18 de Dezembro, 2015 - 12:20 ( Brasília )

Editorial

Editorial DefesaNet - O Vácuo

As palavras da Presidente da República não casam com as ações do Governo no financiamento dos Projetos Estratégicos de Defesa


Editorial DefesaNet - O Vácuo

 

Na quarta-feira (16DEZ2015), ocorreu a tradicional cerimônia de cumprimentos da Presidente da República  aos Oficiais-Generais da ativa das três forças.

Não analisaremos o conteúdo político da fala presidencial, nem as ilações reptícias de busca de apoio político das esposas dos militares presentes.

O que DefesaNet comenta são as afirmações da Sra Presidente Dilma Rousseff, transcritas abaixo:

Reitero também que o Brasil precisa dos projetos estratégicos que estão em desenvolvimento nas Forças Armadas. Meu governo compreende a importância de desenvolvermos a base industrial de defesa brasileira e de nos capacitarmos tecnologicamente em áreas estratégicas.

Mesmo num momento de reequilíbrio fiscal, precisamos olhar sempre que as revisões de prazos e as adaptações não podem interromper um processo, que as Forças Armadas com diligência e flexibilidade têm levado à cabo. Reconheço esse esforço e asseguro que os projetos prioritários não serão comprometidos. Afinal, face aos imperativos de defesa do século XXI, não podemos abdicar do pleno desenvolvimento de nossos setores nuclear, cibernético e aeroespacial.” (Acesse a íntegra do pronunciamento da Presidente Dilma Rousseff Link)

Cara senhora Presidente, nada mais longe da realidade que as suas afirmações. Por acaso a Senhora ouve o atual Ministro da Defesa, Sr Aldo Rebelo, ou o anterior, atual Chefe da Casa Civil? Ou os comandantes?

O atual cenário especificamente dos Projetos Estratégicos definidos pelo Ministério da Defesa: PROSUB, PNM (Programa Nuclear da Marinha), ASTROS 2020, SISFRON, KC-390, F-X2, H-XBR, PESE (Programa Estratégico de Sistemas Espaciais), e o Veículo Blindado GUARANI. Isto para não mencionarmos os restantes, que também estão em situação dramática.

Conforme as análises substanciadas no trabalho “Relatório sobre as Políticas Públicas da Defesa Nacional. Análise dos Projetos Estratégicos”, realizado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.  

O PROSUB tende a ficar encalhado na Baia de Sepetiba e a Base Naval ser só em ilusão. Sem falar no complexo Programa Nuclear da Marinha (PNM), ainda em fase muito preliminar.

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), a cada pronunciamento do Senhor Comandante do Exército aumenta em décadas sua conclusão. Já está em 2040.

A menção que a Senhora fez à aeronave de transporte multimissão KC-390, atualmente em desenvolvimento, é muito oportuna. O projeto está sendo levado avante por recursos próprios da EMBRAER Defesa & Segurança, para não perder as janelas de oportunidade do mercado internacional. Sim, o Tesouro Nacional omite-se no financiamento deste projeto.

Sem falarmos em que oficiais responsáveis pelo recebimento de equipamentos tornaram-se, constrangido, em cúmplices, de procedimentos discutíveis em não assinar os documentos de recebimento para não reconhecer as dívidas com os fornecedores. Só acontecendo após TODAS as etapas serem vencidas pelos prazos.

E mesmo após estas demoradas etapas vários projetos estão em “default” pela inadimplência estatal.

Como uma fonte empresarial declarou a DefesaNet: “Estamos em um vácuo: contratos não cumpridos, não rediscutidos, não cancelados, etc. O Governo e a Forças estão caladas.”

Assim mais surpreendente que as suas palavras foi o silêncio dos oficiais-generais presentes.

Aliás, isto nos dá uma indicação de atos futuros?