COBERTURA ESPECIAL - Crise - Tecnologia

01 de Janeiro, 2016 - 13:00 ( Brasília )

Mudanças climáticas tornam-se de altíssimo risco para cientista do INPE



Júlio Ottoboni
Especial para DefesaNet


As mudanças climáticas surgiram com uma violência somente projetada para 2030, segundo as projeções dos cientistas dos protocolos climáticos. Esse verão, com a adição da anomalia El Niño, deverá ser mais quente e potencializar grandes tempestades, formação de furacões e tornados e grandes ondas de calor.

São grandes também as possibilidades de 2016 se tornar o ano mais quente de todos os registros já feitos por pesquisadores em 165 anos de tomadas de temperaturas. A possibilidade de prejuízos bilionários por ação de tempestades, tornados e ondas de calor é imensa, principalmente em regiões do Brasil altamente adensadas e com economia de base industrial.

O ano de 2015 se encerra como o mais quente da história dos registros térmicos da Terra, superando 2014, que vem de uma sucessão crescente de anos com médias térmicas recordes, desde o início das medições em 1850.

O Natal em Nova York, geralmente uma época de neve e termômetros abaixo de zero, teve sua temperatura na casa dos 25 graus centígrados e chegou a desabrochar as flores sazonais como se fosse primavera. Temperatura aumenta 2,5 vezes mais rápida na Rússia, uma das nações que lideram o ranking dos grandes poluidores mundiais. A média foi de 0,42 graus por década, contra 0,17 grau para o restante do planeta.

No dia do Natal, choveu em Campinas (SP) o esperado para 20 dias em apenas 1h40, segundo a Defesa Civil do Estado. Uma série de tornados na região de Dallas matou 11 pessoas e destruiu bairros e cidades inteiras. Enquanto o estado do Texas ficava sob quase dois metros de neve em regiões onde não ocorre o fenômeno.

O registro de tornados no Brasil, embora com menos intensidade que nos Estados Unidos, também já é um recorde em 2015. A situação é extremamente preocupante, principalmente para o imenso fluxo de aviões que passam pelo corredor de tornados da América do Sul formado por São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, também incluindo o Paraguai e o Mato Grosso do Sul.

Aquecimento provoca aumento de catástrofes naturais, isso é fato comprovado cientificamente e inserido no discurso dos estudiosos do clima há mais de duas décadas e meia. Agora o mundo científico tem encarado os transtornos dos extremos climáticos como uma situação de guerra entre os transtornos provocados pelo homem na natureza do planeta.

Um dos mais proeminentes e respeitados cientistas da Terra do Brasil e no mundo, Antonio Donato Nobre, do Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de São José dos Campos, tem motivos de sobra para estar muito preocupado com o cenário que se desenha. 

“Temos muitas indicações de que o sistema climático esteja progredindo para uma fase exponencial de mudança. Ou seja, as coisas acontecem com velocidade geometricamente maior em sucessão. Tanto é que os modelos climáticos feitos principalmente com observações do passado previram agravamento dos fenômenos, mas não previram essa aceleração de efeitos”, explicou a gravidade do momento.

Há hoje uma pressão muito grande sobre o meio científico por uma precisão maior em suas previsões, tanto no campo meteorológico, como climatológico. Para explicar isso, Nobre faz uma correlação com o fato das pessoas contratarem seguros de seus bens, como carro, casa etc. Embora sem haver qualquer certeza sobre a probabilidade de sinistro.

“Não me parece nem justo, tampouco sábio, exigir da ciência uma certeza final sobre questões  imensamente mais complexas do que a chance de bater o carro. Precisamos agir com o risco percebido já, de imediato, sem mais delongas, porque lhe digo: na analogia imaginária que fiz, nenhuma seguradora, mesmo com as informações que temos estampadas nos noticiários sobre desastres,  veria chance de ter lucro segurando para mudanças climáticas”, destacou.

Para o cientista Nobre, o risco é altíssimo. “Portanto,  precisamos nos mesmos, cada ser humano na Terra, fazer seu seguro, pessoal e coletivo, através de ações estampadas em suas cidades e mesmo nas redes sociais, por centenas de iniciativas iluminadas e propositivas”.

Nota DefesaNet

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