COBERTURA ESPECIAL - Base Industrial Defesa - Defesa

28 de Junho, 2018 - 11:30 ( Brasília )

Ministro Silva e Luna abre feira de defesa no Rio de Janeiro


Adriana Fortes


Atracado no Pier Mauá, no Centro do Rio de Janeiro (RJ), o Navio Doca Multipropósito Bahia foi palco da abertura da primeira Rio International Defense Exhibition (RIDEX) e 5ª Mostra BID Brasil. Autoridades civis e militares se reuniram para saudar visitantes nacionais e estrangeiros que vieram prestigiar o evento e cortar a fita simbólica, iniciando oficialmente a feira.

Durante a solenidade de abertura, o ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, ressaltou que o momento é de trabalho e realizações. "A era do discurso vazio acabou. Tem que haver entrega. Ou entregamos resultados ou vamos ficar reféns das ameaças. Ninguém inaugura mais promessas. Temos que ter aguçado senso de legado”, destacou Silva e Luna.

Ainda de acordo com o ministro, a feira visa alinhar percepções e insultar nosso senso de responsabilidade, e oferecer oportunidade de soluções. "Fazer amigos e negócios. Nada disso é incompatível", completou o ministro.

"A RIDEX e a Mostra da BID-Brasil atuam como a representação genuína de nossa Base Industrial de Defesa, além de proporcionar oportunidades de intercâmbios de ideias, que podem auxiliar os dirigentes de Estado a entender melhor o potencial da indústria, e também ajudar o empresariado a compreender melhor as demandas do setor público", enfatizou o ministro Silva e Luna.

Organizada pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), e com apoio institucional do Ministério da Defesa (MD), a Ridex reúne cerca de 100 expositores, distribuídos em uma área total de 9.000m2, e recebe mais de 20 delegações de países da Ásia, Oriente Médio, África, América do Sul e Europa.

Segundo o organizador da feira, o presidente da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), almirante Laranjeira, a feira busca a aproximação das Bases Industriais de Defesa Latino-americanas, potencializando e permitindo a complementariedade entre elas, promovendo uma expansão mais robusta e uma integração de forma harmônica.

O embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), defendeu um compartilhamento e entendimento com países amigos que tenham uma visão assemelhada, e que permitam que isso seja possível, para a realização de acordos e parcerias estratégicas.

Carlos Frederico Aguiar, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) destacou o uso dual dos produtos da Base Industrial de Defesa, que permite que equipamentos concebidos para uso militar sejam utilizados também pela sociedade civil.

Ao lado do comandante da Marinha do Brasil, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, e do presidente Emgepron, almirante Laranjeira, o ministro Silva e Luna visitou os estandes, e em seguida, conversou com a imprensa.

Ao final, assistiu uma simulação de busca e salvamento no mar, realizada com muita presteza pela Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara.
A feira segue até a próxima sexta-feira (29), de 10h às 17h, nos armazéns 3 e 4 do Pier Mauá.

Leia na íntegra do discurso do ministro:

 

I RIDEX e V BID BRASIL - Discurso do m inistro de Estado da Defesa, Joaquim Silva e Luna, na abertura da RIDEX 2018 - 27 Jun 2018



Reforço os votos de bem-vindos à RIDEX!

Esta é a primeira feira de Defesa, Segurança e Off Shore do Brasil e também a quinta Mostra da Base Industrial de Defesa (BID) que estamos realizando. É um prazer enorme tê-los conosco. Sabemos que foi sempre a imaginação quem desbravou o futuro e povoou de esperanças o tempo vindouro.

O futuro é logo ali. E é para lá que estamos indo, não há como recuar no tempo. O dia a dia nos mostra que os tempos presentes são tempos desafiadores. Alguns modelos parecem esgotados. Há muita agitação, muita insatisfação e busca de novos arranjos.

A tecnologia transbordou de sua calha natural, transformando-se em fenômeno sociocultural, provocando inovações, renovações e inquietações, e tudo precisa de respostas rápidas, antes que as percepções superem os fatos.

Para arrostar esse fenômeno precisamos de mais inovação, mais tecnologia, mais pesquisa, mais investimentos; tudo associado a parcerias estratégicas, uma base industrial e uma firme liderança.

Na vida, ou se lidera corajosamente ou se torna refém do destino. O Brasil é grande; já é percebido grande; mas ainda precisa estruturar suas condições para manter-se grande.

A sua defesa é um dos pilares dessa sustentação e tem na sua base industrial um dos melhores meios de fortalecê-la. Temos que liderar essa caminhada tecnológica.

