04 de Dezembro, 2016 - 18:00 ( Brasília )

Inteligência

EXCLUSIVO - Como Fidel Castro financiou a sua Ditadura

Em matéria exclusiva de Edgar Otálvora como Fidel Castro Financiou sua Ditadura. Com simpatizantes da ideologia e com muito charme do CUBANEO.


Por Edgar C. Otálvora
Especial para DefesaNet

@ecotalvora


O regime cubano estabelecido por Fidel Castro sobreviveu financiado por conta de seus ativos geoestratégicos, ou seja, a proximidade física com os EUA, mas, essencialmente graças à capacidade do regime para converter simpatias em dólar.

O jornalista norte-americano Jon Lee Anderson, que teve acesso especial ao mundo de esquerda latino-americana, escreveu em artigo para a BBC após o anúncio da morte de Castro que "em um país onde "viver a história" é uma máxima, “Fidel Castro foi um excelente contador de histórias, o mais astuto de todos".  

Anderson acrescenta, que "nem mesmo os soviéticos foram salvos dos "cubaneo (feitiço)", de Castro, uma expressão, que significa, basicamente, enfeitiçar um estrangeiro com palavras sedutoras e apelo sexual para convencê-lo a fazer o que quiser."

O desejado petróleo venezuelano

As relações de Fidel Castro com a Venezuela foram desde, que chegou ao poder, em 1959, de uma intensidade particular. Sua primeira viagem ao exterior foi para Caracas, onde um governo de transição dirigia o país após a queda da Ditadura Militar, em 23JAN1958. No momento da visita de Castro a Caracas, o líder social-democrata Romulo Betancourt era o primeiro presidente eleito da fase da democracia, que foi inaugurada na Venezuela.

Na visita de Castro, três semanas após o início do novo governo (25JAN1959), ocorreu uma reunião entre Betancourt e Castro, em Caracas, seria a primeira e única que iriam realizar os líderes dos dois projetos políticos que nasceram na América Latina em meio à Guerra Fria entre os EUA e a URSS.

Castro aspirava construir uma aliança política com Betancourt a "aplicar um golpe de mestre nos gringos”. Cuba buscava o financiamento necessário, em dinheiro ou petróleo, para avançar seu plano, que permitiria ao país quebrar a dependência de vendas de açúcar para os EUA. Castro pediu que Betancourt lhe concedesse um crédito de US$ 300 milhões para "começar a fazer a revolução." O montante solicitado é equivalente a US$ 1,9 Bilhão, nos valores de 2011. Não estava nos planos de Betancourt enfrentar os EUA e muito menos, através das mãos do cubano barbudo.

Em abril de 1959, Castro visitou Brasília, foi recebido por Juscelino Kubitschek e, em seguida, foi a Buenos Aires, onde foi recebido por Arturo Frondizi. Foi um momento em que o líder de Cuba era bem recebido pelos governos de várias matizes, da direita à esquerda, Todos o recebiam com curiosidade da novidade do que está na moda e é pouco conhecido. O fracasso de sua primeira viagem para a Venezuela nunca será esquecido por Castro.

De Cuba começa o apoio sistemático para a esquerda venezuelana declarar insurreição armada para derrubar a jovem democracia. A guerrilha nunca foi uma escolha real do poder na Venezuela, o "cubaneo" não tinha trabalhado com Betancourt, em 1959, mas seria uma das armas de Castro para colocar as mãos nos recursos públicos da Venezuela quarenta anos mais tarde, quando o país elegeu um presidente, um excelente “cuentero” (não há palavra em português para tradução, mas colocamos: demagogo, vigarista, populista, etc) .
 
Financiamento de uma ditadura

A ditadura cubana sobreviveu no início com a destruição progressiva da riqueza acumulada em Cuba, durante vários séculos, com a exploração de mão de obra barata dos seus habitantes, e também basicamente com a venda de seu principal ativo, a localização nas imediações da costa leste dos EUA.

