30 de Maio, 2015 - 11:30 ( Brasília )

Defesa

Defesa homenageia mantenedores da paz das Nações Unidas


O ministro da Defesa, Jaques Wagner, prestou nesta sexta-feira pela manhã, no Comando Militar do Planalto, em Brasília, homenagem aos homens e mulheres mantenedores da paz da Organização das Nações Unidas (ONU). A celebração marca o Dia Internacional dos Peacekeepers - como esses oficiais e praças são chamados.

Em ordem do dia lida no evento, Jaques Wagner destaca que o Brasil se orgulha de sua contribuição para as operações de paz da ONU. “Nossos capacetes azuis são reconhecidos por seu profissionalismo e preparo, e também, por seu humanismo e empatia em relação às populações”.

Em sua mensagem, ele salienta que os peacekeepers brasileiros trabalham em 10 das 17 operações de paz da ONU, “e isso significa tanto um grande reconhecimento quanto uma grande responsabilidade”.

De acordo com Wagner, a liderança no Haiti oferece valiosa oportunidade de aprendizado e de aprimoramento de nossas capacidades. “A Minustah [Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti], há mais de dez anos, vem permitindo ao Brasil demonstrar sua capacidade de gerenciamento de conflitos de forma diferenciada com resultados significativos”.

Em entrevista à imprensa, o ministro disse que a participação brasileira em missões de paz representa o sentimento do povo brasileiro, um povo pacífico, e externa a nossa solidariedade, carregada de humanismo.

Ele ainda lembrou que por meio do comando da Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas do Líbano (Unifil), o Brasil contribui significativamente para a segurança de uma região sensível e estratégica.

Também, Jaques Wagner citou como exemplo eficiência e determinação, a Missão das Nações Unidas de Estabilização na República Democrática do Congo (Monusco), comandada por um brasileiro, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Solenidade

A cerimônia teve início com o canto do Hino Nacional. Após, se deu a leitura da ordem do dia. Em seguida, o ministro da Defesa, acompanhado de autoridades civis e militares, homenagearam os militares que doaram suas vidas no cumprimento de seus deveres em missões de paz.

Uma coroa de flores foi depositada no dispositivo símbolo do capacete azul, que identifica os integrantes mortos das Nações Unidas.

Dando término ao evento, tropas da Marinha, do Exército, da Aeronáutica e do grupamento de ex-integrantes boinas azuis desfilaram em continência e ao som de canções das três Forças Armadas.

O ministro Jaques Wagner foi convidado para conhecer a exposição alusiva ao Dia Internacional dos Peacekeepers. Na oportunidade, ele cumprimentou e conversou com militares que participaram de missões da ONU.

O primeiro sargento do Exército Gasparini declarou que teve a honra por duas vezes, de servir na missão do Haiti, em 2008 e 2013. “Servir nesta missão foi de vital importância em nossas vidas, levando um pouco de esperança àquele povo”.

Para a capitão Karla Roberta Holanda Gomes Moreira, que participou do 19º Contingente Brasileiro no Haiti, em 2013, a experiência foi de fundamental importância tanto no aspecto profissional como pessoal. A militar, como oficial de comunicação social, era responsável por divulgar o trabalho dos brasileiros e enfatiza que conhecer uma realidade diferente fortalece o treinamento do militar.

“Apesar de todo sofrimento que já passaram, os haitianos são um povo muito forte e guerreiro e recebe muito bem o militar brasileiro”, lembrou.

Estiveram presentes à solenidade, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general José Elito Carvalho Siqueira; o comandante da Marinha, almirante Eduardo Leal Ferreira Bacelar; da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato; o representante do comandante do Exército, general Joaquim Maia Brandão Júnior; o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi; a secretária-geral do Ministério da Defesa, Eva Maria Chiavon; o comandante Militar do Planalto, general Racine Bezerra Lima Filho, além de outros oficiais generais, adidos militares estrangeiros, autoridades civis, militares e eclesiásticas.

