COBERTURA ESPECIAL - Guerras Híbridas Latinas - Geopolítica

13 de Novembro, 2019 - 00:50 ( Brasília )

Bolsonaro x Putin a Guerra Secreta nos BRICS

Jair Bolsonaro e Vladimir Putin travam um jogo de xadrez metiiculoso sobre o tabuleiro da América Latina


 
Nelson F During
Editor-Chefe DefesaNet

 
Quando Vladimir Putin estiver passando em revista a tropa formada, em sua honra, na Base Aérea de Brasilia DF, formará a ideia, de qual agenda adotará no Brasil: a preparada para a XI Reunião dos BRICS ou a agenda secreta.

Na visão dos estrategistas do Kremlin a América Latina, que era uma das áreas do mundo consiiderada um quintal do arqui-inimigo, os Estado Unidos e após o fracasso da Crise dos Mísseis (1962), a União Soviética e depois a Federação da Rússia pouco avançaram na América Latina. Mantiveram Cuba como prêmio.

A quase acéfala Cuba, após o debacle da União Soviética, sobreviveu via as contribuições do Foro de São Paulo e generosas doações do Chavismo, Kirchnerismo e do Petismo.

A desagregação da Venezuela e as quedas dos Kirchner, Argentina, e do Petismo, no Brasil, trouxe a América Latina ao radar dos estrategistas do Kremlin.

A resposta de Moscou às Revoluções Coloridas levou os estrategistas, em especial o General Valery Gerasimov a criar o conceito da Guerra Híbrida. (Aconselhamos os leitores a lerem as matérias sobre Guerra Híbrida do pesquisador Frederico Aranha).

Por outro lado a incapacidade do Petismo, em responder às manifestações de 2013, que encminharam ao Impeachment de Dilma Rousseff, foi o ponto de partida dos estrategistas Cubano-Bolivarianos para traçarem seus planos.

Muitos analistas afirmam que as ações são respostas à eleição de Jair Bolsonaro. Engano, isto só acelerou a deflagração das ações. E ficará claro que muitas destas ações passam por Moscou. A definição do do fim do Programa Mais Médicos foi quando o Presidente Cubano Diaz-Canel visitava Vladimir Putin, 29OUT2019, em Moscou, um dia após a eleição de Jair Bolsonaro (28OUT2019).



Diaz-Canel e Vladimir Putin reunidos em Moscou, 29OUT2018, decidem o fim do Program aMais Médicos. Primeira ação de Guerra Híbrida contra o Brasil de Jair Bolsonaro.


Dois pontos fundamentais que devem ser considerados para análise:

 

1 – A Rússia não sairá da Venezuela.

2 – A Operação da Venezuela inclui atrativos além do petróleo para o Kremlin.

 

Portanto o apoio militar à Venezuela, anteriormente um mero comprador de armas, e agora o claro bloqueio da tentativa de fuga de Maduro, e dos hierarcas Bolivarianos, tentada em Maio de 2019, como ocorreu agora com Evo Morales na Bolívia.


 

Nicolas Maduro e Vladimir Putin, em  Moscou, Setembro 2019.


E a criação do Grupo de Puebla, um remake do carcomido Foro de São Paulo, incluindo novos conceitos de luta. Os conceitos novos da Guerra Híbrida e Comunicacional são fundamentais.

Quando os dois presidentes estiverem frente a frente ou nas reuniões bilaterais há uma série de contenciosos dos dois lados.

Sim, uma série de movimentos brasileiros tem irritado profundamente o Kremlin e alguns são considerados atos de guerra:

 

1 – Possível venda das aeronaves leves de ataque A-29 Super Tucano, via a empresa americana Sierra Navada e sistema FMS do Pentágono, para a Força Aérea da Ucrânia (lembrar que durante os governos do PT o Itamaraty proibiu inclusive a venda de munição da CBC para a Ucrânia);

2 – O Exército Brasileiro abriu em Outubro o Projeto Horus: Obtenção e Integração do Subsistema de Controle e Alerta do Programa Estratégico  do Exército Defesa Antiaérea. Para isso encerrou definitivamente o processo de aquisição do sistema russo Pantsir, e,

3 - Reunião com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante o G20, em Osaka, Japão.

