COBERTURA ESPECIAL - Brasil - EUA - Geopolítica

16 de Agosto, 2018 - 08:30 ( Brasília )

BR-US - Discurso do Secretário de Defesa James Mattis na ESG




Secretário de Defesa James N. Mattis
Escola Superior de Guerra - Rio de Janeiro
Rio de Janeiro, 14 Agosto 2018
Texto original em inglês Link

 

 

STAFF: Presente no auditório, Sua Excelência James Norman Mattis, Secretário de Defesa dos EUA, acompanhado por Sua Excelência General do Exército Décio Luis Schons, Comandante da Escola Superior de Guerra do Brasil, e oficiais militares.

GENERAL DÉCIO LUIS SCHONS: Bom dia a todos, senhoras e senhores. É para mim uma honra receber o General Jim Mattis, Secretário de Defesa dos Estados Unidos, na Escola Superior de Guerra do Brasil, que foi fundada há 69 anos. Temos uma longa história de cooperação e amizade.

General Mattis, estamos entusiasmados – mais do que isso – estamos extremamente entusiasmados com a perspectiva de ouvir suas palavras e aprender com suas experiências, não apenas por causa da alta posição que você ocupa na hierarquia de seu governo, mas, em geral, pelos os exemplos que você, como fuzileiro naval, como militar e como soldado, foi para todos nós – para seus compatriotas e para todos nós, homens de farda e civis que dedicam suas vidas a servir os nossos países.

Então, estamos aqui para ouvir suas palavras e não as minhas. Aproveito a oportunidade para, mais uma vez, lhe agradecer por dedicar este momento, estas horas de seu precioso tempo para estar aqui conosco. Este é o melhor momento do nosso ano letivo de 2018.

Obrigado, General Mattis.

STAFF: Registramos a presença do Almirante Leonardo Puntel, Diretor-Geral de Navegação, e outros oficiais militares.

Bom dia, senhor Jim Mattis. Eu apresento o Sr. Jim Mattis, Secretário de Defesa dos Estados Unidos.

(…)

Bem vindo à Escola Superior de Guerra.

SECRETÁRIO DE DEFESA JAMES N. MATTIS: Bem, obrigado. É uma honra estar aqui. Acho que é a recepção mais calorosa em que já estive. Mas também gostaria de agradecer a vocês – os oficiais militares e os estudantes daqui – por disporem seu tempo para me ouvir. E é muito bom estar no belo Rio de Janeiro. É uma cidade mais antiga que meu país, mas, acima de tudo, estar aqui em uma instituição imersa em tradições de valor, excelência acadêmica e serviço ao seu país.

E acho que vocês têm sido admirados nos Estados Unidos por muitos anos – esta escola. Eu estava contando mais cedo ao General Schons que vou visitar quatro escolas diferentes. Uma na OTAN, em Roma, uma em Canberra, uma em Singapura e esta aqui porque eu também estou tentando aprender como adaptar nosso currículo a qualquer uma das quatro escolas que escolhi e esta é uma dessas quatro. E também é interessante que ontem mesmo ela tenha sido reconhecida como uma universidade de ponta no campo militar profissional. Esta é uma oportunidade maravilhosa para que vocês, alunos, reflitam sobre sua paixão e sua profissão. É uma chance de aprender uns com os outros – nós chamamos isso de “ferro afiando ferro”, você aprende com os outros ao seu redor o que eles aprenderam durante tantos anos de serviço. Na Escola de Guerra, você cria relações duradouras por meio do trabalho, das forças armadas e, certamente, nos quatro países internacionais representados aqui.

Temos orgulho de ser um desses quatro, ao lado do Peru, do México e do Paquistão. Quero só dizer  que não há um outro lugar onde eu esteja mais ansioso para passar meu tempo do que entre os jovens oficiais que estão tentando melhorar a si mesmos e chegar ao topo. E seu país, suas forças armadas esperam que você saia desta escola mais preparado pelo tempo passado aqui – fisicamente mais em forma, mentalmente mais afiado e espiritualmente mais forte como resultado do compromisso de lhe proporcionar esse tempo. Portanto, espero que minhas palavras hoje, durante esses minutos aqui possam ser valor para vocês e, certamente, terão uma chance de fazer perguntas no fim desta palestra.

