COBERTURA ESPECIAL - Ecos - Guerras, Conflitos, Ações

14 de Dezembro, 2014 - 20:13 ( Brasília )

100 Anos da 1ª Batalha das Falklands

Em 08 de Dezembro de 1914 ocorreu a chamada 1ª Batalha das Falklands, entre a Royal Navy e a Kriegsmarine. A Batalha da 1ª Guerra Mundial, mostra a importância do arquipélago das Falklands para o Reino Unido, que vem até os nossos dias.



Após o início da Primeira Guerra Mundial e a perda das possessões no Extremo Oriente a Kriegsmarine alemã ordenou o retorno de uma pequena frota liderada pelo Vice-Alamirante Maximilian Reichsgraf von Spee, que estava no China.

A flotilha consistia dos cruzadores SMS Scharnhorst (capitânea) e SMS Gneisenau (os dois navios Classe Schanhorst construídos em 1906) e os cruzadores leves SMS Emden, SMS Leipzig e SMS Nürnberg. Todos os navios eram modernos com os oficiais selecionados pessoalmente por Tirpitz e tripulações também escolhidas. Era possivelmente a melhor flotilha da Kriegsmarine e talvez do mundo.

Perto da costa do Chile, nas Ilhas Coronel (altura de Valparaiso), a pequena esquadra alemã liderada pelo Almirante Maximilian von Spee  impôs a primeira derrota naval à Inglaterra, em 01 de Novembro de 1914, em mais de um século,  Com a Royal Navy perdendo dois cruzadores e a da vida de 1.600 marinheiros ingleses. Os alemães sofreram pequenos danos no Scharnhorst e três marinheiros  feridos no Gneisenau. A batalha durou somente uma hora.

Animados com a facilidade da sua vitória os alemães decidem rumar ao sul, dobrar o cabo Horn rumando depois para o norte em direção às ilhas Falklands, onde se encontra a pequena base de reabastecimento da Royal Navy. Tomando aquela base, seria possível utilizar o carvão para reabastecimento, e dali rumar para o norte e chegar à Alemanha.

Uma pequena parada de 3 dias, ao capturarem um navio carvoeiro, reabastecendo-ser e descansando, a flotilha liderada por Graf von Spee também teve uma profunda divergência. Spee desejava avançar sobre as Falklands enquanto seus capitães eram contrários. Foi o seu primeiro erro fatal.

No entanto, sem que os alemães tivessem conhecimento, os britânicos  desenvolviam frenéticos esforços para não permitir que os navios da Kriegsmarine não retornassem para casa.

Assim, além do couraçado classe pré-Dreadnought HMS Canopus e de alguns cruzadores que se encontravam no Atlântico Sul, foram despachados para as Falklands,  em 11 de Novembro (dez dias depois da batalha de Coronel), dois poderosos cruzadores de batalha, o HMS Invincible e o HMS Inflexible, partiram antecipando a possibilidade de os alemães se decidirem por aquela rota.

O HMS Canopus recebeu ordem para encalhar em Port Stanley, e para utilizar os seus canhões como bateria de artilharia estacionária para a defesa do porto. Sua artilharia era dirigida desde posições em terra. Os cruzadores de batalha britânicos enviados como reforço chegaram a Port Stanley, no dia 7 de Dezembro de 1914.

Reforço chega exatamente a tempo.

Pelas 08:00 da manhã, do dia 8 de Dezembro de 1914, os navios  Gneisenau e Nürnberg foram destacados para atacar as instalações de telegrafo de Port Stanley, detectam por detrás das colinas que circundam o porto, os mastros em tripé dos navios ancorados em Port Stanley.

Os dois navios giram violentamente em direção ao sul, pois tinham interpretado corretamente o que significava a presença de navios com mastros altos em tripé: significavam a presença de couraçados ou cruzadores de batalha britânicos, navios muito mais poderosos que os da flotilha alemã.

Mas, os britânicos também tinham detectado a aproximação dos navios alemães e deram ordem imediata para preparar a saída do porto, tentando evitar que os alemães tivessem tempo para posicionar os seus navios para concentrar o fogo à saída do porto quando os navios ingleses saíssem de Port Stanley em fila.

Os cruzadores de batalha tinham chegado no dia anterior e não estavam prontos para sair. Por isso só por volta das 10.00 da manhã (duas horas depois de os alemães terem sido avistados) saíram do porto, juntamente com os cruzadores que também se encontravam em Port Stanley.

Decisão alemã

Quanto à flotilha de von Spee, que não esperava encontrar resistência nas Falklands, era fácil de entender que não teriam qualquer possibilidade de enfrentar os britânicos. Os dois cruzadores de batalha ingleses, eram capazes de atingir 26 nós e estavam armados com oito canhões de 305mm e 16 de 102mm.

