COBERTURA ESPECIAL - Crise Militar - Defesa

19 de Março, 2019 - 09:30 ( Brasília )

Crise Militar - Reestruturação de carreira militar provoca divisão entre cúpula e base

Em grupos de WhatsApp, oficiais de patentes inferiores demonstraram insatisfação por avaliar que proposta em estudo pelo governo contempla gratificações apenas para militares em fim de carreira.



Tânia Monteiro
O Estado de S.Paulo

 
 
BRASÍLIA - A divulgação da proposta em estudo pelo governo de reestruturação da carreira militar gerou inquietação na tropa e obrigou o presidente Jair Bolsonaro e a cúpula das Forças Armadas a agir para acalmar os ânimos dos militares de patentes inferiores, que se sentiram prejudicados. O texto deve ser apresentado ao Congresso até amanhã no mesmo pacote da reforma da Previdência da categoria.


 

Ministério da Defesa

Nota à imprensa: Projeto de Lei sobre o Sistema de Proteção Social dos Militares


Brasília, 15/03/2019 -  Em relação a reportagens veiculadas pela imprensa de que o Projeto de Lei sobre o Sistema de Proteção Social dos Militares implicaria em gastos de “R$ 10 bi em uma década”, o Ministério da Defesa esclarece que a informação não é verdadeira.

Questionado sobre valores e possíveis déficits contidos no projeto, este Ministério comunica que as informações não condiziam com o texto da proposta, que ainda está sendo finalizada em conjunto com o Ministério da Economia, cumprindo os prazos estabelecidos.

Assessoria de Comunicação Social (ASCOM)

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Nota DefesaNet

Os ataques incluem também a própria máquina estatal.

O editor


 
Durante o fim de semana circularam por grupos de WhatsApp de militares várias versões da proposta. A temperatura das discussões se elevou porque uma delas sugere a criação de gratificações somente para oficiais de alta patente pela participação em cursos de habilitação militar, sem contemplar sargentos e suboficiais.
 
“Um general praticamente dobra o salário. Aí, vocês vão olhar o porcentual dos demais... Deixaram na mão dos generais, e eles decidiram”, escreveu um suboficial em um dos grupos aos quais o Estado teve acesso.
 
O Ministério da Defesa precisou se mobilizar ontem para negar que apenas a alta cúpula será atendida. O próprio presidente utilizou seu Twitter no domingo para tentar acalmar a tropa. “Possíveis benefícios, ou sacrifícios, serão divididos entre todos, sem distinção de postos ou graduações”, escreveu.
 
A reestruturação da carreira – com reajustes, aumento no bônus para ir para reserva e incremento das gratificações por qualificações – é uma exigência dos militares para serem incluídos na reforma da Previdência.

Bombeiro

  Dois integrantes do Alto Comando do Exército, os generais Ramos Baptista, comandante militar do Sudeste, e Geraldo Miotto, comandante militar do Sul, também foram para o Twitter atuar como bombeiro.


 

“É importante destacar que as distorções e inverdades que estão sendo divulgadas nos grupos de WhatsApp são, na maioria, em relação ao Plano de Reestruturação da Carreira Militar, que está buscando melhorias para as Praças e para os Oficiais! Exército único e indivisível!!!”, publicou o general Ramos. “Não vão conseguir nos dividir!!! Estamos juntos na mesma trincheira !!!”, reforçou o general Miotto, às 6h57, antes de o expediente começar.
 
O ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, também entrou no circuito. Ele convocou os comandantes militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para uma reunião, ainda pela manhã de segunda-feira, em seu gabinete. Discutiram a estratégia de atuação para reduzir a temperatura na caserna.

Pelo País afora, comandantes de tropas foram orientados a se reunir com os graduados e reiterar o discurso que jamais agiram em benefício de uns em detrimento de outros.

 

 
Subtenente do Exército, o deputado Hélio Bolsonaro (PSL-RJ), um dos parlamentares mais próximos de Bolsonaro, gravou um vídeo dizendo que esteve no Ministério da Defesa por mais de três horas: “Jair Bolsonaro vai atualizar a proposta e vamos sair ganhando”. 


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