COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

21 de Junho, 2019 - 10:30 ( Brasília )

Irã e EUA travam guerra de palavras após derrubada de drone dos EUA


O Irã derrubou nesta quinta-feira um drone militar dos Estados Unidos que disse estar em uma missão de espionagem sobre seu território, mas o governo norte-americano disse que a aeronave foi atingida em espaço aéreo internacional em um “ataque sem provocação”.

O incidente atiçou os temores de um conflito militar mais amplo no Oriente Médio agora que o presidente dos EUA, Donald Trump, está empenhado em isolar o Irã por causa de seus programas nuclear e de mísseis balísticos e seu papel em guerras regionais.

Trata-se do mais recente de uma escalada de incidentes na região do Golfo Pérsico, uma artéria crucial para os suprimentos globais de petróleo, desde meados de maio, incluindo ataques com explosivos contra seis navios-tanque, que deixaram Irã e EUA perto de um confronto.

O Irã negou envolvimento em qualquer um dos ataques, mas as apreensões mundiais a respeito de uma nova conflagração no Oriente Médio que afete as exportações petrolíferas desencadeou um aumento nos preços do petróleo cru –saltaram de mais de 3 dólares para acima de 6 dólares por barril nesta quinta-feira.

As tensões irromperam com a retirada dos EUA de um acordo nuclear firmado por potências nucleares com o Irã em 2015, e se agravaram quando Washington impôs novas sanções para estrangular o comércio de petróleo vital para Teerã e o regime retaliou no início desta semana ameaçando violar os limites impostos pelo acordo às suas atividades nucleares.

Na segunda-feira, os EUA aumentaram as apostas dizendo que enviarão cerca de mil tropas adicionais, assim como mísseis Patriot e aeronaves de vigilância tripuladas e não-tripuladas, ao Oriente Médio, que se somarão aos 1.500 soldados anunciados após os ataques de maio aos navios-tanque.

O Sepah News, site da Guarda Revolucionária do Irã, disse que o drone “espião” foi abatido sobre Hormozgan, província do sul iraniano situada no Golfo Pérsico.

A agência de notícias semioficial Fars disse que a guarda usou o sistema de míssil de fabricação local “3 Khordad”, que o Irã apresentou cinco anos atrás, para destruir o drone.

Uma autoridade norte-americana disse que o drone era um MQ-4C Triton da Marinha dos EUA e que foi abatido no espaço aéreo internacional sobre o Estreito de Hormuz, através do qual cerca de um terço do petróleo do mundo deixa o Golfo.

O capitão da Marinha Bill Urban, porta-voz do Comando Central dos militares dos EUA, disse que o relato do Irã sobre o drone é falso.

“Este foi um ataque sem provocação contra um ativo de vigilância dos EUA em espaço aéreo internacional.”

Irã diz que se absteve de abater avião dos EUA com 35 pessoas, segundo Tasnim

O Irã se absteve de abater um avião norte-americano com 35 pessoas a bordo que acompanhava a aeronave não tripulada que foi abatida no Golfo Pérsico, disse um comandante da Guarda Revolucionária iraniana nesta sexta-feira.

Amirali Hajizadeh, chefe da divisão aeroespacial da Guarda Revolucionária, afirmou, segundo a agência de notícias Tasnim: “Com o drone norte-americano na região havia também um avião americano P-8 com 35 pessoas a bordo. Esse avião também entrou em nosso espaço aéreo e nós poderíamos tê-lo derrubado, mas nós derrubamos”.

Trump alertou Irã para ataque iminente e pediu conversas, dizem autoridades iranianas

Autoridades do Irã disseram à Reuters nesta sexta-feira que o país recebeu uma mensagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertando que um ataque norte-americano ao Irã é iminente, mas dizendo que não quer guerra, e sim debater uma série de assuntos.

A notícia sobre a mensagem, entregue via Omã de madrugada, veio pouco depois de o jornal New York Times dizer que Trump aprovou ataques militares contra o Irã nesta sexta-feira por causa da derrubada de um drone de vigilância dos EUA, mas os cancelou na última hora.