Eu venho diante de vocês aqui no Brasil em nome de meus sucessores, com todo respeito pelo nosso passado, mas sabendo que meus sucessores no futuro irão, espero, se beneficiar da troca de ideias que teremos hoje. Também estou aqui para reconhecer nossos valores comuns e continuar cuidando do nosso destino compartilhado como compatriotas americanos e as duas maiores democracias do hemisfério, e como defensores de nossos valores interamericanos: a defesa da democracia; o respeito pelos direitos humanos fundamentais; a lei; e a paz em nosso hemisfério e globalmente – e isso tem sido manifestado pela liderança brasileira desde as águas do Líbano à república centro-africana, pois sua liderança militar é notada em todo o mundo entre as forças armadas profissionais.

Esses valores que protegemos encontram expressão elegante e concisa no artigo I da Carta Democrática Interamericana: “Os povos das Américas têm direito à democracia e seus governos têm a obrigação de promovê-la e defendê-la”. E vocês, oficiais altamente selecionados aqui nesta faculdade de guerra, são a manifestação humana dessas palavras, demonstradas por seu desempenho ético do dever ao assumir lugares tão cobiçados nesta instituição altamente respeitada.

Então, por que eu, um secretário de defesa americano, recito o Artigo I em uma escola de guerra de primeira linha? Porque cada um de vocês é um líder, seja nas forças armadas ou na lei, nas finanças, na medicina. Vocês não teriam sido selecionados para esta escola superior se fosse de outro jeito. E vocês decidirão como defenderemos o direito à democracia no futuro. Vocês tomarão essas decisões muito depois de mim, meus colegas, depois que nos aposentarmos, elas estarão sobre seus ombros jovens. E vocês são todos muito jovens em comparação a mim.

Eu diria também que aqueles entre nós que obtiveram sucesso modesto em nossa linha de trabalho, nós devemos isso a vocês. Não é um favor para mim vir aqui. Devemos contar-lhes o que aprendemos ao longo do caminho, como lidamos com o sucesso ou o fracasso nos desafios que enfrentamos.

Os EUA estão pensando a longo prazo em relação à América Latina – no Brasil, reconhecemos que o sucesso e a segurança das gerações futuras dependem de quão bem criamos hoje uma confiança em todos os níveis com nossos aliados do hemisfério ocidental e nossos parceiros. Nós olhamos para o futuro; devemos criar a confiança hoje.

Os EUA procuram ganhar sua confiança diariamente; queremos ser escolhidos seu parceiro, especialmente quando o problema aparecer – quando precisarem lidar com os fluxos de refugiados através de suas fronteiras, quando acontecer um desastre em uma marinha sul-americana e um submarino afundar, quando houver ameaças à sua soberania ou ao seu estilo de vida.

Então, deixem-me fechar as lacunas entre nós, compartilhando brevemente meu passado: sou filho do oeste americano. Cresci em uma pequena cidade nas margens do Rio Columbia, um rio que desempenhou um papel enorme na minha região como o Rio Amazonas no Brasil.

Fui criado pela Geração Grandiosa – como chamamos aqueles que serviram na Segunda Guerra Mundial. Essa é a mesma geração que lutou ao lado da Força Expedicionária Brasileira em Monte Castelo; esses são os mesmos norte-americanos que voaram ao lado de seus pilotos de caça em P-47 Thunderbolts; nossos marinheiros que caçaram U-boats alemães com vocês no Oceano Atlântico, onde a Marinha do Brasil escoltou mais de 3.000 navios – e perdeu apenas três, uma conquista impressionante. Nas forças armadas dos EUA, não nos esquecemos de nossa dívida com vocês quando estávamos por baixo e vocês ficaram firmes ao nosso lado.

Nossos idiomas podem ser diferentes, mas quatro décadas de serviço militar me ensinaram que os militares têm uma linguagem própria e uma maneira especial de transformar estranhos em família. Nas palavras do ministro Silva e Luna, “como soldados, temos a mesma identidade”. Então, apesar de não nos conhecermos pessoalmente, conheço o seu caráter, porque escolheu um caminho definido pela disciplina e pelo perigo a serviço da humanidade na nação que você ama e os princípios que compartilhamos – proteger o povo preservando os princípios que sustentam um hemisfério próspero, colaborativo e seguro.

Deixem-me compartilhar com vocês hoje a contribuição do Departamento de Defesa dos EUA com esta responsabilidade conjunta e falar sobre alguns pensamentos para vocês, oficiais mais jovens.

