COBERTURA ESPECIAL - Crise - Pensamento

02 de Fevereiro, 2017 - 22:30 ( Brasília )

Comentário Gelio Fregapani - Nacionalismo e unidade de comando



Assunto:Nacionalismo e unidade de comando

 
O que necessitamos: Nacionalismo e unidade de comando
 
 
O nosso Brasil está dando sinais de um país em decomposição aceitando suas empresas serem processadas pelo governo dos EUA, sem reação como se estivéssemos na China da Imperatriz Viúva, quando todos tiravam lascas daquele infeliz país. O Estado nacional é reconhecido quando marca a soberania no território e nos demais aspectos, especialmente naqueles que são do interesse prioritário da Nação, se a desunião de comando o impede de fazê-lo, estará atolado em um pântano difícil de sair.

A Constituição de 1988 desmontou os fundamentos do comando nacional, que soube enfrentar os desafios desde antes da Independência. Nestes últimos dois séculos tivemos guerras de grande porte nas fronteiras, revoluções, sublevações, lutas sangrentas no Rio Grande do Sul, revoltas populares e religiosas e participando da Segunda Guerra, o Estado brasileiro sempre soube se defender e manter a integridade nacional atuando com toda força disponível sem vacilação.

Agora novamente ameaçados, nos falha o "fator vontade", ficamos cheios de melindres em contrariar as ONGs indigenistas, somos os únicos a obedecer as decisões da ONU contra os nossos interesses e a aceitar tratados que prejudiquem o nosso desenvolvimento. A desesperança de uma reação nacional conduz ao aparecimemto das divisões ideológicas agravadas pela revolta causada pelo conhecimento de uma corrupção em larga escala de um lado e entreguismo deslavado do outro.

Dificilmente este processo de fragmentação será enfrentado sem um Poder centralizado forte e atuante que comande e lidere o conjunto do País. É a união que faz a força. Os países de poder geopolítico, EUA, Rússia e China, tem governos centralizadores e até autoritários. Com isto (e com um forte nacionalismo) conseguem ditar as regras do mundo; sem um governo forte estes países não teriam mais influência do que tem. Este é o motivo da diferença. Vamos ver o que acontecerá com o poderio norte-americano se a oposição a Trump acabar com a coesão dos Estados Unidos.

 Um dos erros da Constituição de 88 foi dar autonomia financeira às corporações que se tornaram ilhas de regalias, privilégios e desperdícios, assim como uma inédita autonomia financeira à universidades, coisa única no planeta, o que canalizou toda verba orçamentária para aumentar salários e regalias de juízes, professores e funcionários. Aliás, autonomia financeira no Brasil corre como água de enchente para a folha de salários e benefícios.

O Congresso brasileiro custa R$ 10 bilhões por ano, grosso modo R$ 6 bilhões para a Câmara e R$ 4 bilhões para o Senado, talvez o mais caro do planeta. A autonomia funcional neste caso se confunde com autonomia para gastar dinheiro público sem instância de controle.
 
As "autonomias" são o coração da Constituição de 88. Criadas como reação ao Período Militar foi uma das mais importantes causas do nosso caos econômico e importante fator da disseminação da corrupção.

As demonstrações de desgoverno estão tão frequentes que estamos passando atestado de perda de controle. A continuar assim logo alguém na ONU vai propor uma administração internacional para os setores que interessarem ao stablishment internacional, a começar pela Amazônia, alegando a incapacidade dos locais de gerir a região da maior reserva florestal do planeta. Se não conseguem controlar um presídio, como conservarão a maior floresta tropical do mundo?  (para eles, é claro).

O apogeu da fragmentação do Estado está no sistema partidário, o qual impede o Presidente de governar porque sua primeira tarefa é agradar a "base aliada" esfacelando seu governo em fatias com Ministros e Secretários desnecessários à custa do poder do Estado central. Cada qual tira um pedaço do poder e o que sobra é apenas uma carcaça desfigurada.

As gerações de políticos que vieram após o regime militar parecem ter perdido a noção de Estado Nacional que fazia parte da alma do País. Os constituintes de 88 pensaram muito em democracia e pouco no País, um grave erro.

O nosso País conviveu e progrediu com governos fortes seja no Império, no governo Vargas e o período militar. Com as constituições republicanas de 89, 46 e com a pior de todas – a de 88 só não regrediu no período Juscelino.

