COBERTURA ESPECIAL - Guerra Informação e Híbrida - Tecnologia

22 de Julho, 2017 - 14:03 ( Brasília )

Antonio Dias – José Alves: Conceito “Liquid EW for Liquid Wars”

O trabalho dos professores CMG (EN RM1) Antonio Dias de Macedo Filho e CMG (EN RM1) José Ricardo Rodrigues Teixeira Alves, “Liquid EW for Liquid Wars”, foi apresentado, em Londres



Na Conferência e exposição de equipamentos EW Europe, ocorrida entre os dias 6 e 8 de junho, no Centro de Convenções de Olympia, em Londres, congregou alguns dos mais renomados profissionais europeus e norte-americanos da érea de guerra eletrônica.

Entre as palestras proferidas foi incluída a “Liquid EW for Liquid Wars”,  dos estudiosos brasileiros: o CMG (EN RM1) Antonio Dias de Macedo Filho e CMG (EN RM1) José Ricardo Rodrigues Teixeira Alves. A apresentação, em Londres, coube ao  CMG (EN RM1) Antonio Dias de Macedo Filho, que é Diretor da empresa Alfadelta-Rio que, entre outras atividades, oferece cursos na área de defesa.

O trabalho abordou uma visão da periferia sobre o desenvolvimento de novos sistemas. Nota-se que por diversos motivos, é praticamente impossível para os Países periféricos manter o passo com os últimos desenvolvimentos que afetam a capacidade dos sistemas mais modernos.

Baseados, em parte, nas teorias do Almirante Braga (ex Diretor do Centro de Análises de Sistemas Navais - CASNAV, e do  Instituto de Pesquisas da Marinha - IPqM
), eles sugerem que é melhor conhecer bem os seus sistemas, tê-los adaptáveis aos seus ambientes operacionais e ter preparadas estratégias adequadas de emprego.
 
Buscar a última palavra em termos de desempenho (performance) é inviável economicamente pela velocidade da obsolescência tecnológica que imprimem os “Tempos Líquidos” em que vivemos (expressão cunhada pelo sociólogo Zygmunt Bauman). Assim que uma nova tecnologia é usada, ela se torna conhecida e muito rapidamente uma contramedida é criada. Daí a obsolescência instantânea.

Saber empregar com criatividade sistemas parcialmente obsoletos, modernizados dentro do possível, buscando surpreender o inimigo é uma opção para os periféricos cujas economias não conseguem sustentar um desenvolvimento militar tão veloz quanto os dos países considerados centrais.

A visão apresentada pelos brasileiros foi, de um modo, ratificada por outros apresentadores, incluindo o General ucraniano Borys Kremenetskyi que apresentou uma excelente palestra na qual mostrou como os equipamentos de Guerra Eletrônica russos não tomaram conhecimento da tecnologia do material fornecido por algumas empresas europeias nos últimos confrontos no território daquele Estado.

Um outro palestrante, num ótimo evento preliminar organizado pela Plath, também concluiu que os radares VHF, em princípio de tecnologia ultrapassada, dos russos foram modernizados com um melhor processamento de sinais e se tornaram numa ameaça real a qualquer aeronave antes considerada “Stealth” pois nas faixas de seu comprimento de onda, a física impede que a maioria das tecnologias empregada tenha o efeito desejado.

Com base nesses depoimentos, chega-se, por exemplo, à conclusão que se tivéssemos modernizado nossos antigos radares AN/SPS-6 dos antigos contratorpedeiros “Classe P”, que operavam na faixa de 200 MHz, teríamos um instrumento contra aeronaves furtivas.

O EW Europe que ano que vem será realizado em Laussane, na Suiça, contou com uma ótima exibição de equipamentos e serviços. A organização do evento, capitaneada pelo Wing Commander John Clifford (OBE), foi também impecável. Além do palestrante, do Brasil, haviam representantes do CIGE (EB) e da FAB.

Nota aos leitores

O estudo completo feito pelos dois profissionais brasileiros pode ser disponibilizado gratuitamente através do email : admacedof@iee.org.

Solicita-se, apenas, que sejam fornecidos nome, local de trabalho e email de contato.




Capa  do livro "Liquid EW for Liquid Warfare", dos Professores CMG (EN RM1) Antonio Dias de Macedo Filho e CMG (EN RM1) José Ricardo Rodrigues Teixeira Alves.


Nota DefesaNet

Parabéns aos autores pelo provocativo estudo. A sua profundidade pode ser avaliada nestas perguntas feitas ao final do trabalho: 

“Finally, the authors would like to propose a 3.5 questions quiz about the next liquid war:
 
1) Who will be the next war enemy?

Answer: It doesn’t matter. You will know it when it begins;
 
2) Where will the next war be?

Answer: It doesn’t matter. You will know when it begins.
 
3) What weapons and systems will be used in the next war?

Answer: It doesn’t matter. You can use everything or nothing; it can have the most advanced technology or a remodeled Neanderthal one. You will know them when the war begins.
 
3.5) How must we think during the next war?

Answer: Oooops!!! This is the tricky question! You can start learning how to think, and what to learn right now. That is, Liquid strategic planning! Surely, it will be a war for information warfare enthusiasts. What you really need to learn is to walk over quicksand...”

 
Para uma maior difusão entre os centros de decisão e formuladores de políticas nacionais, um livro que mereceria a tradução para o português.

Esta nota foi colocada na Cobertura Especial de Guerra Híbrida, pois muitos dos conceitos aqui expostos aplicam-se a esta doutrina, mas poderá ter uma outra definição
 
O Editor


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