COBERTURA ESPECIAL - Aço - Leopard 1A5Br - Terrestre

22 de Janeiro, 2019 - 13:00 ( Brasília )

Alemanha x Estados Unidos - A Batalha dos Carros de Combate no Brasil

Comitiva irá à Alemanha incentivar que novo blindado anfíbio da KMW seja fabricado em Santa Maria. Singapura na disputa.

Nelson During
Editor-Chefe DefesaNet


Uma batalha vinha ocorrendo nos bastidores e veio à tona agora com o governo Bolsonaro. Trata-se da Batalha do Carros e Combate tendo o alemão Leopard como oponente o americano M-1 Abrams.

O alinhamento do governo Bolsonaro, com a política americana, teria a garantia de um pacote de venda de equipamentos excedentes, via o sistema FMS, que incluiria entre outros carros de combate M-1 Abrams, equipado com o canhão de 105 mm, similar ao do Leopard1 A5Br operado pelo Exécito Brasileiro.

As ações são várias e em vários fronts. DefesaNet traz as movimentações dos competidores.

Ação Indireta

A empresa alemã KMW tradicional fabricante de carros de combate, entre os quais os Leopard 1 e 2, tem uma unidade na cidade de Santa Maria, a . A planta tem a missão de dar apoio logístico à frota de mais  de 250 viaturas Blindadas Carros de Combate Leopard1A5Br, incluindo as versões especializadas, em operação no Exército Brasileiro.

Na véspera da troca de comando do Exército uma comitiva esteve no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília (10JAN2019), e procurou garantir o apoio do Governo Federal para atrair o investimento alemão.

Comitiva da cidade de Santa Matia no Itamaraty. Foto - PMSM


Comitiva de Santa Maria manteve contato com diferentes setores do Ministério de Relações Exteriores, incluindo os assessores Luis Fernando Machado e Guilherme Raicoski, que receberam, entre outras autoridades:

- Prefeito Santa Maria, Jorge Pozzobom;
- Diretor da KMW no Brasil, Christian Boege;
- Empresário Carlos Costabeber;
- Reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Paulo Burmann;

- Presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Santa Maria (Cacism), Rodrigo Decimo, e o,
- Senador eleito Luis Carlos Heinze.

Na ocasião, o chefe do Executivo Municipal ressaltou que a produção de um novo blindado em Santa Maria garantirá injeção de recursos no Município, emprego, renda e, ainda, ampliação da empresa na cidade.

“Santa Maria é, reconhecidamente, um polo de defesa nacional. Atrair este investimento é uma prioridade neste momento, pois vai garantir diferentes benefícios para a cidade”, disse o prefeito Pozzobom.

Caso o Município seja o escolhido para a fabricação do novo modelo da KMW - Singapura também está na disputa – exportará os veículos para diferentes países do mundo.

Conter o Governo Merkel e a Pressão Americana

A movimentação da comunidade de Santa Maria tem o apoio do Embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, que em  entrevista, após a audiência com o presidente em exercício  Hamilton Mourão, 21JAN2019, afirmou que há uma opinião crítica sobre o Brasil no exterior, desde a vitória do presidente Jair Bolsonaro.





Embaixador da República Federal da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, verificando o Blindado Guarani, durante a visita à guarnição Militar de Santa Mari, outubro 2018. Foto - 3ª DE


O Embaixador Witschel tenta conter as críticas, do governo da Chanceler Merkel ao Brasil, e manter os canais abertos na área militar. Em especial motivar o governo Brasileiro a não aceitar as ofertas americanas de equipamentos militares excedentes, como os Carros de Combate M1 Abrams/105, Helicópteros de ataque, entre outros.

Aconselhado pelo então Comandante do Exército General Eduardo Villas Boas, o Embaixador  visitou em outubro de 2018, a cidade de Santa Maria e o complexo militar da região, onde estão as principais unidades blindadas do Exército Brasileiro,  que operam o Leopard 1A5Br, assim como a KMW do Brasil Sistemas de Defesa Ltda.



O Gen Ex Pujol, então comandante do Comando Militar do Sul (CMS), discursa na inauguração da KMW do Brasil Sistemas de Defesa Ltda., em Santa Maria, 09MAR2016. Ao fundo um carro Gepard 35 mm. Foto DefesaNet

"Há uma preocupação em partes da nossa sociedade. O que nós queremos é cooperar e medir o novo governo segundo os atos e fatos, não por tuítes e palavras ditas durante a campanha eleitoral”, afirmou o Embaixador Witschel, em entrevista à Folha de São Paulo (ver box abaixo).

Caso o Município seja o escolhido para a fabricação do novo modelo blindado anfíbio da KMW, Singapura também está na disputa, exportará os veículos para diferentes países do mundo,  motivaria o Exército Brasileiro a investir em uma viatura carro de combate, que sucederá ao Leopard 1A5Br, para operar no Brasil e mais adaptado ao Teatro de Operações continental.

A Alemanha não tem mais Carros de Combate Leopard 2 nas reservas para ceder, chegou a ter 1.800,nos anos 80, hoje reduzidos a 250. Em dezembro de 2018 a Hungria adquiriu um lote de 44 Leopard 2A7+ novos.   



Folha de São Paulo
22JAN2019

Exterior está apreensivo com Brasil sob Bolsonaro, diz embaixador alemão

Para diplomata, governo brasileiro deveria mostrar que vai manter políticas de direitos humanos.

Gustavo Uribe
Brasília

O embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, disse nesta segunda-feira (21JAN2019) que há uma opinião crítica sobre o país no exterior desde a vitória do presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista, após encontro com o vice-presidente Hamilton Mourão, o diplomata disse que há uma espécie de apreensão em países estrangeiros sobre a possibilidade da situação do Brasil se deteriorar.



"Geralmente, há um certo nervosismo que a situação pode deteriorar, e que a luta pela mudança do clima pode ser encerrada. Não acho que isso reflete a verdade, mas há uma opinião critica", disse.

Para o embaixador, essa reputação "meio errada" precisa ser melhorada e o novo governo deve explicar melhor as suas intenções, demonstrando que haverá continuidade em políticas de direitos humanos e de preservação do meio ambiente.
"Há uma preocupação em partes da nossa sociedade. O que nós queremos é cooperar e medir o novo governo segundo os atos e fatos, não por tuítes e palavras ditas durante a campanha eleitoral”, afirmou.

Durante a campanha, Bolsonaro disse que poderia retirar o Brasil do Acordo de Paris, que estabelece metas de redução da emissão de gases causadores do efeito estufa.

Em entrevista recente à Folha, contudo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o país deve permanecer na iniciativa, mas que o mundo também precisa respeitar a autonomia do país para estabelecer suas políticas ambientais.

O novo governo acompanhou os Estados Unidos e oficializou no início do ano a retirada do Pacto Global de Migração, um conjunto de diretrizes visando a colaboração em questões migratórias.

No final do ano passado, o embaixador francês nos Estados Unidos, Gérard Araud, ironizou declaração de Bolsonaro de que a vida na França havia se tornado "simplesmente insuportável" por causa da imigração.

"63.880 homicídios no Brasil em 2017, 825 na França. Sem comentários", escreveu em uma rede social.


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