16 de Abril, 2018 - 10:30 ( Brasília )

Aviação

PC-24, o novo avião comercial do fabricante suíço Pilatus


O novo avião comercial do fabricante suíço Pilatus levou 12 anos para ser desenvolvido. Um olhar nos bastidores da linha de montagem mostra o que foi necessário para a empresa fabricar o seu primeiro avião a jato.

O jato executivo PC-24 pode voar a distâncias de até 3.600 quilômetros e pode atingir velocidades máximas de 815 quilômetros por hora.

A Pilatus investiu mais de 500 milhões de francos suíços no desenvolvimento e produção do PC-24 em seu centro de operações no cantão de Nidwalden, na região central do país.

O jato executivo, com 17 metros de comprimento, é o único do gênero que pode decolar e pousar em pistas curtas feitas de areia e cascalho. A empresa diz que 84 pedidos foram feitos para o PC-24 até agora, dos quais 23 serão entregues já em 2018. A empresa norte-americana PlaneSense, que oferece uma espécie de modelo de compartilhamento de tempo para jatos executivos, está recebendo o primeiro PC- 24.

A Pilatus revelou em dezembro que o jato PC-24 obteve certificados de tipo da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e da Federal Aviation Administration (FAA) dos EUA, permitindo que os aviões fossem entregues a clientes no exterior.

 
 
Fotos: Christian Beutler/Keystone

Pilatus PC-7, as turbulências do "mini-bombardeiro suíço"¹

Pilatus é um avião civil (um 'turbo-trainer'), dotado de hélices, destinado a treinos. Pelo menos apresenta-se como tal. O senão é que, já na sua concepção, os construtores previram possibilidade de facilmente transformar em eficaz arma de guerra esse aparelho, leve e maleável que pode concorrer com aviões de propulsão a jato.

Não bastasse isso, há três décadas que, contra ventos e marés, o governo suíço tem sempre defendido esse modelo de avião - futuro concorrente do Tucano brasileiro - apesar de denúncias, revelações, escândalos e pressões de vários lados, resultantes do uso do PC-7 para fins militares, mesmo contra civis.

O livro – intitulado Affaire Pilatus, les milieux engagés et la Suisse officielle face aux exportations d'armes 1978-1985*** – destaca, de fato, um verdadeiro empenho do governo suíço, - com respaldo do Parlamento - em favorecer a exportação do aparelho, 'paramentado' de roupas civis.

O B-52 dos pobres

O "caso Pilatus" remonta a novembro de 1978, quando o jornalista, Ariel Herbez, revela em sua revista Tout Va Bien Hebdo que a Suíça iria fornecer aviões à Birmânia, Iraque, Bolívia e Marrocos.

Através da revista inglesa Air International Herbez, um apaixonado por aviação, ficou sabendo que os aparelhos PC-7 podem ser utilizados para fins militares, pois seis dispositivos nas asas de que são dotados facilitam o transporte de bombas ou de lança-foguetes.

O jornalista, que descreve o PC-7 como "mini-bombardeiro suíço ou B-52 dos pobres, volta à carga algumas vezes, constatando que em função da demanda, as transformações poderiam fazer do Pilatus "um excelente aparelho leve de apoio tático".

Aliás não deu outra. Seu uso como arma eficiente pode ser comprovado em muitos países. E decorridos trinta anos, em janeiro de 2008, affair ganhava novamente as manchetes com notícias de seu uso em Darfur, no Sudão, para bombardear acampamento de rebeldes.

Cenário invariável

Nesse espaço de tempo, nas diferentes ocasiões em que o assunto emerge na imprensa, o cenário em Berna é o mesmo: as autoridades federais reagem, prometem investigar a questão, mas acabam não tomando as providências necessárias, limitando-se a declarar que o aparelho não é um engenho de guerra.

Na seqüência do primeiro escândalo, o ministro da Defesa (G-A.Chevallaz) afirma, em 1981, perante o Parlamento, que qualquer avião ou carro pode se adaptado para fins militares. "Pode-se até imaginar carrinhos de bebês carregados de dinamite, por exemplo. Mas a gente pararia de exportar carrinhos de bebê?", indaga cinicamente o ministro Chevallaz.

