COBERTURA ESPECIAL - Guerra Hibrida Brasil - Terrestre

23 de Julho, 2019 - 10:55 ( Brasília )

Estágio de Jornalismo e Assessoria de Imprensa em Áreas de Conflito aborda Cobertura jornalística


No período de 15 a 19 de julho, profissionais de diversos meios de comunicação foram preparados, sob a coordenação do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil - Centro Sergio Vieira de Mello (CCOPAB), para cumprir suas funções em ambientes hostis. O Estágio de Jornalismo e Assessoria de Imprensa em Áreas de Conflito contou com 32 alunos, criteriosamente selecionados pelo Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx), de diversas empresas de comunicação, como: TV Globo, SBT, Record TV, Band, RedeTV, TV Cultura, Jovem Pan, Rádio Gaúcha, Jornal O Dia, Defesa TV, Agence France-Presse (AFP), O Estado de Mato Grosso do Sul e Correio da Paraíba, entre outras.

De acordo com o relatório sobre a Segurança de Jornalistas e o Perigo da Impunidade da UNESCO, 182 jornalistas foram assassinados em todo mundo apenas nos anos de 2016 e 2017. Até outubro de 2018, já era possível registrar a morte de cerca de 80 profissionais. Os dados são alarmantes e impressionam ainda mais quando percebemos a participação do Brasil nas estatísticas. Em 2016, dos 102 jornalistas assassinados no mundo, cinco atuavam no Brasil. Esses dados colocaram o país atrás, apenas, do Afeganistão, México, Iêmen, Iraque, Síria e Guatemala. O relatório também mostra o aumento de mulheres jornalistas mortas no mundo entre 2006 e 2017 e que a maioria das vítimas são jornalistas locais.

 

É nesse cenário que o Estágio de Jornalismo e Assessoria de Imprensa em Áreas de Conflito, oferecido pelo CCOPAB, vem ganhando cada vez mais relevância na preparação desses profissionais, que já incluíram coletes e capacetes balísticos no exercício de suas profissões. Ao longo de uma semana, profissionais de várias regiões do país e de diversos meios de comunicação assistiram a aulas teóricas e participaram de treinamentos intensivos ministrados por militares de diversas organizações militares da Vila Militar do Rio de Janeiro e do Centro de Instrução Especializada de Bombeiros (CIEB). Durante a jornada, os estagiários participaram de treinamentos como: progressão em área de alto risco, minas e procedimentos em áreas suspeitas, noções de orientação, negociação, driving skills, efeitos das armas em diferentes superfícies, uso de máscaras contra gases, primeiros socorros e combate a incêndio.

Em sala de aula, o Coronel Guerra, do CCOMSEX, o Coronel Grandis, do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER), e o Contra-Almirante Lampert, do Centro de Comunicação Social da Marinha (CCSM), discorreram sobre as ferramentas de comunicação social que estão sendo utilizadas pelas Forças Armadas. Os jornalistas Marcelo Rech e Betinho Casas Novas trouxeram suas experiências na cobertura jornalística em ambientes hostis e o Tenente Aihara, do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, falou sobre os desafios encontrados em seu trabalho como porta-voz durante a tragédia de Brumadinho.

Temas como Direitos Humanos e Direito Internacional dos Conflitos Armados foram abordados pela Promotora de Justiça Militar, Najla Palma, e pelo Chefe da Comunicação Social do Comando Militar do Leste, Coronel Cinelli. Por fim, o Tenente-Coronel Mouezy, do Exército da França, e o Capitão Elissalde, do Exército do Chile, expuseram os procedimentos adotados em países em guerra.

O aluno Carlos Ambioris Fabal Almonte, da Agence France-Presse (AFP), nascido na República Dominicana, país vizinho ao Haiti, contou que, após o terremoto de 2010, pegou a sua câmera e foi realizar a cobertura. O dominicano declarou que desaconselha qualquer jornalista, sem nenhum preparo, a tomar essa atitude.

Sobre o Estágio de Jornalismo e Assessoria de Imprensa em Áreas de Conflito:

Esse estágio destina-se a preparação de profissionais dos meios de comunicação para o cumprimento de suas funções em ambientes hostis. Entre os objetivos propostos, destacam-se:

- capacitar profissionalmente os concludentes a exercer coberturas jornalísticas em zonas de conflito, com ênfase nos procedimentos de segurança pessoal e relacionamento com as forças militares e demais organizações atuantes no terreno;

- evidenciar os seguintes atributos da área afetiva: prudência, autoconfiança, coerência, cooperação, meticulosidade e responsabilidade;

- promover nacional e internacionalmente a divulgação do trabalho das Forças Armadas Nacionais nas Operações de Paz sob a égide da ONU.

 

Fotos: Sd R. Menezes /EB

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