08 de Julho, 2016 - 10:50 ( Brasília )

Geopolítica

Pyongyang: sanções americanas são 'declaração de guerra'


A Coreia do Norte alertou nesta quinta-feira que está planejando a sua resposta mais dura para o que considerou uma “declaração de guerra” dos Estados Unidos, depois que Washington colocou numa lista negra por causa de abusos contra direitos humanos o líder do país, Kin Jong Un.

Pyongyang descreveu a sanção a Kim como um “crime hediondo”, de acordo com a KCNA, agência de notícias oficial norte-coreana.

“Os EUA se atreveram a desafiar a dignidade da suprema liderança (da Coreia do Norte), um ato que faz lembrar um filhote de cachorro recém-nascido que ainda não conhece o medo em relação a um tigre”, disse o comunicado.

"Essa é a pior hostilidade e uma declaração aberta de guerra (contra a Coreia do Norte), uma vez que vai muito além do confronto pelo tema dos direitos humanos.”

Em resposta, o governo norte-americano pediu que os norte-coreanos evitem declarações e ações que aumentem as tensões na região.

China chama embaixadores dos EUA e Coreia do Sul por sistema antimísseis

O Ministério do Exterior chinês informou nesta sexta-feira que convocou seus embaixadores norte-americano e sul-coreano para reclamar sobre o envio de um sistema avançado antimísseis que os Estados Unidos instalaram na Coreia do Sul.

Coreia do Sul e EUA fazem acordo para instalação de escudo antimíssil

A Coreia do Sul e Estados Unidos selaram nesta quinta-feira definitivamente o acordo para a implantação, no final de 2017, do escudo antimíssil THAAD, que pretende fazer frente aos programas de armas da vizinha Coreia do Norte.

Os dois aliados começaram a negociar o desdobramento do sistema de Defesa Terminal de Área de Alta Altitude (THAAD, sigla em inglês) após o regime de Pyongyang realizar seu quarto teste nuclear subterrâneo e lançar um foguete espacial com tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) nos meses de janeiro e fevereiro.

O acordo é "parte de uma ação defensiva para garantir a segurança da República da Coreia (nome oficial da Coreia do Sul) e nosso povo é contra as armas nucleares, armas de destruição em massa e mísseis balísticos da Coreia do Norte", explicou o Ministério da Defesa sul-coreano em comunicado.

"Esperamos poder começar a operar o THAAD, pelo menos, no final de 2017, mas vamos lutar para concluir a implantação antes desta data", disse o vice-ministro da Defesa sul-coreano, Yoo Jeh-sung, em entrevista coletiva que também teve a participação do chefe do Estado-Maior americano, Thomas Vandal.

O grupo de trabalho está finalizando o local onde será instalado o sistema para interceptar mísseis em alta altitude para que possa ser implementado "o mais rápido possível", acrescenta o texto.

Acredita-se que o escudo pode ser instalado perto de Pyeongtaek, uma cidade que fica a 70 quilômetros ao sul de Seul e concentra as principais instalações militares americanas, e as estimativas sobre seu custo se situam em torno US$ 862 milhões.

O projeto do THAAD, gerou protestos tanto da Coreia do Norte, que considera uma ameaça direta para sua segurança, como da China e em menor medida da Rússia.

A China, que deve se manifestar hoje por conta do acordo, é contra a implantação do sistema ao considerar que seus radares podem captar informação militar confidencial chinesa, enquanto a Rússia se queixou que o sistema permitiria inspecionar espaço aéreo de algumas regiões de seu extremidade oriental.

Enquanto isso, o governo japonês aprovou a decisão, dizendo que o acordo contribui com a "paz e estabilidade" da região.