Na ocasião, é amplamente rejeitada uma proposta socialista destinada a moralizar a questão. E o circo (com perdão da palavra) vai continuar por muitos anos, pois o governo sempre tenta 'tapar o sol com peneira' diante de aspirações pacíficas, de reações terceiro-mundistas e diplomáticas, movimentos de caráter político ou novas denúncias da imprensa suíça.

Se em 1980, por exemplo, faltam provas da utilzação do PC-7 no golpe de estado boliviano. No mesmo ano, vários depoimentos confirmam seu emprego para fins militares na Guatemala. E note-se que a utilização anterior desse avião na Birmânia, Bolívia e México já fora mais que simples suspeita.

Uma política de equilibristas

Entretanto, a questão, complexa, continua a se internacionalizar. O fornecimento de doze PC-7 a um regime repressivo na Guatemala em 1979 e 1980 vai, por exemplo, irritar a Grã-Bretanha que negocia a concessão de independência de Belize (efetivada em 1981). Os britânicos alegam que o dito fornecimento aumenta o perigo de desequilíbrio na região centro-americana.

Se a argumentação do governo suíço não muda, a cobrança britânica tem o mérito de fazer a Suíça levar mais a sério a "dimensão política" das exportações do aparelho.

A questão já se complicara depois do contrato assinado, em 1979, para a venda de 52 aparelhos a Bagdá. Em setembro de 1980, quando se inicia a entrega dos aparelhos, estoura a guerra Irã-Iraque, transformando a área em uma zona quente.

Se a imprensa denuncia a operação, o Iraque quer continuidade da entrega, mas o Irã protesta. A diplomacia suíça pisa sobre ovos pelo fato de representar os interesses norte-americanos em Teerã. No entanto, o ministério suíço das Relações Exteriores, com panos quentes, consegue mais uma vez privilegiar os interesses do exportador do Pilatus.

"Quanto aos arranhões na credibilidade da política de neutralidade, isso parece nunca ter sido uma preocupação para o Departamento Federal das Relações Exteriores", escreve J-M Pellaux. As exportações do 'Turbo Trainer' podem continuar. E se, na realidade, as autoridades se conscientizam do problema, "fazem vistas grossas para não prejudicar os interesses da firma (situada) em Stans (cantão de Nidwald)", realça o autor.

(Note-se que o PC-9 é um modelo aperfeiçoado desse aparelho já de tecnologia avançada e por isso mesmo muito cobiçado).

Outras grandes potências entram em campo

As coisas se agravam um pouco mais com os subterfúgios usados para satisfazer também aos interesses iranianos na aquisição do aparelho, apesar de ameaça de boicote árabe, encabeçado pelo Iraque. Nesse meio tempo, para piorar a situação, também a Arábia Saudita manifesta interesse pelo PC-7.

Mas a denúncia na imprensa da venda de aviões ao Irã, em 1983 e 1984, terá repercussão não apenas na Suíça como também no exterior. E a Suíça vai, então, enfrentar um osso duro de roer, os Estados Unidos, que advertem sobre as conseqüências políticas da transação.

É quando também entra em campo também a China, descontente com negociação para a venda do aparelho para outro interessado, Taiwã..

No âmbito do governo suíço não é simples conciliar os interesses da área da defesa e da diplomacia, pois "uma política crível" não se harmoniza com a venda de aviões a regiões envolvidas em conflitos armados.

Dimensão política em destaque

As coisas só começam a mudar, em meados de 1984, com a comprovada denúncia pela mídia da existência de um prospecto da empresa Pilatus, dando dicas aos compradores sobre como os armamentos podem ser instalados no PC-7.

O governo tarda a reagir a essa e a outras denúncias. Prefere deixar a poeira baixar, apelando inicialmente para as conseqüências socio-econômicas desastrosas resultantes de eventual proibição das exportações do avião. Tanto mais que empresas como a Embraer já são fortes concorrentes da firma Pilatus.

Note-se, de passagem, que em 1984, os egípcios optam por 120 Tucanos brasileiros...

A esta altura, a esfera governamental ao menos se conscientizou mais da "dimensão política de que se reveste a venda de armas a uma região em guerra", no caso, o Oriente Médio.