A decisão tomada por  Von Spee de não atacar os encouraçados ingleses ancorados em Port Stanley foi um segundo erro fatal. Poderiam ter pego todos os navios ingleses ancorados e sem pressão nas caldeiras. E se tentassem sair poderiam ficar em uma armadilha caso um fosse afundado na saída de Port Stanley.

Conta  a lenda que o Almirante Sturdee, ao ser avisado da presença dos alemães pronunciou uma frase que tornar-sei-a clássica: “let´s to breakfast”.

A flotilha inglesa só conseguirá sair de Port Stanley às 10:00 horas.

Spee tentará escapar. Por volta das 11:00, são avistados navios britânicos, os alemães inflectem para leste tendo começado a perseguição. Os navios alemães eram em teoria apenas ligeiramente mais lentos que os navios britânicos, mas o fato de estarem há muito tempo navegando e de terem por isso o casco incrustado de cracas marinhas, a sua velocidade máxima não podia ser atingida.

Por volta das 13:00 o cruzador ligeiro alemão Leipzig começa a ficar para trás e o HMS Inflexible abriu fogo sobre ele de uma distância 15.000 metros.

Para tentar proteger os navios menores, von Spee dá ordens aos cruzadores blindados Scharnhorst e Gneisenau para girarem para nordeste e dar batalha ao HMS Inflexible emitindo simultaneamente ordens para que os cruzadores menores para dispersarem e tentarem atingir a Alemanha cada um por si.

Perante o contra-ataque alemão, os dois cruzadores de batalha britânicos, sabendo que eram mais poderosos e mais rápidos posicionaram-se também, para evitar que os alemães pudessem atingi-los com os seus canhões de 210mm, mantendo porém o fogo da sua própria bateria principal, que tinha maior alcance.

Desta forma, mantendo a distância o resultado era inevitável, o SMS Scharnhorst foi o primeiro a ser atingido e o primeiro a ser afundado, por volta das 16:17. O SMS Gneisenau resistiu mais tempo, mas acabou por se afundar por volta das 18:00.

Dos cruzadores ligeiros alemães, o SMS Nuremberg foi afundado pelas 19:27 e o SMS Leipzig teve o mesmo destino por volta das 20:35.

O cruzador SMS Dresden escapou à batalha, dirigindo-se para a Terra do Fogo Costa Chilena) onde se refugiou nos fiordes, sendo no entanto capturado três meses mais tarde pelos cruzadores HMS Kent e HMS Glasgow.

A batalha das Falklands foi a última batalha naval entre navios de grandes canhões, porém não houve influência de novas táticas de guerra que implicassem a utilização de torpedeiros, contra-torpedeiros, submarinos ou aviação.

A batalha demonstrou também que a capacidade de Royal Navy para controlar o mar, era um prenuncio do desfecho da guerra, quatro anos mais tarde.

As perdas alemãs são pesadas. nenhum sobrevivente do SMS Schanhorst, incluindo von Spee, e só um do Gneisenau. O Leipzig, somente 19 sobreviventes, e o Nurnberg 12 sobreviventes. Muitos dos sobeviventes faleceram posteriormente devido aos ferimentos.

Sinais preocupantes

Mas embora a vitória da Royal Navy tenha sido retumbante, os analistas mais perspicazes tiraram conclusões algo diferentes daquelas que o Almirantado passou para a opinião pública.

Entre o inicio e o fim da batalha, decorreram mais de cinco horas. Este longo período de tempo em que os britânicos perseguiram os alemães, aparenta ter demonstrado a má qualidade do treino da Royal Navy, já que na batalha de Coronel os alemães tinham afundado um esquadrão britânico em uma hora.

Ainda que as condições fossem diferentes (os alemães estavam literalmente fugindo dos ingleses a grande velocidade) levantaram-se dúvidas quanto a falta de prática de tiro das tripulações.

Além disso, durante o encontro das Falklands, as guarnições dos cruzadores de batalha britânicos, afirmaram que se aperceberam que a blindagem dos navios era perfurada pelos tiros certeiros dos navios alemães.

Isto era uma demonstração de que, ao contrário do que se afirmava no almirantado britânico, o conceito do cruzador de batalha (navio poderosamente armado mas fracamente blindado) deixava muito a desejar.

Para os alemães a falta de domínio e conhecimento das operações da Guerra Naval. Fato que voltaria a acontecer 25 anos depois na Batalha do Rio da Prata com o Cruzador de Bolso Graf von Spee comandado pelo Capitão Hans Langsdorff.



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Última atualização 29 MAR, 21:55

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