Minha responsabilidade formal e designada é, como vocês bem sabem, aconselhar meu comandante-em-chefe eleito sobre o uso da força, dando a ele opções militares caso a dissuasão falhe. Também mantenho relações com meus colegas, ministros da Defesa em todo o mundo, e certamente forneço supervisão ativa – supervisão civil – das operações militares em áreas como a Síria e o Afeganistão. Vocês sabem qual é meu trabalho real? Meu trabalho real é tentar manter a paz por mais um ano, mais um mês, mais uma semana, mais um dia, enquanto os diplomatas tentam encontrar uma solução para problemas muito difíceis.

Em termos de prioridades reais do Departamento de Defesa que designei para oficiais militares e minha equipe civil, basicamente tenho apenas três linhas de esforço. Primeiro, aumentar a letalidade dos militares americanos. Quero que qualquer adversário saiba que é muito melhor lidar com o nosso Secretário de Estado e nossos diplomatas. Eles não querem lidar comigo e com meus soldados, marinheiros, aviadores e fuzileiros navais. Em um mundo imperfeito, nós, nas forças armadas, devemos manter o controle ético do nosso uso da violência no campo de batalha. Nunca devemos esquecer que todo campo de batalha é também um campo humanitário de pessoas inocentes. Em segundo lugar, quero ter certeza de que fortalecemos e ampliamos nossos relacionamentos com os aliados. E é muito simples. Nações com aliados prosperam; nações sem aliados não sobrevivem.

Então, tenho isso muito claro em minha mente. Minha terceira linha de prioridade é reformar nossas práticas de negócios dentro do Departamento de Defesa, para que eu possa manter a responsabilidade pelo dinheiro público, sem corrupção, e poder olhar nosso Congresso nos olhos e dizer que eu gastei honestamente cada centavo do nosso Tesouro, do que tiramos dos bolsos dos contribuintes americanos. Tenho que manter a integridade gerencial desses processos.

Hoje, vou focar principalmente em nossa segunda prioridade por razões óbvias, quando falo sobre o papel dos aliados. Porque a história é convincente para mim e é essa apreciação histórica de que toda nação precisa de aliados que me atraiu para o seu país hoje e sustenta muito do que faço todos os dias. No mês que vem, a propósito, estarei na Ásia conversando com nossos aliados lá e no mês seguinte estarei na Europa. É um esforço constante. Isso não é algo que você cria em um dia, entra, faz um discurso, sai e esquece. Deve ser sustentado e só pode ser sustentado com máximo esforço. Não é algo que simplesmente acontece.

Falo sobre isso porque, nas minhas quatro décadas de serviço militar, tive o privilégio de lutar muitas vezes pelos Estados Unidos; em nenhuma ocasião eu lutei em uma formação unicamente americana. Sempre foram coalizões – isto é, esforços multinacionais. Este é um trabalho árduo, e Winston Churchill disse bem: “Que a única coisa mais difícil do que lutar com aliados é lutar sem aliados”.

Então, ao falar com militares de alta patente dos EUA, eu digo que precisam aprender a construir harmonia. Se eles não conseguem criar confiança através das fronteiras,  das forças militares, dos trabalhos em conjunto, das cooperações civis-militares, se eles não conseguem criar confiança e harmonia nas operações, então suas lideranças em alta patente são obsoletas e eles deveriam ir para casa porque não me servem.

Também digo que devem estar dispostos não apenas a ouvir os oficiais de outras nações. Não quero que meus oficiais apenas ouçam outras nações e depois começem a falar sobre seus próprios assuntos. Eu quero que eles estejam dispostos a serem persuadidos por outros que cresceram em diferentes culturas e têm ideias diferentes. Eu coloco isso para eles no estilo militar, eu os lembro de que nem todas as boas ideias vêm da nação que tem mais porta-aviões.

Aprendi isso quando era um jovem segundo-tenente em 1972, passando por treinamento básico em Quantico, no estado de Virginia. Naquele Pelotão de Tenentes 50, tivemos um Primeiro-Tenente fuzileiro naval brasileiro. E no segundo mês dos oito meses de aulas que tivemos lá, aprendendo a ser jovens oficiais, ele estava nos dando aulas sobre operações ribeirinhas, desde patrulhamento até apoio logístico e instalações de bases de patrulha e coleta de informações e, assim, meu primeiro trabalho como fuzileiro naval me mostrou o valor extraordinário dos aliados e o que eles trazem para qualquer local.