 

Por parte do Brasil há suspeitas e algumas bem fundadas:

1- Envio de mercenários para a Venezuela, através de organizações de veteranos (Ver nota abaixo), assim como o emprego de militares russos na operação dos sistemas de defesa aérea;

2– Ativa ação de propaganda nas redes Sputnik e RT voltadas contra o Brasil, assim como agressiva posição no caso do Chile;

3 – A Guerra Híbrida continental que os russos desenvolvem no continente, não por acaso, cercando o principal alvo: o Brasil.

Em uma declaração que não foi aprofundada pela imprensa, para dizer melhor, foi escondida, o Vice-Presidente Hamilton Mourão falou abertamente em “Guerra Híbrida”.  

O VP Hamilton Mourão quando visitou a China, em Maio, criticou a Rússia pelo emprego de “Guerra Híbrida”. Segundo vice-presidente, questão econômica deve prevalecer no grupo, criado durante o governo Lula
 Do que falava o VP Mourão?

Quanto ao problema do óleo nas costas do Nordeste temos a enigmática declaração do Comandante da Marinha do Brasil.

O Alm Esq Ilques, comandante da Marinha do Brasil, ao mencionar a questão do óleo nas praias do Nordeste mencionou:

Eu diria até, em termos militares, é como se o Brasil sofresse um ataque militar, um bombardeio contra o Estado brasileiro, que teve impacto na nossa sociedade.” (Estadão 22OUT2019)

Private Military Company  Mercenários ou Exterminadores


Primeiramente eram referenciados como membros do PMC Wagner (ver matérias abaixo). Investigações mais recentes indicam que há uma série de organizações de Veteranos como os Voluntários de Donetsk ou do Afeganistão, que têm fornecido a maioria dos mercenários para trabalhar tanto na segurança da petroleira estatal Rosneft e outras organizações russas na Venezuela.

O mais tenebrosos são as ações no Arco Minero do Orenoco, que corre paralelo à fronteira com o Brasil.  

Estes mercenários provém de grupos seletos acostumados ao alto risco. Diretamente podemos chamá-los de assassinos. Conduziram um verdadeiro massacre contra os indígenas da etnia Pémon na Venezuela.

Avalia-se que grupos de mercenários, muitos de origem portuguesa, tenham operado no Brasil no Arco Norte durante (Pará e Amapá), durante a crise das queimadas.

As armas secretas de Vladimir Putin


Assim como Josef Stalin teve a sua rede de espionagem chamada de "Orquestra Vermelha" (Roten Kapelle), durante o período da Alemanha Nazista, que forneceu preciosos informes sobre a preparação da máquina militar alemã ao líder da União Soviética. Desconfiado Stalin considerou-os falsos. Mas Vladimir Putin, um ex-operador da KGB, tem no Brasil uma rede muito bem montada de simpatizantes, agentes ou ativistas e confia neles pois lhe são fieis.

Com participantes e agentes nos altos cleros dos poderes constituídos, em Brasília, como seus admiradores e seguidores. Talvez o maior trunfo foi ter sua Rede de Guerra Híbrida (Operação Verdevaldo) ser protegida juridicamente por mandato do Supremo Tribunal Federal (STF) de “TODA E QUALQUER INVESTIGAÇÃO”.

Os dois presidentes movimentarão os seus peões cuidadosamente protegendo  suas rainhas e reis no tabuleiro da América Latina.  

Mas por hora o grande vencedor tem sido o ex-agente da KGB, que conseguiu colocar o Brasil em um brete estratégico. Também conseguiu ameaçar as posições americanas no continente com um custo muito pequeno. 

Porém o jogo é secreto!


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