COBERTURA ESPECIAL - Expansão Chinesa - Geopolítica

14 de Julho, 2017 - 11:50 ( Brasília )

Pesquisa aponta declínio dos EUA e ascensão da China como líder global

Trump diz considerar cotas e tarifas contra dumping de aço chinês

A percepção do papel de liderança econômica global da China frente aos Estados Unidos cresceu do último ano para cá, aponta levantamento do Centro de Pesquisa Pew conduzido em 38 países.

A mudança foi mais sentida na Europa. A China tomou o lugar dos EUA em 7 de 10 países da União Europeia ao ser apontada pelos entrevistados dessas nações como a líder da economia mundial.

Na média global, os americanos ainda são mais citados do que os chineses como líderes econômicos: 42% a 32%. Na média de cinco países europeus ouvidos na pesquisa —Alemanha, França, Reino Unido, Espanha e Polônia—, a China é vista como líder por 46% ante 34% para os Estados Unidos.

O declínio americano também foi registrado na América Latina. Apesar de ainda aparecer à frente de Pequim na pesquisa, Washington perdeu terreno como líder global na visão dos brasileiros, mexicanos, chilenos, venezuelanos e argentinos.

Apesar de ter registrado leve queda, a percepção favorável da China no mundo agora está próxima da dos EUA. A diferença de 14 pontos percentuais a favor dos americanos, observada nas pesquisas de 2014 a 2016, caiu para apenas dois pontos.

A mudança na imagem internacional de Pequim coincide com a piora da visão que o mundo tem de Washington depois da posse de Donald Trump como presidente.

Em pesquisa publicada em junho, o Pew mostrou que 49% das populações dos países do estudo gostavam dos EUA. Em 2016, no final da presidência de Barack Obama, esse índice era de 64%.

A China vem aproveitando a turbulência interna ocasionada pelo governo Trump para conquistar uma posição mais proeminente na comunidade internacional.

Em junho, quando o presidente americano anunciou que a saída dos EUA do Acordo de Paris sobre o clima, Xi Jinping se uniu ao coro de líderes ocidentais que criticaram a decisão de Trump.

O líder chinês, que em maio lançou um ambicioso projeto de investimentos em infraestrutura da ordem de US$ 100 bilhões em mais de 60 países, deve usar a melhora na imagem chinesa no exterior para se fortalecer no comando do regime.

No segundo semestre deste ano, Xi deve ser reconduzido ao segundo mandato de cinco anos à frente da China e supervisionará a renovação de até dois terços dos quadros do Partido Comunista Chinês.

Algo que une EUA e China é a má avaliação da capacidade de seus respectivos presidentes de lidar com assuntos globais. Na média dos 38 países, 53% não têm confiança em Xi Jinping. A situação para Donald Trump é ainda pior, pois 74% dos ouvidos afirmaram desconfiar da atuação do americano.

O presidente russo, Vladimir Putin, também é mal avaliado pela maioria na média global (59%). A alemã Angela Merkel é a líder global com melhor avaliação segundo o Pew: 42% dizem ter confiança na chanceler, enquanto 31% citam desconfiança.

Trump diz considerar cotas e tarifas contra dumping de aço chinês¹

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse que está considerando cotas e tarifas para lidar com o "grande problema" do dumping de aço da China e outros países.

"Eles estão fazendo dumping de aço e destruindo nossa indústria siderúrgica, eles estão fazendo isso há décadas e eu vou parar com isso. Isso vai parar", disse aos repórteres no Força Aérea Um durante um voo dos EUA para a França.

"Há duas maneiras - cotas e tarifas. Talvez eu faça ambos", disse ele.

As ações de siderúrgicas norte-americanas subiram com a notícia. O segmento na S&P 1500 chegou a subir 3 por cento após os comentários.

Os comentários de Trump fazem parte de uma promessa de campanha para ajudar a reavivar diversos setores industriais nos Estados Unidos, inclusive o siderúrgico.

O secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, disse nesta quinta-feira que vai apresentar a Trump uma série de opções para restrição de importações de aço, e uma decisão pode ser anunciada já na semana que vem, de acordo com diversos senadores que se reuniram com Ross no Comitê de Finanças do Senado, em uma sessão a portas fechadas.

¹com Reuters


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