COBERTURA ESPECIAL - Brasil - EUA - Defesa

27 de Março, 2019 - 02:30 ( Brasília )

BR-US: “A cobra vai fumar”, diz Secretário de Defesa Patrick Shanahan

Frase é alusão à participação da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra; ministro Fernando Azevedo e Silva está em Washington, onde discute colaborações na área militar

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Paola de Orte
 especial para O Globo

 
WASHINGTON - Em reunião nesta terça-feira no Pentágono com o ministro da Defesa brasileiro, general Fernando Azevedo e Silva, o secretário de Defesa em exercício dos EUA, Patrick Shanahan, disse que "o espírito da velha expressão das Forças Armadas brasileiras continua verdade hoje: a cobra vai fumar".
 
A fala aconteceu quando o secretário descrevia os temas nos quais gostaria de trabalhar conjuntamente com o Brasil, como cooperação e colaboração industrial na área de defesa, pesquisa e desenvolvimento, área cibernética e do espaço.



– Eu sei que o comando ciberespacial dos Estados Unidos, junto com o Comando Sul dos Estados Unidos, quer trabalhar com o comando do Brasil para fortalecer a segurança nessas áreas – afirmou ele. – O espírito da velha expressão das Forças Armadas brasileiras continua verdade hoje: a cobra vai fumar.

Shanahan fazia referência à expressão usada durante a Segunda Guerra Mundial pelos militares brasileiros. Durante as negociações para o Brasil entrar na guerra ao lado dos Aliados, surgiu a brincadeira de que o Brasil só teria uma Força Aérea própria e entraria na guerra “no dia em que a cobra fumasse”. Depois de os planos de Getúlio Vargas se concretizarem, surgiu a expressão “a cobra vai fumar”.

A colaboração entre Brasil e Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial foi citada diversas vezes na última semana em Washington, desde a visita do presidente Jair Bolsonaro à capital americana. Nos jardins da Casa Branca, Trump disse que “na Segunda Guerra Mundial, o Brasil foi o único país sul-americano a contribuir com tropas para o esforço dos Aliados”.
 
O general Azevedo e Silva também citou a cooperação durante a reunião no Pentágono:

– Um fato que nos aproximou muito foi estarmos juntos lutando pela democracia na Segunda Guerra Mundial. Estávamos lado a lado, Brasil e Estados Unidos, nos campos da Europa durante a guerra — afirmou. — Os próprios brasileiros não acreditavam no nosso sucesso durante a guerra e até falavam que era mais fácil a cobra fumar do que os soldados brasileiros terem êxito junto com os americanos nos campos de batalha da Europa. E a cobra fumou.




Antes da reunião, jornalistas perguntaram ao ministro se o Brasil cogitava a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela.

– Não estamos verificando esta hipótese. O Brasil torce e tem certeza de uma solução pacífica e rápida em relação à Venezuela – respondeu Azevedo.

Bolsonaro tem vinculado a sua imagem aos Estados Unidos e a Donald Trump, cujo mandato se encerra no próximo ano. Segundo especialistas, a estratégia lhe trouxe vitórias durante a viagem a Washington na semana passada, mas também acarreta riscos de subordinação e de alinhamento automático, além de possíveis indisposições com outros países, como potênciais europeias e a China.

 

Agenda do Ministro da Defesa Fernando Azevedo,em Washington (EUA),na terça-feira, como publicado no site do Ministério da Defesa.

10h – Reunião com o Secretário de Segurança Nacional, John Bolton.
Local: Casa Branca



11h15 - Cerimônia no Cemitério de Arlington.
Local: Cemitério Nacional de Arlington



12h30 - Almoço com Embaixador do Brasil e Adidos Militares.
Local: Embaixada do Brasil em Washington



15h - Encontro com Secretário de Defesa dos EUA, Patrick Shanahan.
Local: Departamento de Defesa/Pentágono



19h30 – Jantar com o Secretário de Defesa dos EUA, Patrick Shanahan.



O ministro brasileiro foi recebido no Pentágono em uma cerimônia que contou com honras militares, incluindo tiros de canhão e a execução do hino nacional brasileiro pela banda militar, logo antes da execução do hino americano. O general assistiu à cerimônia ao lado do secretário de Defesa, que havia dito pouco antes que esperava que a reunião fosse “ótima”.


O secretário de Defesa americano falou que a visita de Bolsonaro aos Estados Unidos mostrou que a “relação entre Brasil e Estados Unidos está entrando numa nova era” e que o fato de Trump ter designado o país como grande aliado extra-Otan reflete a “realidade do Brasil como um parceiro estratégico e respeitado”.

– A liderança do Brasil no nosso hemisfério e para além dele é bem-vinda – afirmou Shanahan.

O ministro da Defesa brasileiro também fez comentários bem-humorados. Disse que morou nos Estados Unidos quando era criança, mas que, naquela época, aprendeu só as palavras que o interessavam:  hot dog,   cheeseburguer  e  ice cream .

Ele também destacou o interesse do Brasil em avançar a negociação para que o Brasil seja um grande aliado extra-Otan dos Estados Unidos.

–Temos consciência da importância da liderança do Brasil no cenário sul-americano.

Se confirmada, a designação do Brasil como “aliado importante extra-Otan” possibilitará ao país ter acesso a vantagens militares e financeiras, como a aquisição de equipamentos militares americanos excedentes a preços baixos e a participação em projetos de pesquisa e desenvolvimento com o Departamento de Defesa dos EUA. Embora a designação conferida por Washington não implique em obrigações, contrapartidas politicas são esperadas por Washington, afirmam especialistas.

 

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