COBERTURA ESPECIAL - Expansão Chinesa - Geopolítica

24 de Novembro, 2016 - 16:00 ( Brasília )

China corteja imprensa latina e tem recorde mundial de pedidos de patentes

China lidera inovações com 1 milhão de pedidos de patentes em 2015, diz ONU

O presidente chinês, Xi Jinping, pretende levar a cooperação com a América Latina e o Caribe ao campo da imprensa e da cultura, consciente de que este é um setor vital para firmar sua imagem na região.

Durante sua visita ao Chile na terça-feira, o presidente inaugurou a Cúpula de Líderes de Meios de Comunicação, em que participam durante dois dias uma centena de representantes dos principais veículos de 24 países da América Latina e Caribe e da China.

"Os meios de comunicação podem fazer um grande trabalho para dar continuidade e impulso à amizade entre ambas as partes", lembrou o presidente chinês na inauguração dessa "iniciativa criadora" que classificou de "grande evento na história do intercâmbio" entre as duas regiões.

Para revesti-la de uma aura de solenidade e neutralidade, a China quis que aconteça na Cepal, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe, organismo das Nações Unidas.

Em seu discurso de inauguração, Xi estimulou que os veículos da região abram sucursais e enviem correspondentes ao gigante asiático, disposto a oferecer-lhes as "melhores condições" para desenvolver seu trabalho.

Além disso, anunciou que, nos próximos cinco anos, seu país formará "500 profissionais" chinês na região, estabelecerá um Centro de Intercâmbio de imprensa América Latina e Caribe-China e convidará jornalistas latino-americanos a visitar e realizar estudos em seu país.

Alguns dos participantes já foram convidados nas últimas semanas a irem à China participar de seminários para explorar a cooperação em matéria cultural, em particular em cinema e televisão.

- Cooperação cultural -

"Essa política obedece a uma necessidade muito forte da China de expandir sua cultura sobretudo aqui na América Latina e podemos aproveitar algumas vantagens que podem abrir-se para nós", diz à AFP o cineasta argentino Miguel Pereira, um dos participantes do encontro, que acredita que, nos próximos cinco anos, a política exterior de Pekín para o continente vai estar "centrada no cultural".

Embora "seja muito difícil falar de cooperação entre países muito pequeninhos, grandes e gigantes como é China, que tem uma cultura milenar e uma paciência infinita" e sobretudo uma "política de Estado" de longo prazo, reconhece.

A China é um país questionado por sua censura à imprensa. No início deste mês, o parlamento aprovou uma lei sobre cibersegurança que limita a liberdade de expressão na internet e obriga as empresas, incluídas as estrangeiras, a cooperar com o Estado para "proteger a segurança nacional".

O parlamento chinês também aprovou uma lei de censura cinematográfica, que proíbe a partir de março de 2017 os conteúdos considerados prejudiciais para "a dignidade, a honra e os interesses do país".

A China também quer se transformar em potência mundial em exploração astronômica, para o qual assinou um convênio com a Universidade Católica do Norte (UCN) do Chile a fim de criar um observatório de pesquisa científica em Cerro Ventarrones, na região de Antofagasta, dentro do circuito onde ficam os principais centros de observação astronômica do mundo.

- América Latina, prioridade -

A prioridade da América Latina para a segunda economia mundial é demonstrada por ser esta a quinta visita feita por Xi à região -três como presidente e duas como vice-presidente.

Segundo o relatório "Relações econômicas entre América Latina e Caribe e China: oportunidades e desafios", apresentado na terça-feira pela Cepal, o comércio de bens entre os dois blocos se multiplicou 22 vezes desde 2000, alcançando seu máximo histórico em 2013.

Nos dois últimos anos caiu 23%, devido à desaceleração da China, que se traduz em uma menor demanda e na queda dos preços das matérias-primas que compõem o grosso da pauta exportadora da América Latina ao gigante asiático.

A China desbancou em 2014 a União Europeia como o segundo parceiro comercial da região, embora suas exportações sejam menos sofisticadas. Apenas cinco produtos representaram 69% do valor dos envios dos países latino-americanos à China em 2015.

Xi conclui nesta quarta-feira em Santiago a visita regional que também o levou ao Equador e ao Peru, onde participou da reunião do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (Apec), realizada no último fim de semana em Lima.

Diante da política protecionista anunciada pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, Pequim pretende se transformar em baluarte do livre-comércio mundial.

China bate recorde mundial de pedidos de patentes, aponta agência da ONU

A China apresentou em 2015 um milhão de pedidos de registro de patentes, superando o número acumulado entre americanos e japoneses, anunciou nesta quarta-feira em Genebra a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI).

Segundo um relatório sobre os Indicadores mundiais de propriedade intelectual, cerca de 2,9 milhões de pedidos de registro de patentes foram apresentadas no ano passado no mundo, um número recorde que aumentou em 7,8%.

O número de pedidos de registro de marcas subiu 15,3%, cerca de 6 milhões, enquanto o número de pedidos de registro de projetos e modelos industriais aumentou 2,3%.

Os chineses depositaram 1.010.406 pedidos, na frente dos americanos (526.296) e dos japoneses (454.285).

A maior parte dos pedidos se concentra na China, enquanto cerca de 40% foram feitos no exterior.

"Embora a China continue sendo o motor do crescimento mundial, a utilização da propriedade intelectual aumentou na maioria dos países em 2015, o que mostra sua importância crescente em uma economia de saber globalizado", comentou Francis Gurry, diretor-geral da OMPI, citado no comunicado.

O campo da informática (7,9%) foi onde mais fizeram pedidos, à frente de máquinas elétricas (7,3%) e comunicações digitais (4,9%).

No total, 1,24 milhão de patentes foram acordadas em 2015, o que eleva para 10,6 milhões o número de patentes em vigor, segundo os cálculos.

No ramo das marcas, 6 milhões de pedidos foram apresentados, dois quais quase a metade (2,83 milhões) foram na China. Essa quantia representa um aumento de 15,3% em relação a 2014, o maior aumento desde o ano 2000. Cerca de 4,4 milhões de marcas foram registradas em 2015 (+26,6%).

Finalmente, entre os projetos e modelos industriais, os pedidos de registro aumentaram 2,3%, após uma forte baixa em 2014. Neste ramo, a apresentação de pedidos chineses representou cerca da metade do total, com 569.000 pedidos de um total de 872.800, à frente de americanos e sul-coreanos.

Projetos e modelos sobre móveis representaram 9,4% dos pedidos, à frente dos setores têxtil (8,3%) e dos de embalagens e recipientes (7%).



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