Continuamos hoje focados no fortalecimento de nossos relacionamentos de militar para militar porque buscamos um hemisfério colaborativo, próspero e seguro – no qual individual e coletivamente mantemos a consciência situacional em todos os domínios: no ar, na terra, no mar, certamente no espaço hoje, e no ciberespaço. Esta é uma época em que compartilhamos informações sobre nosso ambiente com nossos vizinhos; É um hemisfério em que nos concentramos em prioridades nacionais, regionais e hemisféricas, confiantes de que poderemos enfrentar futuras surpresas, sejam elas ameaças de atores estatais, atores não estatais, até mesmo a mãe natureza, ou qualquer outro oponente que possa ameaçar o futuro bem-estar de nossos cidadãos que vocês e eu juramos proteger.

Estou confiante nesta visão hoje por causa do trabalho que nossos militares estão fazendo juntos.

No mês passado, o Chefe das Operações Navais dos EUA, Almirante Richardson, esteve na Colômbia para a Conferência Naval Interamericana para ouvir e discutir o papel e a responsabilidade de nossas marinhas contra o tráfico de drogas e redes ilícitas. E essa viagem foi seguida por uma visita ao Brasil para conhecer o almirante Leal Ferreira e sua equipe na Marinha. No próximo mês, nossas marinhas vão treinar lado a lado para operacionalizar esses conceitos quando a Colômbia abrigar o UNITAS, o exercício marítimo multinacional anual mais antigo do mundo, porque nossos relacionamentos vão muito além do combate aos narcotráfico, estamos construindo pontes – pontes mais amplas e pontes mais fortes de confiança entre nossos povos.

Durante 22 anos, as tropas americanas e chilenas treinaram lado a lado nos treinamentos do Pacífico. E este ano o Chile tornou-se o primeiro país latino-americano a servir como comandante de forças marítimas combinadas para o treinamento. Eles também hospedarão o exercício Southern Star este mês. E vemos isso como um amadurecimento  natural e merecido da liderança compartilhada com nossos camaradas de armas.

E isso me traz de volta ao Brasil: em abril, peguei o telefone e ouvi a voz do ministro Silva e Luna do outro lado. Conversamos por um tempo. Ele falou longamente sobre o que eu esperava que fosse sua visão e eu escutei. E depois falamos mais um pouco. Quando nossa chamada terminou, eu orientei minha equipe para transformar nossa relação de defesa com o Brasil – para reenergizá-la – construindo sobre a base sólida que já temos, mas lembrem-se que as relações humanas nunca permanecem as mesmas. Elas ficam mais fortes ou mais fracas.

Elas não permanecem as mesmas. E estou comprometido com um relacionamento mais forte. Pessoalmente, estou comprometido com esse trabalho e, além disso, os interesses estratégicos de nossas nações estão alinhados com ele. Não precisamos procurar um terreno comum. O terreno comum já está lá.

Juntos, procuramos fortalecer uma parceria estratégica e cooperativa que seja transparente, confiável e estável, porque vemos um futuro brilhante à frente – para o Brasil e para nosso hemisfério. E estamos bem conscientes das dificuldades pelas quais vocês passaram, políticas e econômicas. Todo país passa por isso de tempos em tempos. Nós temos que manter a fé.

Vemos esse futuro refletido na liderança global demonstrada pelo Brasil, de missões de remoção de minas na América Central e do Sul a missões de manutenção da paz no Haiti, no Líbano e na África Central. Vemos esse futuro em sua resposta prudente às ações desestabilizadoras da Venezuela, quando vocês se juntaram à resposta regional do Grupo de Lima e da Organização dos Estados Americanos. E nós permanecemos com o Brasil e outros da região contra essa instabilidade que atravessa fronteiras, assim como estamos com o povo da Venezuela, em meio à tragédia que foi imposta a eles por um regime opressor e sedento de poder que força refugiados a seguirem para o Brasil, a Colômbia e outros lugares.

No relacionamento militar mais amplo, também vemos oportunidades futuras de pesquisa avançada com o Brasil, particularmente no espaço. Escolhemos o Brasil não porque está ao longo do Equador, um feliz acidente geográfico, mas porque queremos trabalhar com brasileiros, nossos vizinhos hemisféricos, cujos valores compartilhamos politicamente, assim como prezamos sua impressionante orientação tecnológica. Outros não podem dizer o mesmo com credibilidade.

Nós vemos o futuro em comércio militar bidirecional. O programa de vendas militares estrangeiras dos EUA é inigualável e temos o melhor equipamento testado em combate do mundo. Acreditamos que as nações podem escolher livremente onde comprar e nós respeitamos isso. Afinal, amigos não exigem que você faça escolhas entre eles. A América não está querendo ganhar dinheiro rápido; queremos conquistar e manter amigos, compartilhando nossa tecnologia mais comprovada em combate e aproveitando suas áreas de especialização. Acreditamos que é do interesse da América que sua base industrial seja competitiva internacionalmente.

