13 de Março, 2019 - 14:00 ( Brasília )

Aviação

Sistema MCAS utilizado por 737 Max 8 está na mira após acidentes

As semelhanças entre os acidentes da Lion Air e da Ethiopian Airlines chamaram a atenção para o sistema de estabilização utilizado pelo novo avião Boeing 737 Max 8.

O MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System) é um sistema de segurança automático que realiza correções em caso de violação de determinados parâmetros em manobras de mudança de altitude e direção.

O avião da Lion Air, que caiu em outubro matando 189 pessoas, e o aparelho da Ethiopian Airlines, que se espatifou no domingo deixando 157 mortos, operavam com o MCAS.

Os dois aparelhos fizeram subidas e descidas erráticas, a velocidades flutuantes, antes de cair minutos após a decolagem.

Apesar das semelhanças entre os dois acidentes, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) avalia que ainda é cedo para se tirar conclusões.

O MCAS foi introduzido pela Boeing no 737 Max 8 devido às turbinas do avião, mais pesadas e eficientes no uso do combustível, que mudaram as características aerodinâmicas da aeronave e podem levantar seu nariz em certas condições de voo manual.

"É um sistema que otimiza o perfil de voo e ajuda os pilotos a manter a aeronave na posição" apropriada, resumiu o especialista em aeronáutica da AirInsight Michel Merluzeau.

Isto é possível graças aos estabilizadores horizontais na cauda do avião, que são controlados pelo computador de controle de voo da aeronave.

Segundo a Boeing, o MCAS não controla o avião durante o voo normal, mas "melhora o comportamento do avião" durante situações anormais.

Tais situações ocorrem durante giros bruscos ou logo após a decolagem, quando o avião está ganhando altitude com os flaps abertos a baixa velocidade.

De acordo com o registro de dados, os pilotos do voo 610 da Lion Air lutaram para controlar o avião, enquanto o sistema MCAS pressionava repetidamente o nariz do aparelho para baixo durante a decolagem.

Os pilotos do avião da Ethiopian Airlines informaram uma dificuldade similar antes de o aparelho cair, também minutos após a decolagem.

- Atualização do Software -Um relatório preliminar sobre o acidente do voo 610 culpou em parte um sensor de ângulo de ataque defeituoso que ativou o MCAS e forçou automaticamente o nariz do avião para baixo.

Os pilotos que voaram no mesmo avião da Lion Air, um dia antes, haviam conseguido anular o sistema de controle automatizado.

A Boeing recebeu algumas críticas após o acidente da Lion Air por supostamente não informar adequadamente os pilotos dos modelos 737 sobre o funcionamento do MCAS ou proporcionar capacitação sobre o sistema.

Após o acidente da Lion Air, a Boeing emitiu um boletim para as empresas que operam o 737 Max 8 ensinando aos pilotos como anular o sistema MCAS.

A Boeing divulgou um comunicado nesta segunda-feira avaliando que é muito cedo para determinar a causa do acidente com o aparelho da Ethiopian Airlines.

O grupo informou ainda estar trabalhando nas atualizações do software para o sistema MCAS na frota de 737 Max, mas destacou que já existem procedimentos para "administrar de maneira segura a improvável situação de dados equivocados procedentes do sensor de ângulo de ataque (AOA)".

"O piloto sempre pode anular o controle (do MCAS) utilizando o ajuste elétrico ou o ajuste manual", afirmou o fabricante de aviões.

Desde a década de 1970 - quando o DC-10 da McDonnell Douglas sofreu sucessivos acidentes fatais - nenhum outro modelo novo esteve envolvido em dois acidentes fatais em um período tão breve.