COBERTURA ESPECIAL - Doutrina Militar - Terrestre

17 de Novembro, 2017 - 12:10 ( Brasília )

O desenvolvimento atitudinal do oficial formado pela AMAN


O perfil profissiográfico do militar formado pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) apresenta, no eixo transversal, atitudes, capacidades e valores convergentes para a capacidade de liderar homens em situação de guerra e não guerra.

Nesse contexto, o processo ensino-aprendizagem deve capacitar os discentes em formação para tal missão, com ênfase no campo atitudinal.

Surge, então, a necessidade do acompanhamento desse processo pedagógico e psicológico, além de suas repercussões atitudinais e comportamentais.

A possibilidade do desenvolvimento de um instrumento que sistematizasse essa observação e avaliação do campo atitudinal nos discentes da AMAN, fundamentou-se nos conceitos da psicologia fenomenológica e do psicodrama, também encontrando respaldo teórico na Psicologia Social. Rodrigues (1992) comenta que a avaliação é um instrumento de exercício para a liderança.

A aplicação prática do método sociométrico é de grande importância pedagógica para a verificação do nível de desenvolvimento atitudinal no ensino por competências e na construção de habilidades no ambiente militar.

Eminentemente coletivo e competitivo, propicia a percepção de si mesmo e dos outros. Em nível cognitivo, a abordagem adotada permitiu que os avaliados reexaminassem as percepções do outro sobre as suas habilidades e características de liderança, fenômeno que provoca a autorreflexão a partir das diferenças entre a autopercepção e a avaliação percebida dos outros.

Há uma conjugação, sobre esse sistema pedagógico, de vínculos construídos sobre os valores, crenças e representações sociais próprias da Cultura Militar. Esse fenômeno torna a atividade de avaliação importante ferramenta pedagógica para a formação militar por promover o ajustamento do indivíduo ao grupo enquanto o avalia.



Para esse trabalho de observação e acompanhamento do desenvolvimento dos conteúdos atitudinais no discente, foi elaborado um conjunto de atividades e instrumentos de observação e avaliação, por meio de ferramentas informatizadas, enquadradas no então Projeto de Aperfeiçoamento dos Atributos da Área Afetiva, desenvolvido no contexto do ensino por objetivos.

Após implantação do ensino por competências, passou a ser denominado Projeto de Acompanhamento e Avaliação da Área Atitudinal (P4A).

Os instrumentos de avaliação utilizados no P4A permitiram a análise gráfica quantitativa percentual das observações realizadas nos discentes envolvidos, possibilitando parâmetros de comparação entre o Cadete e o universo discente da AMAN, cujo resultado foi disponibilizado para acesso pelo corpo discente e docente.

Essa metodologia permitiu que os avaliados revissem suas percepções sobre outros integrantes do grupo acerca das suas habilidades e características de liderança. Provocou, também, a reflexão do avaliado em relação a si mesmo, a partir das diferenças entre a sua autopercepção e a avaliação percebida nos outros.

Os resultados ensejaram, ainda, uma correlação positiva entre liderança e a capacidade de avaliar coerentemente no grupo. Esse fato incentiva o aprofundamento do estudo da formação de avaliadores, uma vez que o desenvolvimento da percepção e da avaliação dos conteúdos atitudinais no ensino superior militar tenha reflexos positivos imediatos na formação do oficial e, a médio e longo prazos, na capacidade de liderança dos oficiais do Exército Brasileiro.

Futuras aplicações poderão incluir novos conteúdos, pois a apuração das fichas de registro de desenvolvimento dos conteúdos atitudinais possibilita acompanhar a eficácia com a qual esses conteúdos são desenvolvidos pelos Cadetes.

O P4A demonstrou ser um instrumento valioso para a observação, desenvolvimento e avaliação dos discentes, contribuindo para o atendimento das competências previstas no perfil profissiográfico do militar formado pela AMAN.



Atitudinal - Refere-se ao termo ATITUDE e traz o sentido de TORNAR OPERACIONAL, OPERACIONALIZAR.


REFERÊNCIAS:

José Carlos Teixeira Junior¹
Jeferson Sgnaolin Moreira²
RODRIGUES, Aroldo. Psicologia Social. Rio de Janeiro: Vozes, 1992.


¹O autor é Tenente-coronel de Artilharia R-1, psicólogo e psicotécnico militar. E-mail: teixeirajr65@yahoo.com.br
²O autor é Coronel de Cavalaria R-1, psicólogo. E-mail: sgnaolincce@gmail.com

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