“Em sua mensagem, Trump disse que é contra qualquer guerra com o Irã e que quer conversar com Teerã sobre vários assuntos”, disse uma das autoridades à Reuters, pedindo anonimato.

“Ele deu um período de tempo curto para receber nossa resposta, mas a resposta imediata do Irã foi que cabe ao líder supremo (aiatolá Ali) Khamenei decidir sobre esta questão”, disse a fonte.

Uma segunda autoridade iraniana disse: “Deixamos claro que o líder é contra qualquer conversa, mas a mensagem será transmitida para que ele tome uma decisão”.

“Entretanto, dissemos à autoridade omanense que qualquer ataque contra o Irã terá consequências regionais e internacionais”.

Após semanas de tensão crescente, na esteira de uma série de ataques a navios-tanque na região do Golfo Pérsico, o Irã disse na quinta-feira que abateu um drone militar de vigilância dos EUA com um míssil terra-ar.

Após a derrubada da aeronave, Trump sinalizou que não está disposto a uma escalada no impasse com o regime em reação às suas atividades nuclear e de mísseis balísticos e ao seu apoio a forças que atuam em seu nome em vários conflitos no Oriente Médio.

Ele disse que o drone pode ter sido abatido por engano por alguém que estava agindo “como um idiota descontrolado”, mas acrescentou: “Este país não o tolerará”.

O incidente agravou os temores globais de um confronto militar direto entre os inimigos de longa data, e nesta sexta-feira os preços do petróleo subiram mais um dólar por barril, passando de 65,50 dólares, devido às apreensões a respeito de possíveis transtornos nas exportações de petróleo cru do Golfo.

Segundo um funcionário de alto escalão dos EUA citado pelo NYT, aviões decolaram e navios foram posicionados para um ataque retaliatório ao Irã, mas depois receberam ordens de não agir, e nenhuma arma foi disparada.

Teerã disse ter abatido um drone de vigilância sem armas Global Hawk enquanto ele espionava parte de seu território litorâneo, e nesta sexta-feira a televisão estatal mostrou o que disse serem seções recuperadas da aeronave.

Já Washington afirmou que o drone estava no espaço aéreo internacional sobre o Estreito de Hormuz.

Premiê israelense pede apoio aos EUA contra "agressão" do Irã

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocou nesta quinta-feira a comunidade internacional a apoiar os Estados Unidos contra o Irã em meio à escalada de tensões entre os dois países depois que um drone norte-americano foi abatido pelo Irã. 

“Nas últimas 24 horas o Irã intensificou sua agressão contra os Estados Unidos e contra todos nós. Eu repito meu pedido a todos os países que amam a paz para que fiquem ao lado dos Estados Unidos para impedir a agressão iraniana”, disse Netanyahu em uma declaração por vídeo. 

“Israel está com os Estados Unidos nessa”, disse.

Irã pede que comunidade internacional exija fim de ações desestabilizadoras dos EUA

O embaixador iraniano na ONU exortou nesta quinta-feira a comunidade internacional a exigir dos Estados Unidos o fim das “medidas ilegais e desestabilizadoras” no Golfo, alegando que o Irã não busca a guerra, mas vai agir para garantir segurança em seu território.

O embaixador do Irã, Majid Takht Ravanchi, em uma carta ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, disse que as forças iranianas atingiram uma aeronave norte-americana não-tripulada na quinta-feira, quando, “apesar das repetidas advertências de rádio, entrou no espaço aéreo iraniano”.

Irã discutirá salvação para acordo nuclear com potências europeias, China e Rússia

Autoridades de Irã, França, Alemanha, Grã-Bretanha, China e Rússia vão se reunir dia 28 de junho, em Viena, para discutir formas de salvar o acordo nuclear de 2015 com o governo iraniano, informou nesta quinta-feira a União Européia.

