais da tropa.

A Força Aérea Brasileira (FAB) também colocou em atividade o seu Sistema Aéreo Remotamente Tripulado (SARP), que empregou um vant. Em certas ocasiões, foram utilizadas até 300 viaturas em apoio a missões.

Para os militares, a ocupação da Maré é considerada um conflito moderno. Uma guerra irregular, sem fronteiras, com inimigo difuso.

Legado

Outro grande avanço que contribuiu para a redução da violência no Complexo foi o auxílio do Disque-Pacificação. Com o serviço telefônico, as tropas contaram com o apoio da comunidade, que repassou cerca de 3 mil informações que contribuíram para prisões de criminosos.

Também em parceria com órgãos governamentais, entre eles, a Justiça Itinerante, foram realizadas ações cívico-sociais como casamentos, registros, emissão de documentos, além da regularização do recolhimento de lixo, a retirada de centenas de carcaças de veículos de locais públicos e desobstrução de ruas.

Essas ações estão permitindo a circulação dentro da Maré, a construção de escolas e projetos de melhorias no esgotamento sanitário. A Força de Pacificação realizou 12 ações sociais, totalizando aproximadamente 13 mil atendimentos.

Desde o início da Operação São Francisco, em abril de 2014, a taxa anual de homicídios na região da Maré caiu de 21,29 para 5,33 mortes por 100 mil habitantes.
 

Operação São Francisco

As Forças Armadas foram autorizadas a entrar no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, a partir do dia 5 de abril de 2014, em apoio às forças de segurança pública estaduais.

Na época, a diretriz ministerial nº 9 orientou o emprego das tropas em missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), conforme pedido feito pelo, então, governador Sergio Cabral.

O processo de retirada dos homens da Marinha e do Exército teve início no dia 1º de abril deste ano, com término em 30 de junho.

Por determinação da Presidência da República e atendendo à solicitação do governo do Estado do Rio de Janeiro, a Operação São Francisco foi prorrogada por mais quatro vezes.

A área na qual as forças militares foram empregadas, no Complexo da Maré, ficou restrita especificamente nas comunidades: Praia de Ramos, Parque Roquete Pinto, Parque União, Parque Rubens Vaz, Nova Holanda, Parque Maré, Conjunto Nova Maré, Baixa do Sapateiro, Morro do Timbau, Bento Ribeiro Dantas, Vila dos Pinheiros, Conjunto Pinheiros, Conjunto Novo Pinheiro – Salsa & Merengue, Vila do João e Conjunto Esperança.

 



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