Mencionei anteriormente que a passagem do tempo não apagou a lembrança de minhas forças armadas sobre a coragem do Brasil em guerras passadas – tempos difíceis. Foi há 76 anos, neste mês, que o Brasil declarou guerra aos Poderes do Eixo, bem antes de os Aliados desembarcarem no norte da África, e nos tempos sombrios das democracias, estávamos em nosso caminho inverso.

Até mesmo a praia de Copacabana ficava às escuras – para evitar dar silhuetas aos navios que entravam no porto e, assim, tornar-se uma presa fácil para os submarinos alemães. Nessa época, o Brasil tornou-se o primeiro país sul-americano a enviar uma força expedicionária através do oceano, liderada por oficiais que haviam treinado ao lado do exército americano em Fort Leavenworth, no Kansas.

Esses “Febianos” suportaram 229 dias de combate contínuo na Itália. Eu nunca, em todas as minhas guerras, passei por 229 dias de combate constante. Na batalha de Monte Castelo, a sede da divisão brasileira foi bombardeada por dias. Quando perguntado se eles queriam sair da mira, o comandante, general Mascarenhas respondeu, e eu o cito aqui: “Quando eu mudar essa sede, será para frente e não para trás”. Então, senhoras e senhores, com respeito à liderança desse comandante, que ainda ressoa hoje, nesse mesmo espírito, sempre que mudamos nosso relacionamento EUA-Brasil, ele será para frente, não para trás.

Agora, se eu puder falar com vocês oficiais por um momento em um nível mais pessoal. Quando vocês chegarem à minha idade, e certamente, à idade do soldado que está aqui, que agora tem 91 anos e lutou lá na Itália, eu gostaria apenas de dizer que vocês vão querer compartilhar as coisas que acharam úteis. Então, algumas observações aqui.

Uma delas é sobre defender o “direito à democracia” de nosso povo, para manter a fé ao lidar com contradições humanas e polaridades naturais que existem em todo o mundo. De onde eu venho, no oeste americano, nós temos um ditado. Nós dizemos: “Ride for the brand”. Isso significa que a lealdade só conta, e certamente conta mais, quando há 100 razões para não ser leal. Você faz isso diariamente, impondo a razão sobre o impulso em circunstâncias extremamente difíceis, e tanta coisa repousa sobre seus ombros em termos de estabilidade em nosso hemisfério.

Os desafios nunca surgem quando estamos totalmente descansados. Eles vêm quando estamos há três dias sem dormir, e o estresse que é inerente ao nosso chamado tira o fino verniz da civilização. É quando vocês provam sua coragem como descendentes daquelas bravas almas que invadiram Monte Castelo, não uma, mas três vezes; os soldados brasileiros que permaneceram fiéis, que mantiveram a fé uns nos outros e que receberam a primeira rendição de toda uma divisão alemã na frente ocidental; aqueles soldados que escarneceram e que viram as pessoas duvidarem deles e depois costuraram remendos em suas mangas – e acho que digo isso direito, general: “A cobra vai fumar” – “the snake will smoke!”

Nós, americanos – e somos todos americanos aqui – somos “fortes”. Somos um grupo desordeiro e sempre fomos. Lutamos ferozmente por nossas liberdades e esse espírito vive desde minha cidade natal no Rio Columbia até o Rio de Janeiro e desde os rodeios no Texas até a “cultura gaúcha” do Brasil. Sobre esse fundamento de democracias com valores compartilhados e história comum de luta pela nossa liberdade, as forças militares dos EUA respeitosamente buscam trabalhar lado a lado com o Brasil e com os vizinhos do Brasil para construir juntos um futuro que compartilhe todos os benefícios de se viver em nosso grande hemisfério. Deve ser uma ilha, uma ilha de democracia e prosperidade em um mundo instável. Nosso hemisfério deve mostrar o caminho e ser um modelo.

Então, obrigado por me ouvirem esta manhã. Agora, na melhor tradição da Escola Superior de Guerra, gostaria de responder a algumas perguntas que vocês me enviaram com antecedência, mas também, com a ajuda de um intérprete, tirar algumas dúvidas diretamente com vocês.

 

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Esta tradução é fornecida como uma cortesia e apenas a fonte original em inglês deve ser considerada oficial.


Durante a visita ao Monumento dos mortos na Segunda Guerra Mundial



Vídeo do discurso do Secretário Mattis na ESG


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