Mas há tergiversação no governo. O novo ministro da Defesa (J-P. Delamuraz), por exemplo, acha desnecessário "submeter o PC-7 à legislação sobre material de bélico" (de 1972), porque, de conformidade com a Constituição, o governo federal dispõe de base suficiente "para intervir se a neutralidade estiver em questão."

Segundo comunicado governamental, "essas exportações (do Pilatus) não prejudicam a Suíça "a ponto do país ter que proibi-las."

Business is business?

Desta vez, a reação da imprensa, na dinâmica pacifista, é mais forte e a partir desse ano 1984 as autoridades suíças se mostram menos inflexíveis.

Na época não faltam, porém, parlamentares para denunciar o perigo de uma ameaça à independência do exército no tocante a armamentos bélicos, à indústria aeronáutica suíça e à própria segurança nacional, caso se submetesse o PC-7 à lei sobre material de guerra

A polêmica ressurge nos anos seguintes. Em 1988, um coronel suíço aposentado (Ulrich Imobersteg) confirmou que o Iraque utilizou o PC-7 para bombardear um vilarejo do Curdistão iraniano.

Nos anos 90, a venda de 60 PC-7 a uma África do Sul recém-saída do apartheid, novamente provoca rebuliço e pressões da ONU, levando finalmente o governo suíço a exigir a "desmilitarização" dos aviões Pilatus: a supressão dos dispositivos nas asas para transporte de bombas e foguetes.

Só em 1997, novo regulamento proíbe a Pilatus de exportar os aparelhos com engates nas asas "para países atingidos por embargo da ONU ou por medidas internacionais de controle de exportações de que participam os principais parceiros comerciais da Suíça."

"São agora duas versões do avião Pilatus – com ou sem possibilidade de armamento – que são construídas", lembra Jean-Marie Pellaux.

Atitude injustificável, mas explicável

Se, durante anos, a atitude governamental foi dificilmente justificável, ela se explica por alguns fatores, expostos pelo autor de L'Affaire Pilatus.

No período da guerra fria, "o princípio da neutralidade armada foi a base da política estratégica da Suíça", visando a tornar o país capaz de se defender por conta própria. E, naturalmente, o conceito de "dissuasão armada" fez a cama dos fabricantes de armas.

O elemento militar tem igualmente seu peso, pois o exército - cliente privilegiado - é equipado em grande parte pelo fabricante de armas Pilatus. Para a aquisição de armas é comum uma colaboração entre militares e fabricantes de armamentos.

Outro elemento levado em conta é que o exército neste país é um fator importante de coesão social. "Durante muito tempo, lembra Jean-Marie Pellaux, ter um grau militar era condição sine qua non para alcançar certas funções ou postos-chave no setore privado e na função pública".

A este propósito, pode parecer piada, mas é muito ilustrativo o componente militar do governo suíço no fim dos anos 1970. Pellaux destaca que, na época, compõem o executivo suíço, integrado por 7 membros, "um brigadeiro EMG (Kurt Furgler), dois coronéis (Fritz Honegger e Hans Hürlimann) e três majores (Rudolf Gnägi, Georges-André Chevallaz e Ernst Brugger)."

A atitude de condescendência em relação aos construtores de armas tem ainda uma dimensão econômica, até porque esses meios exercem papel importante no Parlamento. Alguns parlamentares são, aliás, empresários de certo peso.

Dimensão simbólica do PC-7

No livro em foco, o autor diz ter procurado uma necessária distância para "se livrar do ritmo ditado pelas revelações midiáticas e dar um significado ao que parece uma simples série de repercussões."

Historiando o caso, Pellaux, que se limita ao mencionado período de sete anos (porque são os mais expressivos e pelo fato de os arquivos federais mais recentes serem inacessíveis), realça "a dimensão simbólica" das exportações do Pilatus fabricado em Stans, cantão de Nidwald.

"Para uns, símbolo de uma Suíça oportunista e cínica. Para outros, símbolo de uma Suíça que cria meios de se defender e, por conseguinte, símbolo da resistência aos ataques antimilitaristas. Ou, ainda, símbolo das proezas tecnológicas de que é capaz a indústria helvética."

Falando-nos pessoalmente, Jean-Marie Pellaux lembra a importância de cada símbolo para os diferentes protagonistas do caso: os pacifistas, a indústria de armamentos, as autoridades e também para o público.