O Brasil - e não é diferente em outras partes do mundo - enfrenta, nas áreas de segurança e defesa, ameaças crescentes e cada vez mais sofisticadas. Podemos citar a atuação de organizações criminosas; o tráfego transfronteiriço de armas e drogas; as migrações de refugiados; a pirataria no Atlântico Sul; os ataques cibernéticos; o poder tecnológico de atores não-estatais, incluindo células terroristas; entre tantas outras.

O enfrentamento eficiente dessa gama de ameaças entrelaçadas, por vezes em redes sistematizadas, está fora do alcance de agentes amadores, despreparados ou tecnologicamente mal equipados. Esse enfrentamento há que ser travado por profissionais obstinados, talentosos, e munidos de ferramentas tecnológicas inovadoras.

Nesse sentido, nossos servidores civis, policiais, marinheiros, soldados e aviadores precisam ser recrutados pelo mérito, promovidos por desempenho, capacitados nos melhores cursos e disporem de armamento e equipamento de proteção no estado da arte – sempre. A era do discurso vazio acabou. Tem que haver entrega.

Ou entregamos resultados ou vamos ficar reféns das ameaças. Ninguém inaugura mais promessas. Temos que ter um aguçado senso de legado. Nesse sentido, temos que ser protagonistas das causas e deixar que os nossos sucessores inaugurem as consequências. Temos que ir além do dever. Sabemos que para o mundo parar de evoluir basta que cada um cumpra o seu dever.

Esse é o tamanho do nosso desafio.

A RIDEX e a Mostra da BID visam alinhar essas percepções e insultar nosso senso de responsabilidade. E, ainda, oferecer oportunidade de, juntos, encontramos soluções, fazermos amigos e fazemos negócios. Nada disso é incompatível.

Vejam que a RIDEX foi proposta com o objetivo de contribuir para a promoção e a integração das Bases Industriais de Defesa Latinoamericanas e para a consolidação de parcerias estratégicas. Parceiros são amigos que ganham com os ganhos do outro.

Nesse sentido, a I RIDEX e a V Mostra da BID buscam apresentar o que há de melhor e mais avançado em termos de equipamentos de defesa e segurança no Brasil e no exterior, ofertados por 88 expositores. Teremos oportunidade de avaliar novas tecnologias por parte dos diferentes públicos do Brasil e de mais 23 delegações estrangeiras de nações amigas.

A RIDEX e a Mostra da BID-Brasil atuam como a representação genuína de nossa Base Industrial de Defesa, além de proporcionar oportunidades de intercâmbios de ideias, que podem auxiliar os dirigentes de Estado a entender melhor o potencial da indústria, e também ajudar o empresariado a compreender melhor as demandas do setor público.

A BID, vale reforçar, é importante para as Forças Armadas brasileiras e para todo o Brasil. Ela representa um segmento da Base da Indústria Nacional e trabalha de forma intensiva com tecnologia.

Por meio da BID, desenvolvemos tecnologias de ponta que, naturalmente, transbordam para a área comercial de nossas empresas, beneficiando toda sociedade. Por meio da BID, expandimos a renda do País, gerando empregos de alto valor agregado.

Por meio da BID, integramos o Brasil nas cadeias produtivas globais de ponta, fortalecendo alianças e parcerias estratégicas. A Agenda de Defesa contempla, também, três iniciativas complementares. Primeiro, o Ministério da Defesa negociou com o BNDES a possibilidade de implementação de uma linha de crédito internacional, de país a país, beneficiando a produção da BID.

Segundo, está fazendo tramitar uma Medida Provisória conjunta dos Ministérios da Defesa, Transportes, Portos e Aviação Civil, ampliando as possibilidades de apoio financeiro do fundo da Marinha Mercante para a Marinha do Brasil. Terceiro, com ajuda de outros atores, está incluindo o Ministério da Defesa na Câmara de Comércio Exterior (CAMEX).

De forma concisa, eram essas as ideias que gostaria de compartilhar com todos os presentes. E, antes de concluir, gostaria de agradecer e parabenizar todos aqueles que investiram tempo, esforços e recursos para transformar este planejamento em realidade.

Aproveito para destacar o apoio dos nossos patrocinadores, que incluem instituições como a Condor, a Embraer, a Avibrás, a Thales, a Weg, a Ezute, a SAAB, a AMAZUL, o Banco do Brasil, a FEMAR, a APEX, a Helibrás, entre outros.

Destaco, ainda, o trabalho da Marinha do Brasil que, por intermédio da ENGEPROM, tem capitaneado este grande encontro, esmerando-se em tudo. Parabéns a todos! Senhoras e senhores, desejo então que aproveitem este evento, façam amizades e negócios e desfrutem da linda cidade do Rio de Janeiro. Muito obrigado a todos que nos honram com suas presenças. Muito obrigado!

Joaquim Silva e Luna
Ministro da Defesa


 

Fotos: Tereza Sobreira / MD


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