 A democracia não pode estar acima do Estado nacional, que é o responsável pela sobrevivência, pelo futuro e pela continuidade de novas gerações. O interesse da Pátria deve superar o interesse da justiça, de interesses pessoais e até da ética quando estiver em jogo a sua preservação e fortalecimento. O Brasil de hoje, numa saga suicida, aceita o desmonte dos fundamentos da economia de base, das suas empresas de infraestrutura, da sua cadeia de óleo e gás, da sua nascente indústria naval, da sua iniciativa de construção de um submarino nuclear, tudo sacrificado no altar de uma cruzada anticorrupção, ao mesmo tempo que outras formas de corrupção, desperdício e ineficiência prosseguem a um custo ainda maior que a corrupção de propinas, a corrupção dos mega salários, de infindável construção de prédios para a alta burocracia, dos desnecessários juros altos sobre a dívida pública, sem falar na corrupção dos contratos para manter o dólar baixo a favor da mercadoria estrangeira.

A imprensa comemora a recuperação de propinas de 2 ou 4 bilhões como se fosse uma vitória assombrosa, deixando passar coisas muito maiores: A corrupção da perda de 30% de grandes safras por falta de ferrovias e rodovias, a corrupção de uma burocracia de inúteis que alimenta a corrupção para fazer andar os processos,  diligências, certificações, despachos, autorizações, vistorias, laudos, tudo multiplicado pela complexidade consumidora de tempo e energia dos poucos que ainda se atrevem a empreender em nosso País.

Como foi possível o País comemorar a expulsão de construtoras brasileiras de nações da África e Américas sob o pretexto da luta anticorrupção, que nos valerá prêmios da Transparência Internacional e perda de mercados que levaram décadas para conquistar? Estamos comemorando imensos prejuízos para o País? Como um Estado nacional perde mercados de difícil conquista em nome de causas moralistas que só o Brasil persegue como se fossemos os purificadores do mundo?
 
De que nos vale ajudar a perseguir construtoras brasileiras que atuam no exterior?  Ganhar aplausos de promotores americanos? Só isto? O nosso País deveria ter uma projeção internacional muito maior do que tem, ser a principal potência regional e porta voz da América Latina e um dos players globais.

No entanto, o Pais se apresenta pequeno na arena das relações internacionais, modesto demais apesar de sua relevância. Mostra-se como um Estado fragilizado, sem vigor e sem presença, uma regressão do papel que teve no Império, no Estado Novo e no regime de 64. Depois se encolheu internacionalmente, pela pequenez de seus dirigentes, até estamos no Estado humilde que aceita corregedoria do Departamento de Justiça americano como se isso fosse algo natural.

Sabemos que aos grandes nações foram construídos por aventureiros. O Império Britânico por corsários e trapaceiros, o Império Americano por pistoleiros e grileiros que atravessaram do Atlântico ao Pacifico lançando ferrovias atropelando o que estava à frente.

Nações não foram construídas com beatos e nem com a Transparência Internacional e sim com grandes empreendedores cuja ficha jamais foi impecável e todas, sem exceção ocuparam seus territórios por resultado de pressões militares. Agora vem os outros quererem nos dar lição de moral e pior ainda nosso governo aceitá-la humildemente.

A nova configuração geopolítica representada pela eleição de Trump e o renascimento do nacionalismo na Europa apontam para um enfraquecimento da democracia, ou pelo menos desta anarquia ingovernável inspirada na Constituição Cidadã de 88, que concedeu centenas de direitos impossíveis de atender e apenas um dever: o de votar.

É claro que tínhamos que combater a corrupção generalizada representada pelo PT, mas não arruinar a economia por causa disto e não adianta combater só os efeitos da corrupção sem combater sua causa, basicamente o sistema partidário, mas não se deve demolir um modelo político sem ter pronto outro para por no lugar. Um Estado, por pior que seja, é melhor que o vácuo.

Levando em consideração a má qualidade dos possíveis sucessores, por pior que achemos o atual governo, movimentos para substituí-lo só podem fazer mal, nesta hora, mas já passa da hora de pensar um projeto de nação, mesmo que seja sob um governo necessariamente forte.

É hora de despertar. De escolher um próximo governo por sua plataforma e não mais por partidos.
 
Que Deus nos ajude nessa escolha
 
Gelio Fregapani



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