Se realça a "dimensão oportunista" da política estrangeira da Suíça nesse período é por achar que o caso Pilatus "é bastante representativo do comportamento do país no cenário internacional, em particular na sua política econômica exterior."

Indagado se outros países não se comportam de maneira semelhante em situações similares, o autor concorda. Numerosos países participam desse comércio florescente: a França, a neutra Suécia... A Suíça não é uma exceção. O problema é que "a Suíça defende certas imagens no cenário internacional: a de um país neutro, que procura promover os direitos humanos, um país humanitário. Ora isto contradiz os diferentes valores defendidos."

Sucesso comercial²


Os pedidos chegam em massa à Pilatus. A fabricante aeronáutica suíça se transformou no líder mundial dos aviões militares de instrução.

É um sucesso que se explica não apenas pelo desempenho dos aparelhos, mas também por uma especialização em um mercado cada vez menor e abandonado pela concorrência.

Com sede em Stans, no cantão de Nidwalden (Suíça central), a empresa Pilatus teve bons resultados no ano passado. O volume de negócios foi de 781 milhões de francos, uma progressão de aproximadamente 14% em relação a 2010.

E o futuro poderá ser ainda mais próspero: desde o início do ano, o fabricante suíço já recebeu encomendas de 154 novas aeronaves, das quais 79 são para o modelo PC-21. Mas como é possível explicar o sucesso?

Aparelho único 

Na revista aeronáutica "Flightglobal", o piloto britânico Peter Collins vai ao cerne da questão. Frente às restrições orçamentárias, muitas forças aéreas enfrentam o dilema de formar pilotos bem treinados em técnicas de voo e, ao mesmo tempo, no mínimo de tempo e com os custos mais baixos possíveis.

"No futuro iremos precisar de um avião de treinamento de fácil manutenção, de alto desempenho e oferecendo um sistema de simulação tão sofisticado, capaz de substituir três ou quatro tipos de aparelhos e cobrindo, dessa forma, todo o conjunto do programa de instrução", explica. Ora, o PC-21 responde a esses critérios, avalia o piloto que testou pessoalmente a aeronave.

"As forças aéreas suíças demonstraram que é possível utilizar o PC-21 durante todo o processo de formação", confirma Max Ungricht, redator-chefe da revista suíça Cockpit Aero. "É algo que não existia antes. Sempre tivemos dois ou três tipos de aviões entre a primeira aeronave de treino e o avião de caça. Isso custa mais tempo e dinheiro. Por essa razão o Pilatus apresenta uma grande vantagem."

Cabine sob medida 

Duas características explicam porque o PC-21 responde aos critérios exigidos. A primeira é que, apesar de estar equipado com um sistema de turboélice, a aeronave se comporta como um avião à jato.

"O PC-21 foi desenvolvido para não apresentar as desvantagens típicas dos aviões à hélice como a tendência a pender graças ao movimento do motor e da pressão gerada pela hélice sobre a fuselagem", explica Max Ungricht. Nessa aeronave a correção de trajetória é automática, o que não existe em outros aparelhos comparáveis. Assim o piloto tem a sensação de estar pilotando um jato em que a propulsão é sempre reta.

A segunda característica é o comportamento da aeronave: a sensação de pilotar um jato foi ainda mais reforçada no interior da cabine. "A do PC-21 é muito parecida com a de um jato F/A-18", diz Max Ungricht.

A cabine é inteiramente modelável. No relatório, Peter Collins ressalta que o fabricante Pilatus pode torná-la mais parecida com os aviões de caça mais modernos do mundo como Mirage 2000, Eurofighter ou Saab Gripen.

Qualidade e preço 

Mas as inovações do PC-21 não são as únicas razões para o sucesso comercial da Pilatus. A empresa helvética sediada em Stans beneficia-se também de excelente imagem e muitas décadas de experiência.

"A Pilatus começou em 1947 com seu primeiro modelo. O PC-2 já era um avião de treino bastante avançado para a época", declara o piloto e instrutor de voo Raoul Weit. "Desde o começo a firma se concentrou nesses dois objetivos: a redução de custos em relação às aeronaves maiores e mais potentes e procurar atingir qualidades excepcionais de voo, o que faz suas aeronaves mais agradáveis para pilotar.”

