COBERTURA ESPECIAL - Base Industrial Defesa - Geopolítica

10 de Fevereiro, 2017 - 15:30 ( Brasília )

Portugal representa plataforma de aproximação à Europa e OTAN

Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Rossato apresenta sua visão sobre o assunto

Por Lusa (Lisboa - Portugal)


O ministro da Defesa brasileiro, Raul Jungmann, considerou hoje que Portugal pode ser "uma plataforma" para aproximar o país (Brasil) à Europa e à OTAN, acrescentando que o Brasil "também representa uma grande oportunidade", nomeadamente no mercado Atlântico do Sul.

"Portugal representa uma plataforma para que nós possamos nos aproximar da Europa e para que possamos desenvolver uma relação mais profícua com a OTAN e a reciproca é verdadeira. O Brasil também representa uma grande oportunidade para Portugal, não só em torno do seu mercado, mas em torno do mercado da América do Sul e outros mercados que objetivamente podemos conquistar juntos", disse Raul Jungmann.

O governante brasileiro, que discursava na sessão de abertura do I Diálogo da Indústria de Defesa de Portugal e do Brasil que hoje decorre no Porto e que também teve como oradores os ministros portugueses da Economia e da Defesa, considerou que o momento atual é "muito importante" porque, disse, "o Brasil ganhou um rumo" depois de ter vivido uma "crise institucional superada pelos marcos absolutamente legais" e que está a começar a superar a crise económica.

De acordo com Raul Jungmann, os últimos dados mostram que o Brasil terá a "menor taxa de inflação dos últimos 30 anos", o que pode significar uma redução de juros e melhoria fiscal.

"As boas práticas económicas, fiscais e monetárias voltaram ao Brasil. Isso principia sinais, ainda ténues é verdade, mas consistentes de que o Brasil retoma o trilho do desenvolvimento", disse.

Já sobre Portugal, o ministro apontou que o país "vive um bom momento político e económico", pelo que acredita que a "janela" de relacionamento se poderá aprofundar e alargar, indo ao encontro da convicção manifestada antes pelo ministro da Economia português, Caldeira Cabral, de que este encontro "poderá no futuro ser visto como histórico".

"Há possibilidades que se abrem, não só para as duas economias, mas especificamente para a nossa base industrial de defesa", referiu o governante brasileiro, acreditando que para essa "janela" de relacionamento também pode contribuir o momento que se vive na Europa e nos EUA.

Raul Jungmann vincou que "a manutenção do espaço Sul Atlântico como zona de paz e cooperação é uma prioridade" partilhada por Portugal e Brasil "especialmente por causa da comunidade lusófona" e "em prol da segurança marítima na região com atenção especial para o Golfo da Guiné".

"É fundamental que os nossos países estejam cada vez mais unidos pela cooperação em matéria de defesa e especificamente no desenvolvimento das nossas bases industriais e tecnológicas de defesa", disse o ministro do Brasil, dando como exemplo do potencial da cooperação portuguesa e brasileira na engenharia aeronáutica.

Raul Jungmann lembrou que a construtora aeronáutica brasileira Embraer montou duas filiais em Évora e falou do cargueiro KC-390, apelidando-o de "produto luso-brasileiro formidável".

"Se outrora a travessia do Atlântico Sul demorava meses, hoje com aeronaves como essa a mesma distância pode ser percorrida em horas. Precisamos de continuar a olhar para essas distâncias para as diminuir e temos de aprofundar oportunidades na área da defesa para além da aeronáutica", disse.

Para o governante brasileiro, são áreas possíveis de cooperação a indústria naval, bem como o setor tecnológico de sistema de informação e comunicação militares.

Crise de segurança obriga ministro brasileiro a interromper visita a Portugal

O ministro da Defesa brasileiro, Raul Jungmann, garantiu hoje acreditar que a "normalidade" regressará ao Estado de Espírito Santo "nas próximas horas", admitindo, no entanto, que vai regressar ao Brasil mais cedo do que previsto para estar "mais próximo".

"Eu acredito que muito provavelmente estaremos a entrar progressivamente no retorno à normalidade se não nas próximas horas, pelo menos nos próximos dias (...) E há uma disposição do Presidente [Michel] Temer de colocarmos à disposição do Espírito Santo tudo aquilo que for necessário para que a normalidade se restabeleça naquele Estado", disse o governante brasileiro.

Raul Jungmann, respondia aos jornalistas ao lado do seu homologo português, Azeredo Lopes, no final do primeiro dia de programa do I Diálogo da Indústria de Defesa de Portugal e do Brasil que está a decorrer no Porto, sendo que para sexta-feira estava agendada uma visita à Embraer, empresa brasileira ligada à aeronáutica que tem unidades em Évora, tendo esta sido cancelada.

Questionado sobre se o cancelamento se prendia com a situação de instabilidade no Espírito Santo, e depois de quarta-feira o governador interino daquele estado brasileiro ter dito que necessita de mais militares para lidar com a greve de polícias e a onda de violência que já fez dezenas de mortos, Raul Jungmann admitiu querer "estar próximo dos acontecimentos".

"Efetivamente a situação no Brasil cobra a nossa presença lá. Sinto-me melhor estando mais próximo para acompanhar os acontecimentos no meu país", disse o ministro da Defesa do Brasil.

Os assassiOTANs na capital do Estado, Vitória, e noutras cidades, começaram quando amigos e familiares dos agentes da polícia militar bloquearam os quartéis no fim de semana para exigir melhores salários, o que impediu o patrulhamento das ruas.

A polícia militar brasileira patrulha as cidades do país e está proibida por lei de fazer greve.

Raul Jungmann vincou hoje que "a população do Espírito Santo se tem manifestado contra a greve branca que está a decorrer no Estado" e falou "alguns interesses relacionados à oposição local do Estado que vêm criando dificuldades".

"A nossa expectativa é que retome a normalidade. Já reforçamos [os meios]. Originalmente deslocamos para lá 1.000 homens das Forças Armadas e aproximadamente 200 das Forças Nacional de Segurança e agora, só no que diz respeito às Forças Armadas, elas já superam 2.000", disse o governante.

O ministro somou o envio de blindados e grupos de elite com fuzileiros e paraquedistas e disse terem sido deslocados dois generais e feita uma transferência da coordenação da segurança das forças locais para as Forças Armadas.

"Acredito que este dispositivo e esta interação entre forças federais e locais serão suficientes para trazer a normalidade (...) Existe negociação em curso", concluiu.

Quanto ao programa do I Diálogo da Indústria de Defesa de Portugal e do Brasil, este continuará sexta-feira com reuniões de empresários e investigadores no Porto, bem como com visitas incluindo uma ida ao CEIIA - Centro para a Excelência e Inovação da Indústria Automóvel, em Matosinhos.

O encontro incluiu hoje a assinatura de um Memorando Catalogação Logística Militar e de uma Declaração Conjunta pelos ministros da Defesa português e brasileiro.



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