Para Moscou no início da década, os irmãos Castro representavam uma maneira relativamente barata de ter um posto avançado, próximo do solo americano, mas um parceiro indisciplinado no cenário mundial. Substituindo os EUA como comprador de açúcar e fornecedor de petróleo à pequena economia insular, e equipá-lo com armas defensivas, foram basicamente os termos dos primeiros acordos de Castro com império soviético.

Especialista afirmam que com o passar dos anos, Cuba se tornou um dreno caro e um desperdício de recursos afirmaram os soviéticos. De armas aos sucos de frutas, a URSS era responsável pelo fornecimento da despensa cubana.

Em meados dos anos setenta, os cubanos se queixavam da falta de desodorante nas lojas: um burocrata russo, obviamente, tinha esquecido de colocar o produto na lista de discussão com os irmãos Castro. Durante décadas, Cuba recebeu grátis petróleo de Moscou, às vezes até bruto da Venezuela, graças a uma triangulação entre a URSS, Espanha e Venezuela.

Parte da ajuda do petróleo soviético foi revendido por Cuba, provavelmente, em segredo de Moscou. Castro aplicou a mesma receita com o petróleo, que Hugo Chávez, começou a fornecer-lhe a partir de 2000.

Em 1989, com financiamento da URSS chegando ao fim, Castro apelou aos governos de Carlos Andrés Perez (Venezuela) e Carlos Salinas de Gortari (México), para ser formado sob esquema "Acordo de San José", onde Venezuela e México venderiam petróleo à Cuba, em condições favoráveis.

Para Perez e Salinas, acompanhado agora pelo colombiano Cesar Gaviria, Castro prometeu o início de uma abertura política em Cuba, quando recebia o mesmo pedido desde Moscou, onde ele florescei a “glasnost” e “perestroika”.

Castro não aceitou as condições de Moscou e de Caracas. Cuba não conseguiu petróleo barato nem da Venezuela ou México, mas Castro, mais uma vez mostrou sua "cubaneo" e tirou Salinas um empréstimo, obviamente impagável, cujo valor atualizado em 2015, totalizava US$ 487 milhões e foi devidamente perdoada pelo atual presidente Enrique Peña Nieto.

O modelo de Fidel para financiar seu regime tornou-se evidente nos últimos anos, na medida em que dezenas de governos interessados ??em ativar a sua presença comercial em Cuba, tem a necessidade de cancelar legalmente dívidas antigas do regime cubano.

Quando o cordão umbilical com a União Soviética, que alimentava Cuba rompeu-se, Castro tinha uma dívida atualizada, em 2000, de mais de US$ 30 Bilhões.

Em sua tentativa de reconstruir o império russo em todo o mundo, os estrategistas militares russos pensam Cuba (e agora Nicarágua) como. Em 2000, Putin viajou para Cuba para restabelecer as relações e uma das questões em cima da mesa era consolidar e renegociar a dívida que Castro manteve não só com a Rússia, mas também com meia dúzia de governos desmembrado da União Soviética. Castro não deu muito ouvidos a Putin, sobre o pagamento dessa dívida.

Finalmente, em 2014 a Rússia perdoou a dívida de Cuba da era soviética. Agora Castro estava com a mesa limpa para iniciar uma nova era de aliança militar e comercial com os atuais donos do poder em Moscou. Sobre a dívida de Castro com a China comunista, totalmente perdoada em Setembro de 2016, nesta os mandarins preferiram nem mesmo divulgar o valor.
 
Mas Castro não só viveu de seus aliados ideológicos Euro- Asiáticos. No início do século, Cuba devia cerca de um bilhão de dólares à Argentina, que remonta a empréstimos concedidos pelos governos do peronista de esquerda Hector Campora e o neoliberal peronista Carlos Menem.  A Argentina forneceu oficialmente um crédito à Cuba, nos anos setenta, foi justificado como um mecanismo para exportar veículos para a ilha. Desde 2003, com a chegada de Kirchner ao poder, os aliados de Cuba na Argentina começaram a pressionar para o perdão da dívida.

