COBERTURA ESPECIAL - Argentina - Naval

19 de Novembro, 2018 - 15:00 ( Brasília )

ARA San Juan - navio e drones subaquáticos ajudaram a encontrar submarino argentino desaparecido


A empresa de exploração submarina Ocean Infinity foi contratada pela Marinha da Argentina para realizar as buscas do submarino ARA San Juan, que desapareceu em novembro de 2017 com 44 tripulantes. Neste sábado, a Marinha argentina anunciou que o submarino foi encontrado a mais de 800 metros de profundidade, no Oceano Atlântico.

Segundo as autoridade, ele pode ter "implodido". As buscas no fundo do Oceano Atlântico começaram a cerca de 300 milhas náuticas da cidade portuária de Comodoro Rivadavia, no sul da Argentina.

A operação envolveu o navio Seabed Constructor, construído nos estaleiros de Bergen, na Noruega, onde a empresa tem sua base de operações. O navio tem 115 metros de comprimento e 22 metros de largura. Além de um heliporto, ele possui tecnologia de ponta.

Ele também tem um laboratório com computadores de última geração, braços mecânicos, lanchas rápidas, guindastes de 250 toneladas e uma velocidade de exploração de 1.200 quilômetros, segundo o site da Marinha da Argentina.

No entanto, os equipamentos cruciais usados para encontrar o San Juan foram os veículos submarinos autônomos (AUV, na sigla em inglês), também conhecidos como "drones subaquáticos". A empresa Ocean Infinity diz que seus "drones" são os mais avançados do mundo, como uma capacidade de operar em uma profundidade de até 6.000 metros.

Como o nome indica, esses veículos são autônomos e não estão ligados ao navio por nenhum cabo, o que permite aos "drones" mergulhar em águas mais profundas e coletar dados de maior qualidade.

Eles podem se mover a uma velocidade de 2 a 6 nós (cerca de 4 a 11 km por hora) e ter reservas de 400 horas de bateria.

A tecnologia dos drones

Drones subaquáticos da Ocean Infinity 'são os mais sofisticados do mundo', diz empresa

Entre as tecnologias utilizadas pelos navios e pelos drones estão um scanner sonar de varredura lateral, sondas de ecolocalização multifeixe, câmeras de alta definição e sensores de condutividade, temperatura e profundidade.

O navio Seabed Constructor tem capacidade para carregar 102 pessoas, mas nessa operação ele tinha apenas 60 tripulantes a bordo, segundo a empresa.

Além dos funcionários, oficiais da Marinha da Argentina também participaram das buscas. Quatro familiares da tripulação do submarino também estavam a bordo.

A operação da Ocean Infinity também teve apoio de várias entidades para determinar a zona de busca do submarino, como a Marinha Argentina e a Marinha Real do Reino Unido.

Cada diária do Seabed Constructor custou 50 mil dólares por dia (R$ 186 mil) ao governo da Argentina. Toda a operação saiu por 7,5 milhões de dólares (cerca de R$ 28 milhões).

ARA San Juan: As primeiras imagens do submarino a 907 metros de profundidade; Argentina diz não ter como fazer o resgate


Integrante da Marinha da Argentina mostra os três pontos onde foram feitas as fotografias: (a) proa, (b) hélice, (c) popa

A Marinha da Argentina divulgou as três primeiras imagens do submarino ARA San Juan, encontrado depois de ter ficado um ano desaparecido - 44 pessoas estavam a bordo. Seus destroços foram localizados a 907 metros de profundidade, a cerca de 500 quilômetros da cidade de Comodoro Rivadavia, onde estava o centro das operações de busca.


O governo Argentino também informou que não tem condições técnicas de fazer o resgate do submarino. "Nós não temos nem sequer meios para descer às profundezas do mar. Não contamos com os AUV (veículos submarinos autônomos), nem com os ROV (drones operados remotamente) para descer a essas profundidades.

Tampouco temos equipamento para retirar uma embarcação com essas características", afirmou o ministro da Defesa da Argentina, Oscar Aguard. A declaração faz referência ao equipamento de alta tecnologia usado pela empresa americana Ocean Infinity, que foi contratada pelo governo da Argentina para buscar pelo submarino. Ainda não há informações sobre os corpos dos tripulantes que estavam à bordo quando o navio desapareceu.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri decretou três dias de luto e afirmou que "se abre uma etapa de sérias investigações para buscar toda a verdade".

O que mostram as primeiras imagens do submarino?

Segundo a Marinha da Argentina, o submarino pode ter "implodido" no mar horas depois de fazer o último contato. Também destacou que, quando fala de implosão, é porque a pressão da água supera a resistência do material do submarino.

O submarino não está intacto. Suas partes desprendidas ocupam uma área de 80 metros por 100 metros, o que sugere que ele pode ter implodido muito próximo do fundo - caso contrário, os escombros estariam mais dispersos.

A visibilidade no local é muito reduzida, devido à turbulência e a salinidade da água nessa profundidade.

A imagem acima é a principal fotografia divulgada pela Marinha da Argentina. Ela mostra a proa do submarino, encontrada em uma peça única, medindo cerca de 25 metros de comprimento e 7 metros de largura, mas deformada e amassada para dentro, devido à pressão da água nessa profundidade.

Essa era uma área habitável, feita com um casco resistente, de aço especial, com 33 milímetros de espessura. Ali, ficavam todas as baterias, sistemas e equipamentos do submarino.

Além da proa, foram identificadas outras duas partes do submarino, de dimensões menores, que coincidem com a popa e a vela e com a hélice e o eixo.

Segundo a Marinha da Argentina, essa imagem mostra a vela do submarino
 
Nesta imagem, um fragmento de uma hélice e eixo do submarino

Onde estava o submarino?

O local onde o submarino foi encontrado é muito próximo da área onde a organização de controle de testes nucleares da ONU havia detectado uma anomalia acústica, indicativa de uma explosão, logo após a embarcação perder comunicação, no ano passado.

A Marinha da Argentina informou que já haviam sido feitas buscas internacionais nesse local, mas não foi possível identificar nada devido à "ausência de tecnologia que essa empresa tem", em mais uma referência à Ocean Infinity.

No entanto, destacou, havia insistido que buscas fossem feitas nesse local.

Como foi a descoberta do ARA San Juan

Cada diária do Seabed Constructor custou 50 mil dólares por dia (R$ 186 mil)

Após dois meses de buscas, a Ocean Infinity havia anunciado que abandonaria a expedição - ao menos, temporariamente.

Porém, na noite de quinta-feira, no mesmo dia em que se completava um ano desde as últimas comunicações com o ARA San Juan, a Ocean Infinity informou a descoberta de um novo ponto de interesse. O "ponto de interesse" é um local onde se suspeita que possa estar o submarino e que, por isso, deve ser investigado. Ao longo das buscas, esse foi o 24º ponto de interesse informado - e o definitivo.

Ante este sinal, o navio Seabed Constructor se dirigiu à área onde estava o robô submarino que fez a descoberta. O robô, então, forneceu a "identificação positiva".

A Ocean Infinity informou que vai cobrar US$ 7,5 milhões (cerca de R$ 28 milhões) por ter encontrado o ARA San Juan.

 

 



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