“Estamos levantando bem alto a bandeira do Brasil ao lado da bandeira da paz”, diz Jaques Wagner

Numa rápida entrevista após a cerimônia em comemoração ao Dia Internacional do Peacekeepers, no Comando Militar do Planalto (CMP), o ministro da Defesa, Jaques Wagner, avaliou que um dos principais legados do Brasil nas missões de paz das Nações Unidas é que “estamos levantando bem alto a bandeira do Brasil ao lado da bandeira da paz”.

Confira a seguir a íntegra da entrevista:

REPÓRTER: O que representa a missão do Brasil nas Missões de Paz da ONU?

MINISTRO: Representa o sentimento do povo brasileiro, somos um povo pacífico, temos essa tradição. Portanto, as Forças de Paz da ONU são sempre o guarda-chuva institucional, onde civis e militares, principalmente militares brasileiros, se dispõem, se voluntariam, e vão prestar um serviço que eu acho de um inestimável valor. É garantir a paz em países que estão conflituados. A nossa presença no Haiti agora no comando da missão que já dura mais de 10 anos, eu considero que é fundamental. Nos ensina muito também e externa a solidariedade do povo brasileiro a povos do mundo inteiro que anseiam pela paz.

E a nossa participação é reconhecida pela ONU. Eu diria que um dos exemplos é o comando da Missão de Paz da ONU no Congo, onde mais de 20 mil militares que não são brasileiros, são comandados por um general brasileiro. Então, é um reconhecimento que nossa gente é profissional, é responsável pela sua missão, e é também carregada de humanismo, que eu acho que é uma característica do povo brasileiro. Eu recentemente estive na Itália e ouvi uma frase que me comoveu muito, ainda sobre a nossa participação na 2ª Guerra, em dizer que o Brasil não veio só aqui lutar, mas veio devolver nosso sorriso. Essa é uma característica da nossa gente que os militares das três Forças carregam nas Missões de Paz. Então, eu considero que é um treinamento para nossa gente e é evidentemente uma contribuição efetiva, concreta nossa, pela paz no mundo.

REPÓRTER: O senhor poderia falar um pouco sobre a participação do Comando da Marinha do Brasil no Líbano? Hoje a Marinha já está no 5º ano que comanda a FTM/UNIFIL, além de treinar também os militares libaneses na fronteira marítima.

MINISTRO: As duas missões mais significativas são realmente a do Haiti, que tem a predominância de força terrestre, e a missão no Líbano, onde a gente mantém um navio nosso, mantém uma tropa nossa fundamentalmente da Marinha no comando daquela missão de paz que também tem uma importância fundamental, na medida em que o Oriente Médio, infelizmente, continua sendo uma região extremamente conflagrada. Então eu considero que essa participação coloca a Marinha do Brasil exponencialmente na frente de uma força de paz e que com certeza nos dá o retorno que é importante para um país como o nosso seja respeitado fora daqui.

REPÓRTER: Qual que é o legado para o Brasil e para os brasileiros desse tipo de Missão? Isso porque às vezes a população fica em dúvida sobre qual a importância de se mandar gente para fora do Brasil para fazer esse tipo de atividade.

MINISTRO: Eu diria que basicamente são duas. Primeiro que todos aqueles que participam de Missão de Paz, eu acho que cada um desses militares ou civis, volta diferente porque é diferente você está em um território que não é o seu, longe da família, às vezes um ano, às vezes mais do que isso, contribuindo para paz. Isso acaba, e nós vimos hoje nesse desfile aqui do 29 de maio, o volume de boinas azuis e capacetes azuis brasileiros de todas as graduações que fizeram questão de vir desfilar.

Então, isso também é treinamento, é preparação para tropa. E segundo, é a imagem do Brasil. O fato da gente está participando evidentemente é um esforço, inclusive financeiro, além de logístico, mas é uma postura de um país que é a 7ª maior economia do mundo e que, portanto, não pode se negar a contribuir para a paz mundial.

Então muita gente às vezes não sabe o que a gente está fazendo lá fora, mas nós, na verdade, estamos levantando bem alto a bandeira do Brasil ao lado da bandeira da paz.