COBERTURA ESPECIAL - Crise - Geopolítica

21 de Fevereiro, 2018 - 10:30 ( Brasília )

Turquia alerta que forças da Síria em Afrin sofrerão consequências graves


A Turquia alertou nesta quarta-feira que forças pró-Síria que estão entrando em Afrin, no noroeste sírio, para apoiar uma milícia curda sofrerão “consequências graves” e serão vistas como alvos legítimos.

Um comboio de cerca de 40 a 50 veículos transportando forças do governo sírio tentou entrar em Afrin na terça-feira, mas recuou diante do fogo de artilharia de forças turcas em operação na região, segundo o porta-voz do presidente da Turquia, Tayyip Erdogan.

“Qualquer passo do regime ou outros elementos nesta direção certamente terá consequências sérias”, disse o porta-voz Ibrahim Kalin em entrevista coletiva. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, sediado no Reino Unido, disse que a ofensiva turca continuou de terça para quarta-feira, incluindo o bombardeio da principal cidade de Afrin.

Na terça-feira, um comandante da aliança militar pró-Assad disse à Reuters que as forças recuaram diante dos disparos, mas que retomaram seu avanço e se encontram em Afrin. A Turquia e seus aliados rebeldes sírios lançaram uma operação militar no mês passado para expulsar combatentes da milícia curda YPG de Afrin.

Ancara afirma que a YPG é um grupo terrorista e uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que mantém uma insurgência no sudeste turco há três décadas. “Qualquer passo lá visando apoiar a... organização terrorista YPG significará que eles estão se alinhando diretamente a organizações terroristas, e por isso se tornarão alvos legítimos para nós”, alertou Kalin.

O porta-voz disse ainda que a Turquia não está conversando diretamente com o governo da Síria, mas que suas mensagens estão sendo transmitidas indiretamente.

Forças pró-Síria entram em Afrin para ajudar curdos contra a Turquia


Forças pró-Síria entraram nesta terça-feira na região de Afrin, no noroeste sírio, para ajudar uma milícia curda na área a conter um ataque da Turquia, criando a perspectiva de uma escalada maior no conflito.

Pouco depois da chegada de um comboio de milicianos que empunhavam bandeiras da Síria e brandiam armas em Afrin, a mídia estatal síria relatou que a Turquia os alvejou com fogo de artilharia.

O confronto opõe diretamente o Exército turco e grupos rebeldes sírios aliados à aliança militar que apoia o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, complicando ainda mais o campo de batalha já intrincado do noroeste sírio.

O presidente turco, Tayyip Erdogan, descreveu o comboio como sendo composto por “terroristas” que agem de forma independente. Ele disse que o fogo de artilharia turca obrigou-o a retroceder, embora a milícia curda tenha negado isso.

A TV síria mostrou mais cedo o grupo atravessando um posto de verificação com a insígnia da força de segurança curda, alguns entoando “uma Síria, uma Síria” e dirigindo rumo ao interior do enclave. A ofensiva de um mês da Turquia visa expulsar a milícia curda YPG, que Ancara vê como uma grande ameaça de segurança à sua fronteira, de Afrin.

A YPG saudou a chegada de forças pró-governo --que incluíram milícias aliadas a Assad, mas não o Exército sírio propriamente dito-- e disse que está se mobilizando ao longo da linha de frente, diante da divisa turca.

A milícia não mencionou um acordo que, segundo relatou um oficial curdo no domingo, foi firmado com Damasco para que o Exército sírio entre em Afrin. Erdogan disse que havia chegado previamente a um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente do Irã, Hassan Rouhani, principais apoios internacionais de Assad, para bloquear o suporte do governo sírio aos combatentes da YPG.



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