COBERTURA ESPECIAL - EDA - Esquadrilha da Fumaça - Aviação

13 de Março, 2020 - 10:30 ( Brasília )

Mulheres da Fumaça: “Provamos que a FAB também é lugar para mulheres”

Além das suas atribuições dentro do Esquadrão da Força Aérea Brasileira, elas servem de inspiração para outras mulheres que desejam ingressar na carreira militar

Tenente Marcus Lemos, Tenente Fraga E Capitão Oliveira Lima

Com o ingresso das primeiras mulheres nas fileiras da Força Aérea Brasileira (FAB), em 1982, hoje elas são mais de 12 mil nas mais diversas especialidades e funções, distribuídas por todo o território brasileiro. Com uma participação crescente desde então, atualmente elas representam cerca de 25% de todos os postos de trabalho da FAB, exceto o serviço militar obrigatório, admitidas por meio de processo público de seleção.

No Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA), conhecido como Esquadrilha da Fumaça, não é diferente. Se, para alguns, o trabalho de mecânico de aeronaves causa surpresa, quando essa vaga é ocupada por mulheres, a admiração revela-se ainda maior, atraindo a atenção do público e até mesmo da imprensa. Hoje, quatro mulheres carregam a responsabilidade de serem Anjos da Guarda.

É o que afirma uma dessas integrantes, a Sargento Patrícia Maria, especialista em Eletrônica e Instrumentos, responsável por cuidar dos sistemas de aviônicos do A-29 Super Tucano. A oficina de manutenção é ocupada hoje por quatro militares, sendo duas mulheres. “Isso mostra que cada vez mais as mulheres estão em ambientes antes dominados por homens e que somos tão competentes e comprometidas quanto eles.

A diferença entre os gêneros se torna cada vez mais irrelevante na aérea da manutenção”, afirma a graduada. A sua colega de seção, a Sargento Thelma Hypólito, também nos conta que fazer parte do Esquadrão era um sonho e que, apesar de ser uma área de trabalho dominada pelos homens, sempre buscou se aperfeiçoar e crescer profissionalmente: “Não existe diferença entre homens e mulheres no Esquadrão, depende apenas do esforço individual de cada um buscar seu sonho e conseguir conquistá-lo”.

A primeira mulher ingressou na atividade de manutenção da Esquadrilha da Fumaça em 2015. De lá para cá, todos os processos de seleção para compor a equipe contaram com ao menos uma mulher, dentre as poucas vagas abertas anualmente.

O trabalho de Anjo da Guarda, como são chamados os sargentos responsáveis por serviços administrativos e de manutenção, possui responsabilidades que exigem a confiança mútua entre os integrantes, visto que reflete diretamente na rotina do Esquadrão e na segurança do voo.

“O trabalho na Esquadrilha da Fumaça, assim como em toda a FAB, não distingue sexo. Nós trabalhamos de igual pra igual com os homens, somos respeitadas e a cada dia estamos ganhando mais espaço. Tudo isso é muito gratificante, pois mostra às outras mulheres que a questão de ‘sexo frágil’ já caiu por terra, pois somos capazes de exercer tais funções”, conta a Sargento Patrícia Herdy, que ingressou no time em 2020 e é uma das Anjos da Guarda, especialista em Equipamentos de Voo, atividade que garante a saúde e integridade dos pilotos durante os voos e em eventuais emergências críticas.

A equipe de 2020 da Esquadrilha da Fumaça é composta por 35 Anjos da Guarda. Além das atividades de manutenção, elas são representadas na área administrativa também. A Sargento Jaqueline Guerra foi selecionada em 2019 e passou a fazer parte do time no início deste ano, encarregada de toda a logística pessoal e patrimonial. “As mulheres, historicamente, vêm crescendo profissionalmente e conquistando profissões que somente homens ocupavam. Hoje, provamos que a FAB também é lugar para as mulheres”, disse.

O Major Aviador Juliano Nunes, um dos pilotos da Esquadrilha da Fumaça e chefe da Seção de Comunicação Social, explica que, apesar dos meios de comunicação estarem hoje mais acessíveis, é recorrente muitas mulheres desconhecerem essas possibilidades.

Segundo ele, no contato diário com o público, nota-se que muitas desconhecem a possibilidade de ingressar na FAB. "O trabalho das nossas Anjos da Guarda na Esquadrilha da Fumaça, além das suas atribuições, é fundamental para mostrar a essas pessoas que as portas estão abertas e, quem sabe, futuramente isso não seja mais motivo de surpresa”, destacou.

A FAB oferece cursos em suas cinco escolas de formação. A mais recente delas a admitir mulheres, desde 2017, é a Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), localizada em Barbacena (MG).

A FAB divulgou o edital com 220 vagas para ingresso na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) e também para os cursos de formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria da Academia da Força Aérea (AFA), com inscrições abertas até os dias 18 e 19 de março, respectivamente.

Fotos: Sargentos Hypólito, Marin, Patrícia e Jaqueline / EDA


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