"Os PC são muito confiáveis", continua. "A relação entre qualidade e preço é verdadeiramente excepcional para o usuário. Ainda hoje vemos aviões modelo PC-7 sendo empregados nas Forças Aéreas Suíça. Mesmo se eles estão em uso há mais de trinta anos de uso, ainda parecem como novos. Isso faz claramente uma diferença para um piloto que se encontra em uma aeronave que talvez só envelheça do ponto de vista tecnológico. Seguramente essa é um dos motivos de sucesso do Pilatus."

Falta de concorrência 

Além disso, o Pilatus tem a vantagem de atuar em um mercado onde a concorrência é cada vez mais fraca. A queda do número de aviões de combate faz com que o número de aviões de treino também caia. Resultado: muitos fabricantes abandonaram o setor.

"Ainda nos anos 1980 existiam quinhentos jatos na Suíça contra apenas 35 atualmente", lembra Raoul Weit. "Por isso era necessário formar entre 70 e 80 pilotos por ano, contra apenas oito hoje em dia. Outros países europeus, por questões financeiras, também tiveram de reduzir as capacidades, o que refletiu obviamente no mercado de aviões de treino."

Porém mesmo se a concorrência diminuiu, não significa que esteja menos ativa. Dentre outros se destacam a indústria aeronáutica russa, que interessa uma dezena de países com o seu novo avião de treino e combate, o Iak-130, ou ainda a italiana, que vendeu em meados de julho trinta jatos de treino com dois lugares, o M-346, às forças armadas de Israel.

Problema para a neutralidade 

As exportações dos aviões da Pilatus provocam regularmente discussões polêmicas. De fato, esses aviões podem ser armados e utilizados para ataques ao solo, um fator que contradiz ao conceito da neutralidade suíça, que proíbe a exportação de armas para zonas em conflito.

O presidente da Pilatus, Oscar Schwenk, admitiu no início de agosto que uma empresa israelense, Elbit Systems, era capaz de armar modelos antigos como o PC-7 e PC-9. Porém os novos PC-21 não podem ser armados sem a assistência da Pilatus, pois se trata de um "avião muito complexo, que só funciona com o apoio de um computador", explicou em uma entrevista ao jornal econômico Handelszeitung

O chefe da Pilatus indicou ter solicitado ao governo suíço que intervenha junto ao embaixador de Israel em Berna. Mas o pedido ainda não foi atendido.

Os especialistas consultados por swissinfo.ch consideram, porém, que a polêmica em torno do armamento dos aviões modelo PC é um falso problema. "Os resultados não foram conclusivos", estima Raoul Weit. "Os PCs não foram desenhados estruturalmente para carregar bombas ou mísseis. Claro, é sempre possível tentar armar um PC, mas a aerodinâmica é uma ciência e é difícil contrariar suas regras básicas."

"É possível armar todos os aviões, mesmo o meu", contrapõe Max Ungricht. "Mas o conceito o PC não é de um avião de combate. É lamentável que se critique na Suíça a Pilatus por essa questão de armamentos, ao invés de ressaltar o sucesso extraordinário dessa pequena empresa."

Pilatus

Empresa aeronáutica criada em 1939 em Stans por Emil Georg Bührle, Elektrowatt e Anton Gazda, comerciante austríaco de armamentos.

O objetivo dos empreendedores era modernizar a aviação militar suíça, até então pouco desenvolvida, através da criação de uma indústria aeronáutica própria.

A empresa se comprometeu à revisão e controle de aeronaves para o governo federal da Suíça, desenvolvendo e produzindo aviões militares de treino (P-2, PC-7, PC-9), assim como pequenos aviões de transporte (PC-6, PC-12), que posteriormente tiveram um grande sucesso no exterior.

Vendas realizadas em zonas de conflito (Laos, Birmânia, Bolívia, Chile, Iraque, Chade, etc.) provocaram muitas vezes debates políticos sobre a exportação de material de guerra.

Encomendas

A Pilatus anunciou um resultado recorde para 2011. O aumento de faturamento foi de 14% (totalizando 781 milhões de francos) e de 23% (108 milhões) de lucro. A carteira de encomenda totaliza 416 milhões de francos.

¹Por Jean-Marie Pellaux - swissinfo, J.Gabriel Barbosa

²Por Olivier Pauchard - swissinfo, Alexander Thoele