COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

20 de Novembro, 2018 - 11:35 ( Brasília )

Europa Macron pede união franco-alemã para evitar "caos"

Em Berlim, presidente francês afirma que a Alemanha e a França têm obrigação de trabalhar para o fortalecimento da unidade europeia e faz alerta contra nacionalismo.

Em visita a Berlim neste domingo (18/11), o presidente francês Emmanuel Macron disse que cabe à França e à Alemanha a abertura de "uma nova etapa" na construção de uma Europa soberana para evitar o risco de "caos global". A declaração foi feita a seis meses de eleições europeias, em que as pesquisas prometem um forte impulso nacionalista.

"A Europa, e dentro dela o par franco-alemão tem a obrigação de não deixar o mundo mergulhar no caos e sim acompanhá-lo no caminho da paz, e, para isso, a Europa deve ser mais forte, mais soberana", declarou o chefe do Estado francês em um discurso no Parlamento alemão.

"A Europa não poderá desempenhar o seu papel caso se torne o brinquedo dos poderes e desempenhe apenas um papel secundário no cenário mundial", acrescentou Macron, que chegou à capital alemã para um dia de recordação das vítimas das guerras.

"Nossa verdadeira força reside na unidade”, disse Macron, que reconheceu ainda que "a Europa nem sempre foi um exemplo” nesse sentido. Ele afirmou também que a Alemanha e a França deixaram para trás um período de mais de 200 de "guerras impiedosas” e passaram a cooperar em todos os campos.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, com quem o chefe de Estado francês conversou, concordou com a ideia de que a Europa "está em uma encruzilhada" e deve definir "seu papel globalmente".

Mas por trás da "frente única" proclamada dois líderes, o discurso de Macron acabou ressoando como uma crítica implícita à procrastinação e à hesitação da Alemanha ante esta questão.

"É preferível ficar trancado em nossa imobilidade?", questionou Marcon, em uma clara alusão às hesitações do governo alemão de Merkel, depois de mais de um ano de atrasos nas propostas francesas para relançar uma Europa mais forte.

Os dois dirigentes marcaram a pauta deste domingo, em que recordam o centenário do final da Primeira Guerra em 11 de novembro em Paris, insistindo em uma mensagem de paz contra os "antigos demônios" do nacionalismo.

"A luta contra o desafio do populismo não está ganha", alertou Macron. "Implica assumir novos riscos, superar as dúvidas e os reticentes", enfatizou.

Em questões de defesa comum, pelo menos, a França e a Alemanha têm uma frente unida. Ambos, Emmanuel Macron e Angela Merkel, apoiam a ideia de um exército europeu, apesar das fortes críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vê nisso uma disputa pela OTAN.
 

Em outras questões, a harmonia franco-alemã é muito menos óbvia.

Este é o caso, por exemplo, de outra questão prioritária para Macron, a criação de um orçamento da área do euro para apoiar o investimento, que deve ser discutido segunda-feira em uma reunião de ministros das Finanças em Bruxelas.

Após meses de negociações, Paris e Berlim acordaram na sexta-feira sobre um quadro geral a respeito deste orçamento, mas não sobre o montante que permanece indefinido.

O chefe de Estado francês fez alusão a isso, ressaltando que "este novo passo nos assusta porque teremos que compartilhar, compartilhar nossa capacidade de decisão, política externa, imigração e desenvolvimento, e uma parte crescente de nosso orçamento e até recursos fiscais".

Paris e Berlim estão atualmente divergindo em outro projeto trazido para a Europa por  Macron, a taxação dos gigantes da internet.

A França quer que uma decisão seja tomada pela União Europeia em dezembro, e recentemente alertou que uma recusa da Alemanha será recebida como "uma quebra de confiança".

Angela Merkel teme uma reação dos Estados Unidos contra empresas alemãs e prefere adiar qualquer iniciativa europeia para 2021.

Além disso, a chanceler está no final de seu ciclo político. Confrontada com as crescentes críticas a sua política de migração, ela foi forçada a iniciar a sua retirada política.

Macron também enfrenta um declínio na popularidade em seu país e, recentemente, uma onda de protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis, assunto sobre o qual ele não falou neste domingo.



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