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25 de Novembro, 2019 - 10:10 ( Brasília )

6ª Olimpíada de História Militar e Aeronáutica da Academia da Força Aérea-AFA




Claudio P. Calaza
Colaborou Professor Hermelindo Lopes Filho 

 
Nos dias 20 e 21 de novembro de 2019, a Academia da Força Aérea, com o apoio do Instituto Histórico Cultural da Aeronáutica (INCAER) e da Fundação Habitacional do Exército-POUPEX, realizou a sexta edição da Olimpíada de História Militar e Aeronáutica, uma vibrante competição de conhecimentos entre os alunos das escolas de formação superior das Forças Armadas.

A edição deste ano contou com a participação de 44 alunos de 4 escolas militares (AFA, AMAN, ITA e APMBB) , agrupados em 11 equipes, que tradicionalmente adotam o nome de um personagem histórico como patrono.(1)

A abertura do evento ocorreu na tarde do dia 20, feita pelo brigadeiro David Almeida Alcoforado, comandante da AFA, que deu boas-vindas às comitivas visitantes e ressaltou a importância do estudo da História Militar na formação dos futuros oficiais. O brigadeiro David citou que as competições educacionais têm o poder de potencializar a autonomia didática, a habilidade do trabalho em equipe e a formação para a liderança, contribuindo ainda para a revelação de talentos intelectuais. Acrescentou que o ambiente acadêmico militar, por suas características de meritocracia e de estímulo à competitividade, tende a ser um campo propício para tal iniciativa.

Para formular as questões e avaliar as diversas provas, a Olimpíada da AFA constitui anualmente uma banca examinadora composta por 8 oficiais e professores selecionados por seus notórios saberes e titulações em História Militar. Este ano, a banca examinadora foi presidida pelo coronel da reserva do Exército Brasileiro Cláudio Luiz de Oliveira, um ex-comandante do Colégio Militar do Rio de Janeiro e que hoje trabalha como pesquisador no Centro de Estudos e Pesquisas de História Militar do Exército.

Outro importante membro da banca foi o coronel Carlos Roberto Daroz, do blog História Militar e autor de diversos livros, dentre eles, o notabilizado “Bruxas da Noite” que contou a história das aviadoras soviéticas na 2ª Guerra Mundial.

Conforme a programação, a palestra de abertura foi sobre “A Guerrilha do Araguaia”, apresentada pelo professor Hugo Studart, da Universidade de Brasília (UnB), que se tornou a maior referência no assunto a partir de seus livros “A Lei da Selva” e “Borboletas e Lobisomens”.

 


O último, além de ter sido um sucesso editorial e indicado para diversos prêmios, inclusive o Prêmio Jabuti 2019, causou impacto em setores da Esquerda, ao revelar a existência do caso dos “mortos vivos” do Araguaia. Tratam-se de 7 guerrilheiros dados como mortos, mas que foram poupados por terem feito delações e colaborado com as tropas do Exército Brasileiro. Acabaram por receberam novos documentos e, inclusive, emprego e outros amparos, para que pudessem reiniciar suas vidas sob novas identidades. A questão foi que seus nomes originais resultaram em polpudas indenizações e pensões para seus familiares como vítimas da repressão do Regime Militar, tudo inserido no conhecido fenômeno da indústria de reparações dos perseguidos políticos.

A palestra do professor Hugo na AFA foi, conforme o esperado, um sucesso. Ele logrou fazer uma apresentação vibrante e, ao mesmo tempo, bastante didática sobre a história do conflito.

Destacou aspectos interessantes e comoventes sobre as operações militares, bem como sobre da trajetória e ideário dos jovens guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdo B), que, movidos por ideologias radicais, buscavam um Brasil melhor, segundo suas convicções.




Pensaram iniciar uma grande revolução a partir das florestas do Araguaia, sobrepujando o grande e preparado Exército Brasileiro, mas sucumbiram pela total falta de preparo e inconsequência, sendo completamente abandonados, inclusive pelas suas lideranças.

Durante os dois dias da Olimpíada, os “combatentes” da História Militar enfrentaram acirradas provas de conhecimentos que envolviam temas navais, terrestres e da aviação, em um recorte temporal que partia da Antiguidade até os dias atuais. A Olimpíada é disputada em quatro fases.

A terceira fase envolve uma pesquisa e apresentação de um tema pelas três equipes finalistas.

O tema escolhido para este ano foi “Guerra Irregular e Assimétrica”. Uma coincidência com o tema da palestra de abertura. A última etapa inclui baterias quizz de pronta reposta oral, com questões gradativamente complexas. (itálico DefesaNet)

A novidade deste ano foi a presença da Academia de Polícia Militar do Barro Branco, que participou com uma equipe, a Equipe Brigadeiro Tobias de Aguiar, que acabou totalizando 646 pontos e faturando a medalha de prata. O terceiro lugar, com 598 pontos, ficou com a Equipe Ten-Cel Villagran Cabrita, da AMAN que, pela primeira vez nessas Olimpíadas, levou ao pódio uma integrante do sexo feminino, a cadete Layanne Zatta Capelle de Andrade. A equipe vencedora deste ano foi da AFA, que há dois anos não vencia a competição.

A Equipe Shogun Ieyasu Tokugawa, que levou a medalha de ouro ao atingir 673 pontos, foi formada pelos cadetes Rômulo Rebello Quedinho, João Pedro Conter Pinheiro, Danillo Richard Souza Silva e Juann Alves da Fonseca. O primeiro é cadete do quarto ano curso de aviadores. Pinheiro e Richard pertencem ao 3º ano do curso de Infantaria da Aeronáutica, enquanto o cadete Juann está no primeiro ano do curso de Intendência.



Professores e participantes da 6ª Olimpiada de História Militar e Aeronáutica da Academia da Força Aérea - AFA


As Olimpíadas de História Militar da AFA começaram no ano de 2014, e seu principal idealizador é o coronel da reservado Claudio Passos Calaza, professor de disciplina História Militar em Pirassununga. Seu objetivo era estimular o estudo da História Militar e da Cultura Aeronáutica valendo-se do lúdico como estratégia educacional. Inicialmente era apenas uma competição interna entre os cadetes da AFA mas, em pouco tempo, a iniciativa educacional ganhou vulto e, já em 2016 passou a incluir a Escola Naval, a AMAN e a EsPCEx. No ano passado, o ITA ingressou na disputa, e sagrou-se campeão em sua primeira Olimpíada.

A VII Olimpíada, que ocorrerá no ano de 2020, ainda não tem data marcada, aguardando definição de uma melhor data no calendário escolar da AFA.

Nota

1 - Excepcionalmente neste ano, a Escola Naval e a Escola Preparatória de Cadetes do Exército não se fizeram presentes devido à incompatibilidade da data com seus calendários escolares que coincidiram com os períodos de provas finais.

 


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