O encontro vai avaliar como “enfrentar os desafios decorrentes da retirada e re-imposição de sanções pelos Estados Unidos contra o Irã”, acrescentou a UE, referindo-se à decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de deixar o pacto no ano passado.

Autoridades do alto escalão dos seis países também vão avaliar “recentes comunicados do Irã sobre a implementação de seus compromissos nucleares”, informou o comunicado da UE, referindo-se às ameaças de Teerã de exceder os limites de seus estoques de urânio enriquecido antes do final deste mês.

O pacto nuclear de 2015 visa a impedir qualquer caminho para uma bomba nuclear iraniana em troca da remoção da maioria das sanções internacionais.

O governo iraniano declarou em maio que aliviaria o cumprimento do acordo nuclear em protesto contra a retirada dos EUA.

Putin diz que ataque dos EUA ao Irã seria uma catástrofe

O presidente russo, Vladimir Putin, disse na quinta-feira que um ataque militar dos Estados Unidos contra o Irã seria uma catástrofe para o Oriente Médio, que poderia provocar uma onda de violência e um possível êxodo de refugiados.

Putin disse, durante sua sessão de perguntas e respostas na TV, que a Rússia acredita que o Irã está em total conformidade com seus compromissos relativos a atividades nucleares e que as sanções contra o país são infundadas.

Trump diz que Irã pode ter abatido drone dos EUA por engano


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a participação do Irã no episódio do abatimento de um drone militar norte-americano na quinta-feira, dizendo que suspeitava que a aeronave tinha sido abatida por engano, e que “haveria uma grande diferença” para ele se a aeronave controlada remotamente fosse tripulada. 

Enquanto os comentários pareceram sugerir que Trump não está disposto a escalar ainda mais as tensões no último episódio de uma série de incidentes com o Irã, o presidente norte-americano também avisou que: “Este país não aceitará isso.” 

O Irã informou que o drone de vigilância Global Hawk, desarmado, estava em uma missão de espionagem sobre seu território, mas os EUA alegam que a aeronave foi abatida em espaço aéreo internacional. 

“Eu acho que, provavelmente, o Irã cometeu um erro -eu imagino que um general ou alguém cometeu um erro ao abater aquele drone”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca. 

“Não tínhamos ninguém nesse drone. Isso faria uma grande diferença, digo a vocês, se houvesse alguém dentro isso teria uma grande, grande diferença”, disse Trump ao se encontrar com o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, no Salão Oval da Casa Branca. 

Os Estados Unidos, que classificaram o incidente como um “ataque não-provocado” em espaço aéreo internacional, estão no meio de uma campanha para isolar o Irã e conter seus programas nuclear e de mísseis balísticos e para limitar seu papel em guerras regionais.

O incidente foi o último em uma série de episódios na região do Golfo, uma via crítica para o transporte e fornecimento mundial de petróleo, desde meados de maio, quando ataques atingiram seis petroleiros, colocando os governos iraniano e dos EUA em rota de confronto. 

Não está claro como os Estados Unidos poderão responder ao incidente, e a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, a principal democrata no Congresso, disse que o país não tem apetite para uma guerra contra o Irã. 

“É difícil acreditar que foi intencional, se você quer saber a verdade. Eu acho que pode ter sido alguém que estava solto e estúpido naquele dia”, disse Trump, em referência ao abatimento da aeronave. 

O governo Trump chamou importantes líderes parlamentares à Casa Branca para um briefing nesta quinta-feira sobre o Irã, segundo informou uma fonte familiarizada com a reunião. 

O Irã nega envolvimento nos ataques a petroleiros, mas os temores globais sobre novos conflitos no Oriente Médio que poderiam interromper as exportações de petróleo provocaram saltos nos preços de petróleo bruto. 

A Arábia Saudita, principal aliada dos EUA no golfo, disse que o Irã havia criado uma grave situação com seu “comportamento agressivo” e afirmou que consultaria outros países do Golfo Árabe sobre possíveis próximos passos.


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