COBERTURA ESPECIAL - Fuzileiros Navais - Naval

17 de Julho, 2019 - 10:35 ( Brasília )

Marinha do Brasil - Operação “Formosa 2019”


Até quarta-feira (17), a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) realiza a Operação “Formosa 2019”, no Campo de Instrução do município, em Goiás. Considerado o maior exercício realizado pela Marinha do Brasil no Planalto Central, a operação visa manter as condições de pronto emprego dos Fuzileiros Navais.

Os exercícios envolvem cerca de 1.900 militares; aeronaves; veículos blindados; carros lagarta anfíbios; mísseis superfície-ar; obuseiros de artilharia; e lançadores múltiplos de foguetes “Astros”. Em todos os exercícios são empregadas munições reais.

A novidade este ano é a utilização do Sistema Integrado de Comando e Controle do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), que visa facilitar o gerenciamento das ações no campo de batalha, possibilitar a obtenção de dados, viabilizar a comunicação entre os elementos de combate e realizar ações de guerra eletrônica contra forças adversas.

De acordo com o Oficial de Logística da FFE, Capitão de Fragata Leonel da Silva Júnior, o uso do sistema, de fabricação israelense, representa a passagem completa das operações de fuzileiros navais para o meio digital. “Tudo antes era feito de modo analógico, por meio de rádio e voz. Ainda estamos em fase de testes e a aquisição representará a modernidade para nossas operações”, declarou.

Lançador de foguetes “Astros”
 
É a primeira vez do Cabo Jeferson na Operação “Formosa”

Demonstração Operativa

Em 12 de julho, ocorreu a demonstração operativa da “Formosa 2019”, aberta para autoridades, jornalistas e convidados. O intuito foi apresentar uma síntese das principais atividades realizadas pelos fuzileiros navais. O evento iniciou-se com uma simulação de descontaminação de agentes nucleares, biológicos, químicos e radiológicos, seguida de uma visita guiada ao hospital de campanha montado no evento. Houve ainda uma apresentação de manobra tática, com carros blindados e demais sistemas de armas.

A Primeira-Tenente Gisela Moreira de Paula, que é farmacêutica e serve na Unidade Médica Expedicionária da Marinha, participa pela quinta vez da operação e acredita ser gratificante a experiência. “Além de cuidar da parte logística dos atendimentos médicos, vim para fazer as análises laboratoriais.

O melhor da ‘Formosa’ é ver o comprometimento dos fuzileiros com a missão de servir à sociedade”, afirmou. O evento contou com a participação da Associação de Veteranos do CFN. O Soldado Alberto Cassiano de Oliveira ingressou na Força em 1975, permanecendo por três anos.

Ele acredita que ao longo do tempo houve uma evolução significativa do CFN. “O uso da tecnologia hoje facilita muito os deslocamentos da tropa. A Marinha do Brasil não deixa nada a desejar a outras forças do mundo”, disse. O Cabo, fuzileiro naval, Jeferson de Alcântara Souza, serve no Rio de Janeiro-RJ e está pela primeira vez da operação.

Ele afirmou que a oportunidade foi muito proveitosa para a sua carreira. “Tudo aqui é muito profissional. É excepcional ver o uso integrado de artilharia, blindados, aeronaves de asa fixa. Você vê tudo acontecendo no terreno, o exercício completo. Essa é a parte que eu mais gostei”, contou.

Militares durante exercício de descontaminação de agentes nucleares
 
Almirante de Esquadra Nazareth proferiu palavras à tropa ao final do evento demonstrativo



O Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Leonardo Puntel, esteve presente ao evento e afirmou que a região onde ocorre a operação é estratégica para o adestramento da tropa. “O Campo de Instrução de Formosa pertence ao Exército Brasileiro que, gentilmente, cede a área para o CFN realizar esse adestramento.

Esse local é muito importante pelas suas dimensões. Possui cerca de 58 km de comprimento, por 30 km de largura, o que permite termos uma grande área de manobra para desdobrar nossas tropas no terreno e também fazer exercícios de tiro, com foguetes ‘Astros’, munição de artilharia de campanha de 105mm e armamento de infantaria, fuzil e metralhadoras”, declarou.

O Almirante Puntel acrescentou que é prática constante da Marinha do Brasil convidar observadores de Forças Navais estrangeiras para os adestramentos. “Este ano, a Operação ‘Formosa’ recebe representantes das marinhas do Equador, Estados Unidos e Portugal”, disse.

O Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Celso Luiz Nazareth, encerrou o evento, parabenizando os militares envolvidos na operação. “Neste momento de grande alegria, comprimento a cada um dos senhores, do soldado mais moderno ao almirante mais antigo, por tudo o que nós conseguimos ver aqui.

O profissionalismo, a ética, a correção, a determinação, a honra, e o dever bem cumprido de cada um enchem-nos de motivação. Nós, chefes navais e chefes militares que representam outras instituições, sairemos daqui sabendo que estamos no caminho certo e, com determinação e muita ética, continuaremos nossas atividades e nossos trabalho em prol das nossas instituições e do nosso País. Parabéns a cada um e recebam o nosso ‘Bravo Zulu’. Adsumus!”.

Uma mulher à frente do pelotão

A Segundo-Tenente Liana é a primeira mulher a comandar um pelotão de infantaria na história da Marinha

Um dos destaques da edição de 2019 da “Formosa” é a participação da Segundo-Tenente, fuzileiro naval, Liana Arduíno de Magalhães, que, após 17 anos como praça, tornou-se oficial do CFN.

Ela ingressou em 2001 como sargento músico e, em 2018, passou a fazer parte do Quadro Auxiliar de Fuzileiros Navais. É a primeira vez, na história da Força Naval, que uma oficial mulher comanda um pelotão de infantaria.

À frente de 44 militares, a tenente Liana afirma sentir-se realizada e preparada para prosseguir em sua carreira na Marinha. “Liderar um pelotão está sendo muito gratificante, estou vibrando bastante. Essa operação é muito maior do que os treinamentos que eu tive. Estou muito feliz”, declarou.

A tenente Liana acrescenta que, apesar de exercer um papel inusitado, não sofreu preconceitos ou dificuldades na função. “Após a formação como oficial, fiz o curso de aperfeiçoamento em Guerra Anfíbia, o que me qualificou para ser uma comandante de pelotão.

No início, os meus subordinados acharam estranho serem liderados por uma mulher, contudo, desde o início eu soube me impor como oficial e hoje sinto-me muito respeitada”, disse.

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