A mesma coisa aconteceu no pequeno Uruguai, onde em 2015, proposto pelo governo de esquerdista Pepe Mujica, o país perdoou uma dívida de Cuba de US$ 32 milhões, existente desde 1986. Os europeus, ansiosos para acreditarem em uma abertura política cubana, trabalharam para aliviar as dívidas de Castro. Em 2015 o Clube de Paris perdoou US$ 4 Bilhões. O preço pago pela Espanha, pelo PP com o governo Rajoy, de se aproximar de Cuba.

O governo Rajoy perdoou dois bilhões de dólares no início de 2016, concordando que o resto da dívida será transformada em investimentos em Cuba.

 O Japão, enquanto isso, perdoou a ilha, em 2015, do pagamento de um bilhão de dólares. Décadas de insolvência cubana de repente foram esquecidos.

A era da castrochavismo

O acordo com Hugo Chavez assinado por Fidel Castro, em 30OUT2000 abriu as portas para o petróleo venezuelano, que começou a financiar a ditadura cubana. Petróleo abundante, barata, quase dado de presente, que inicialmente seria pago com serviços médicos cubanos para a Venezuela.

Esses termos do acordo duraram um curto período de tempo: os cubanos preferiram receber o petróleo e cobrar em pelos seus vários "serviços". O governo de Chávez começou a comprar de Cuba serviços de inteligência, treinamento esportivo, serviços de saúde, aconselhamento militar, a intermediação para a compra de alimentos ou equipamento médico, e o serviço de registro de pessoas organização e emissão de passaporte. Após a chegada de Evo Morales ao governo na Bolívia em 2006, Cuba começou a oferecer, entre outros serviços doutrinação-alfabetização pagos pela Venezuela.

A chegada de Lula da Silva ao poder no Brasil em 2003 significou uma nova mina de recursos para o regime cubano. Lula, um aliado incondicional dos irmãos Castro. O governo Lula concedeu condições preferenciais de financiamento para a construção de um dos projetos estratégicos entre as reformas econômicas promovidas pelo governo cubano: a adequação do porto de Mariel para receber navios de grande porte tipo Post-PANAMAX e uma zona industrial adjacente.
 
Para compensar a redução e incerteza do fluxo de recursos com a crise da Venezuela o Governo Dilma Rousseff iniciou o Programa Mais Médicos (PMM), criado em Julho de 2013. Praticamente era a venda de mão de obra por parte de Cuba.
 
Junto com ação dos médicos foram identificados ações de inteligência e também propaganda política  por grupos de cubanos participantes do PMM.
 
O Foro de São Paulo

Fundado em 1990 por Lula e Fidel Castro em São Paulo. Após o fracasso do "Acordo de San José", em 1989, e o fim da União Soviética, havia a necessidade ter uma organização de apoio e angariar simpatias e também, mas especialmente, procurar oportunidades de financiamento para Cuba.
 
“O “Foro de São Paulo é a mais vasta organização política que já existiu na América Latina e, sem dúvida, uma das maiores do mundo. Dele participam todos os governantes esquerdistas do continente. Mas não é uma organização de esquerda como outra qualquer. Ele reúne mais de uma centena de partidos legais e várias organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e à indústria dos sequestros, como as FARC e o MIR chileno, todas empenhadas numa articulação estratégica comum e na busca de vantagens mútuas.” (Olavo de Carvalho - O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota).
 
O Foro de São Paulo permanece ativo e gera dividendos econômicos para Cuba.
 
O Final

As condições de financiamento do Porto de Mariel, perto de um bilhão de dólares, foram declaradas segredo pelo governo de Dilma Rousseff. E algo que o presidente Michel Temer parece não querer publicar.

Também permanece secreto a contabilidade dos financiamentos que o regime cubano recebeu desde 2000 desde o Tesouro Venezuelano.

Há a possibilidade com as investigações da Lava-Jato e as delações da Odebrecht saiba-se mais das relações secretas Brasil-Cuba.